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5 serial killers brasileiros

Casos que foram enterrados com o tempo

03/03/2026

A crônica policial brasileira é preenchida de assassinos em série midiáticos que por décadas não saíram do noticiário. Para o cidadão comum, tal exposição limitada faz parecer que no Brasil só existem Chico Picadinho, Maníaco do Parque e Pedrinho Matador. O passado brasileiro, porém, é atulhado de casos de serial killers cujas histórias, em sua maioria, foram completamente enterradas pela passagem do tempo.

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Neste post, eu resgato cinco casos que causaram sensação em suas épocas.

1. As criadoras de anjos de Ubaraba (Uberaba, 1958-62)

Era uma vez um grupo de mulheres que se uniu em um propósito medonho: envenenamento em massa de pessoas. A história começa com senhoras sofridas que decidem de uma vez por todas acabar com suas dores, ou seja, maridos cruéis e violentos. Elas, porém, tomam gosto e a coisa sai completamente do controle. A morte se torna banal e, assustadoramente dessensibilizadas, essas assassinas são capazes de adocicar uma xícara de café com estricnina e oferecer a uma amiga de longa data, somente pelo prazer de vê-la agonizar enquanto seu estômago é corroído.

Enganam-se os que acham que a cidade húngara de Nagyrév e sua horda de assassinas envenenadoras foi um caso único. Na verdade, esta era uma prática tão disseminada na Europa de antigamente que um pesquisador a chamou de “Sindicatos de matadoras de maridos”. Há centenas dessas histórias e Nagyrév se tornou a mais famosa. E se a Europa teve Nagyrév, nós tivemos Uberaba.

Entre 1958 e 1962, se uma mulher quisesse resolver um problema em Uberaba, bastava fazer um “agradinho” e oferecer ao alvo infeliz. O tal agrado nada mais era do que bolos e doces recheados de arsênico e estricnina. Quem “inventou” a receita foi Francisca Coelho, moradora do bairro Abadia. Cansada do marido mau, ela misturou o raticida trigo roxo no feijão e o homem pereceu rapidamente. O mesmo destino teve o próximo companheiro. Não demorou e ela ficou de olho em um “moreno escuro” bonitão. Mas a vizinha também queria o varão, então Francisca enviou um agrado à mulher: doce de mamão maduro. A família inteira do alvo caiu doente e, uma das filhas, de 18 anos, veio a óbito. “Esses foram os meus agradinhos. Os outros são da Mariinha e das outras,” disse Francisca à polícia.

Tendo matado sem levantar suspeitas, Francisca começou a sugerir sua solução às mulheres do bairro. Três outras foram presas e atrás delas havia um rastro de mortes estranhas e misteriosas.

Anos depois, ancorado por uma investigação falha, um juiz rejeitou a denúncia do MP e as criadoras de anjos de Uberaba saíram impunes, desaparecendo em seguida na história, assim como suas colegas europeias.

2. O Mata-Mulheres (Niterói, 1960-76)

Durante o julgamento do canibal de Milwaukee Jeffrey Dahmer em 1992, foi intensa a discussão sobre se o réu estava ou não dominado por um impulso irresistível que o impelia a cometer atos homicidas e necrófilos. De maneira similar, o brasileiro Dario Peixoto revelou que uma estranha força o compelia a fazer o que não gostaria: matar. Como Dahmer, a raiz de tudo era uma fúria sexual incontrolável e pervertida que só poderia ser saciada com a mistura da possessão de um corpo com o aniquilamento da vítima.

Sobre este perigoso predador sexual tupiniquim, ele foi finalmente parado em março de 1976, aos 43 anos, quando uma adolescente foi encontrada morta no fundo de um poço, no bairro São Francisco, em Belford Roxo. Dario, que havia sumido e era inquilino na casa da garota, foi imediatamente ligado ao crime. Uma multidão, armada de paus e pedras, deu início à caçada. A polícia, avisada, juntou-se ao grupo vingador. Ele foi encontrado em um lote baldio e levado até a delegacia, onde contou sobre sua “fraqueza”.

A década de 1960 foi particularmente farta em homicídios sexuais contra mulheres no Rio de Janeiro e Dario, certamente, matou mais do que confessou. Seu primeiro crime de morte vitimou a esposa. Em 1960, ele a matou brutalmente somente porque “queria ficar viúvo” e violou seu cadáver. Condenado a 12 anos, recebeu rapidamente o benefício de sair da prisão durante o dia. Em 1964, foi novamente preso pelo homicídio sexual de Maria Rosa Madeira, cujo corpo foi encontrado no Morro Souza Soares. Ele voltou a cumprir pena em regime fechado — mas por pouco tempo.

