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4 diferenças entre o livro e o jogo de Parasite Eve

Conheça as mudanças causadas pela transição de mídia

17/03/2026

Não é de hoje que os videogames têm encontrado inspiração em outros formatos narrativos, como a literatura e o cinema. Embora o movimento mais comum seja o de jogos sendo adaptados para as telonas, como Resident Evil e Silent Hill, às vezes os desenvolvedores encontram na literatura seu ponto de partida. É justamente o que aconteceu com Parasite Eve, RPG eletrônico lançado pela Square em 1998 que tem como material base o romance homônimo de Hideaki Sena, publicado originalmente em 1995. 

LEIA TAMBÉM: Parasite Eve poderia acontecer de verdade?

Baseada em descobertas científicas sobre a origem das mitocôndrias — estruturas celulares responsáveis por gerar energia — a obra de Sena parte da seguinte premissa: o que aconteceria se o nosso próprio corpo se rebelasse contra nós ao nível celular? É a partir dessa inquietação que Parasite Eve tece uma trama onde as mitocôndrias se tornam sencientes, decidindo romper com a relação simbiótica com os seres humanos e tomar seu lugar no topo da cadeia evolutiva. 

Com uma abordagem pragmática, marcada por uma autoridade e autenticidade científica, as quais são ressaltadas pelo fato do próprio Hideaki Sena ser doutor em farmacologia, Parasite Eve deu início a uma nova onda de interesse internacional pelo terror japonês, rapidamente consolidando-se como uma obra-prima do gênero. Não demorou para que uma desenvolvedora e publicadora de jogos eletrônicos enxergasse o potencial da história, adaptando o livro para um aclamado jogo de Playstation 1, o qual ajudou a consolidar ainda mais Parasite Eve entre os fãs de terror e ficção científica. 

Mas… até que ponto o livro e o videogame são parecidos? Afinal, quando falamos sobre adaptações é praticamente impossível fugir das mudanças causadas pela transição de uma mídia para outra. Nesse quesito, por mais que o livro e o jogo de Parasite Eve explorem muitos dos mesmos temas, ainda existem diferenças significativas entre as duas obras. A Caveira separou algumas delas para você conhecer. 

1. Enredo

O livro de Hideaki Sena acompanha um cientista, especializado em biologia molecular, que perde tragicamente a esposa em um terrível acidente de carro. Transtornado pela dor da perda, ele decide colocar em prática seus conhecimentos científicos e cultivar em laboratório as células do fígado da falecida esposa. Contudo, sem querer, nosso protagonista dá início a uma cultura celular – apelidada de Eve1 – que não apenas sobrevive, mas se desenvolve de maneira inesperada. Para piorar, Eve1 passa a manipular os acontecimentos ao seu redor, revelando um propósito aterrorizante de transcender a humanidade custe o que custar.

parasite eve

Já no videogame a história é um pouco diferente. Para começo de conversa, Parasite Eve não é uma adaptação direta do romance, mas sim uma sequência espiritual e narrativa. Aqui, acompanhamos uma jovem policial de Nova York que testemunha um catastrófico incidente na casa de concertos conhecida como Carnegie Hall. O caos se inicia durante uma apresentação de ópera quando praticamente todos os membros da plateia entram em combustão espontânea e a cantora, Melissa Pearce, é subjugada por suas mitocôndrias e se transforma em um ser chamado Eve. A partir disso, o jogo investiga o que está acontecendo na cidade, revelando uma espécie de rebelião celular na qual as mitocôndrias decidem tomar o controle e gerar um “Ser Supremo”. A conexão com o livro Parasite Eve acontece quando um cientista japonês, chamado Kunihiko Maeda, explica aos outros personagens a origem de Eve, lembrando de um colega que cultivou as células da esposa após ela se envolver em um acidente de carro. Isso por sua vez situa os eventos do jogo como posteriores aos do romance, ao mesmo tempo em que estabelece uma continuidade temática entre as duas obras. 

