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Irka Barrios: “Estamos ampliando as fronteiras do horror”

Confira a entrevista da autora de Vespeiro ao DarkBlog

28/08/2025

Para Irka Barrios, a literatura sempre representa a vanguarda. A autora do transgressor e premiado Vespeiro acredita que o gênero tem conquistado o seu espaço, até mesmo entre audiências mais conservadoras.

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Em uma conversa exclusiva ao DarkBlog, a escritora falou sobre os horrores do corpo, suas inspirações, os desafios da linguagem e até sobre o que os leitores podem esperar de seus próximos trabalhos. Saiba tudo na entrevista:

DarkBlog: Você tem um domínio notável da linguagem, conjugando lirismo e brutalidade. Quais experiências ou referências moldaram a sua escrita?

Irka Barrios: Eu leio muita literatura, principalmente a mais antiga, mais clássica, mas também leio muito a literatura contemporânea. A linguagem está sempre se modificando, está sempre sofrendo uma atualização, o que é muito bom. Confesso que o que mais me chama atenção em um texto é sempre a linguagem. Então eu sempre me debruço muito em tentar melhorar a linguagem, em deixar o texto o mais específico possível, comunicando aquilo que eu pretendo comunicar da forma mais específica possível. Mas também abrindo um pouco, deixando a linguagem mais lírica, abrindo um pouco para o poético e tentar equalizar essas duas situações. O que mais me dá trabalho num texto é sempre a linguagem.

Irka Barrios

D: Uma das forças de sua obra Vespeiro está no corpo. Há uma fisicalidade que incomoda. Por que o corpo é tão central na sua escrita?

IB: Eu demorei a perceber que o corpo era importante na minha escrita. Isso tem muito a ver, primeiro, com o meu gênero, sou uma mulher; com o local onde eu vivo, um país latino-americano; e com as heranças que as mulheres e o povo latino-americano trazem do período colonial, das ditaduras militares que sofremos em conjunto. O sofrimento do corpo, em função dessas violências, é o que me motiva a escrever.

D: Vespeiro ganhou o Prêmio Jacarandá e o AGES Livro do Ano. Você acredita que o horror finalmente está recebendo o reconhecimento que merece?

IB: Acredito que sim. Fiquei muito feliz porque além do prêmio AGES, que ele venceu em duas categorias, tanto como Livro de Contos como Livro do Ano, ele também ganhou um prêmio da Academia Rio-Grandense de Letras, que é de um grupo bastante conservador. Foi uma surpresa o Vespeiro ter conquistado esses quatro prêmios porque é uma narrativa que destoa bastante do convencional, que tem esse olhar para o horror. E parece que o horror está sempre em briga com o convencional, considero o horror muito vanguarda. Acredito que isso esteja ajudando as pessoas a enxergarem o horror com um olhar mais gentil, e não aquele olhar de “não vou ler porque tenho medo”. Estamos ampliando as fronteiras do horror e isso está sendo bem positivo.

IrkaBarrios

D: Se você pudesse escolher uma história de Vespeiro para ser adaptada para o cinema, qual seria e quem iria dirigir?

IB: Quem iria dirigir seria a Lucrecia Martel, uma cineasta argentina que eu acho incrível. Gostaria que ela dirigisse “Crocodilo”, que é uma história de um relacionamento entre pai e filha. Mas é um relacionamento que é totalmente ao contrário: a filha praticamente é mãe do pai dela, é ela quem cuida do pai. Nesse conto eu busquei tentar desconstruir essa relação de obediência ou de autoridade, que a gente sempre observa numa relação de pai e filha, e transgredir um pouco, mostrar um outro lado, de uma filha que se sente responsável pelos erros e pelas falhas do pai. Eu gostaria muito de ver essa história no cinema.

D: O que vem depois de Vespeiro? Quais ferroadas os seus leitores podem esperar a partir de agora?

IB: Pretendo finalizar um livro agora, um romance. Gosto de dizer que eu me sinto muito mais contista do que romancista. Acredito que o conto é muito mais transgressor que o romance pelo efeito que ele causa, pois num pequeno espaço de tempo ele tem a possibilidade de causar uma explosão na cabeça do leitor. Estou escrevendo dois romances, um já mais perto do fim, outro ainda não, então vem romance por aí.

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Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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