Em 1975, Dario viu “uma moreninha” de 16 anos trocando de roupa, a espiou pela janela e esperou que saísse. A adolescente resistiu ao ataque e foi estrangulada. O crime não foi solucionado e, no mesmo ano, Dario foi interrogado sob suspeita de matar outra mulher. Solto por falta de provas, em março de 1976 foi a vez de Elma Selande, de 14 anos, ser estrangulada.

Quantas mulheres este facínora matou não se sabe, mas policiais acreditavam ser muitas, pois ele era um “psicopata anormal”. Após falhar tantas vezes com a sociedade, a justiça o enjaulou no Hospital de Custódia Henrique Roxo.

Sua estadia no hospital, porém, não durou muito. Aos 47 anos, no final de novembro de 1980, Dario Peixoto foi encontrado morto no quarto em que dormia. Sua morte foi registrada como suicídio.

3. Monstro da Variante (Rio de Janeiro, 1964-66)

Enquanto um serial killer conhecido como Estrangulador Místico fazia vítimas em Deodoro, outros criminosos sexuais aterrorizavam o Rio de Janeiro. Um deles foi José Dias, o “Águia Negra”, preso em 1965 por atacar mulheres na Avenida Brasil. Três anos depois, seis mulheres trabalhadoras de uma fábrica de tecido na rua Conde de Agrolongo, na Penha, foram seguidas e atacadas após saírem do trabalho por um “negro gigante”. A polícia prendeu Gélson Pereira, o “Cipó”, que confessou não somente os ataques, como também os homicídios do “Monstro da Variante”.

Os crimes do Monstro da Variante correspondem a uma série de assassinatos de mulheres entre 1964 e 1966, quando corpos e ossadas foram encontrados em terrenos baldios ao longo da Avenida Brasil, nas proximidades do Parque da Aeronáutica. Uma manicure, uma dona de casa, uma bilheteira… O assassino atacava qualquer uma que descesse sozinha do ônibus, arrastava-a para o mato e descarregava sua maldade. Ele se escondia sob o Viaduto Faria Timbó e ficava lá, observando moças desacompanhadas.

Décadas antes de o detetive canadense Kim Rossmo ficar mundialmente conhecido com a ferramenta Perfil Geográfico, que ajuda a delimitar a provável moradia de um assassino em série, o investigador brasileiro Jamil Warwar utilizou suas próprias técnicas para sugerir o lar do facínora: a Favela do Buraco da Lacraia. Ele se infiltrou na comunidade e identificou não um, mas dois assassinos em série.

Eles eram Clóvis Cunha, o “Sarará”, e Josimar Pereira, o “Mazinho”. Criminosos incorrigíveis, Cunha e Pereira agiam em dupla e supostamente matavam “por prazer”, obtendo intenso deleite em “possuir as vítimas, já em agonia, com o corpo retalhado por muitos golpes de faca”. Tudo teria começado como um acordo para roubar, mas quando eles mataram uma mulher, sentiram a necessidade de violar o cadáver, e não pararam mais.

A polícia teve imensa dificuldade durante as investigações, principalmente com criminosos como Cipó, que vez ou outra apareciam reivindicando a autoria dos homicídios. Na época, Clóvis e Josimar foram ligados a nove assassinatos, mas décadas depois, ao ser entrevistado, Warwar disse ter sido mais de 20.

Mesmo após a prisão de Clóvis e Josimar (que fugiu, mas foi recapturado anos depois quando gerenciava uma boca de fumo), o inquérito do Monstro da Variante permaneceu aberto durante anos na Polícia Civil e chegou a desaparecer. Na época, não foi informado se a dupla foi indiciada pelos homicídios, nem detalhes de um julgamento. Durante a década de 1970, entretanto, é possível rastrear que ambos estavam presos.

De acordo com Jamil Warwar, o objetivo da dupla era apenas assaltar mulheres, mas como uma reagiu, foi morta a facadas e teve o corpo violado. “Foi quando ele [Clóvis] descobriu a necrofilia”.

Mulheres ficaram a salvo com a prisão da dupla, porém, nos anos 1960, eles não eram os únicos maníacos sexuais agindo na cidade.

4. O Estrangulador Místico (Rio de Janeiro, 1968)

Não são raros os casos de homicidas seriais capturados após deixarem uma vítima viva para trás. Nomes como Billy Chemirmir, Thierry Paulin e Irina Gaidamachuk, só para citar alguns, foram pegos após vítimas que eles pensavam estarem mortas acordarem e contarem suas histórias.

E neste seleto e infame grupo dos seriais “descuidados” está um brasileiro.

Em 22 de abril de 1968, Andréa Galotti, de 21 anos, viu-se aproximar um homem miúdo que lhe fez uma boa proposta para ter momentos de prazer. Ela aceitou e os dois pegaram um trem até Deodoro, subúrbio fluminense. Caminhando por um local ermo, o simpático homem, de repente, a atacou, puxando-a até um matagal, onde a estrangulou. Após abusar de Andréa, o homem foi embora, acreditando que ela estava morta. Não estava.

Ele foi preso no mesmo dia após Andréa denunciar o crime à polícia.

Na delegacia, Sebastião dos Santos, de 27 anos, surpreendeu o delegado quando desatou a falar sobre seus crimes e crenças religiosas. Em seu discurso místico, revelou não poder controlar seus impulsos que vez ou outra explodiam dentro de si. Toda vez que o “troço” vinha, ficava possuído por uma “santa” ira e um ardente desejo sexual que só poderia ser saciado através do homicídio, então Sebastião sabia que uma mulher morreria. Mas antes de sair à caça, como bom crente e pai de família, beijava a esposa e rezava um salmo.

Nas imediações da Central do Brasil, ele abordava mulheres que faziam “trottoir”, afirmando ter um quarto em Ricardo de Albuquerque, e prometendo a quantia de 20 cruzeiros novos pelo encontro. Pelo que lembrava, o troço o fez agir ao menos dez vezes desde 1966 e todas as mulheres foram mortas em terrenos desertos do antigo paiol de munições do Exército, em Deodoro.

Ele se interessava pelas morenas e “escurinhas”, pois as brancas e loiras o inibiam sexualmente. Com o tempo, aperfeiçoou sua técnica de ataque e as vítimas nem gritavam. Após esganá-las, “satisfazia a carne nas suas carnes mortas”, ou seja, era necrófilo.

Em uma época infestada de casos de maníacos sexuais, seu nome foi rapidamente esquecido. Suas vítimas sequer foram nomeadas, com exceção de Andréa, a única a escapar.

5. O Monstro de Bragança (Bragança Paulista, 1973-74)

Uma a uma, criancinhas inocentes desaparecem após entrarem em contato com uma figura esguia e sombria. Um olhar mais aguçado revela que a criatura tem a aparência de um idoso malvado. Seria este senhor o velho do saco? Ou quem sabe o bicho-papão em sua forma humana? Talvez nenhum dos dois, e sim o mais novo vilão das histórias criminais, aquele mesmo que persegue e sequestra crianças: Slender Man.

Já lemos ou ouvimos essa história centenas de vezes. Mas, afinal, isso é real? Ou somente lenda urbana, folclore ou roteiro de filme de terror?

Em uma sucessão bastante rápida, quatro crianças (incluindo duas irmãs) sumiram em Bragança Paulista entre 26 de dezembro de 1974 e 3 de janeiro de 1975. Após os desaparecimentos, histórias brotaram no boca a boca e rapidamente a população bragantina elegeu seus suspeitos, e eles não eram o bicho-papão ou o velho do saco, mas ciganos que haviam acampado nas imediações da cidade. Antes que os nômades se tornassem alvos da fúria cega, a polícia veio com a solução do mistério.

Quatro crianças que desaparecem em um curto espaço de tempo chama a atenção. Dois delegados e detetives de três cidades se uniram na investigação, que durou somente 22 dias. Em 18 de janeiro, o Jornal do Brasil escreveu: “Crianças desaparecidas foram mortas por um velho louco”.

O tal “velho louco” era Sebastião de Oliveira, de 59 anos, encontrado perambulando sem rumo na cidade vizinha de Amparo.

Sebastião era um velho conhecido da justiça. Sua ficha incluía internações em manicômios após estuprar crianças e suspeitas de homicídio. Em 1969, foi definido como um “sexopata” por um psiquiatra.

Solto nas ruas em liberdade vigiada, Sebastião resistiu por pouco tempo aos seus impulsos doentios, então matou quatro crianças “após submetê-las a sevícias de toda sorte, atendendo a seus instintos bestiais”.

Necrófilo e canibal, Sebastião comeu um pedaço das nádegas da primeira vítima; da segunda, ingeriu um pedaço do fígado e das irmãs a carne das coxas.

Por mais de 20 anos, este Slender Man da vida real causou dor e morte. Encontrado enforcado em sua cela, ele pode hoje estar morto, mas sua história continua viva — nos contos e histórias fantasiosas que derivam de crimes reais.

LEIA TAMBÉM: Daniel Cruz: “Não gosto de filmes e séries sobre casos reais”

Sobre Daniel Cruz

Daniel CruzDaniel Cruz é escritor, tradutor e autor do site OAV. Pela DarkSide® Books publicou Anjos Cruéis e Jeffrey Dahmer: Canibal Americano.

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