2. Personagens principais 

Enquanto o personagem principal do romance de Hideaki Sena é Toshiaki Nagashima, o cientista especializado em biologia molecular, o jogo optou por criar uma protagonista completamente nova. É por isso que na adaptação de videogame de Parasite Eve assumimos o controle de Aya Brea, uma novata no Departamento de Polícia de Nova York que não apenas testemunha o terrível incidente de combustão espontânea, como também descobre que seu corpo demonstra certa resistência ao poder das mitocôndrias. A partir disso, ela embarca em uma luta contra uma conspiração genética de escala devastadora, enfrentando ameaças e mutações pelas ruas de Manhattan. 

Além dos protagonistas diferentes, o livro também mergulha em outros personagens secundários, os quais não aparecem ou são apenas mencionados no jogo, como Kiyomi Nagashima, a esposa de Toshiaki, e Mariko Anzai, uma adolescente que aguarda um transplante de órgãos. 

3. Presença de Eve

Outra grande diferença entre o livro e o jogo de Parasite Eve é justamente a presença de sua grande antagonista, Eve. Na obra literária, Eve surge como um organismo mitocondrial que ganha cada vez mais consciência enquanto cresce em um laboratório. Desta forma, seu desenvolvimento é um processo evolutivo muito mais lento, com a obra focando na descrição de processos científicos, como experiências, observações e debates. Nesse sentido, Eve não surge como uma vilã ativa desde o início do livro. Pelo contrário, ela se mantém relativamente discreta durante grande parte da história, esperando e planejando suas ações antes de finalmente revelar sua presença, algo que ocorre na metade do livro para frente.

Eve

Embora o videogame criado pela Square tenha mantido parte da mitologia e das origens de Eve, ele também optou por concentrar sua história na relação e nos confrontos travados entre ela e a protagonista, Aya. É por isso que no jogo, Eve aparece como uma vilã consciente logo nos cinco minutos iniciais, revelando sua presença durante o incidente de combustão espontânea, no qual toma posse do corpo de Melissa Pearce e o transforma em algo monstruoso. Nesse sentido, o livro de Parasite Eve constrói a antagonista como fruto de um processo científico lento e a representa como uma ameaça evolutiva silenciosa, enquanto o jogo a apresenta em um evento rápido e destrutivo, que dá início à ação da trama e estabelece uma ameaça apocalíptica imediata. 

4. Estilo de narrativa

Entrelaçando ciência e horror biológico, em Parasite Eve, Hideaki Sena cria uma narrativa introspectiva, didática e metódica, focando nos aspectos científicos e dilemas éticos da história. Em grande parte, isso acontece pelo protagonismo de Toshiaki Nagashima, o qual apresenta ao leitor diálogos científicos, detalhes médicos e reflexões internas. Desta forma, Parasite Eve entrega um horror visceral e grotesco permeado por discussões sobre genética, consciência celular, ética científica e biotecnologia. 

Já o jogo, focado em entretenimento e jogabilidade, oferece uma narrativa mais episódica, direta e até mesmo cinematográfica. Concebida enquanto um RPG, esta versão de Parasite Eve foca na ação, estratégia e sobrevivência aos horrores desencadeados pela antagonista. Aqui, o conflito interno de Toshiaki é substituído por um conflito externo, o qual é implementado por meio de um sistema de combate por turnos e de lógica que desafiam o jogador do início ao fim. Nesse sentido, a protagonista personifica um ser ativo e combatente aos moldes de heróis clássicos do mundo do videogame. Ou seja, enquanto o livro cria o horror a partir da ciência e biologia, o jogo envereda pelo caminho de explosões, monstros, armas, sustos e, é claro, muita ação. 

No final das contas, Parasite Eve nos mostra como uma mesma história pode se adequar à diferentes linguagens e formatos midiáticos. Embora livro e jogo apresentem discrepâncias significativas entre si, ambos são unidos pela mesma base conceitual e pelo terrível questionamento: o que faríamos se nossas mitocôndrias tomassem o controle? Por sua vez, isso não apenas torna as duas obras experiências complementares (quase que partes distintas da mesma mitocôndria maligna), como também evidencia a forma pela qual boas ideias simplesmente… evoluem. 

Publicado pela DarkSide® Books, Parasite Eve já está disponível na Loja Oficial Dark e no DarkApp. 

LEIA TAMBÉM: Parasite Eve: saiba tudo sobre a franquia

Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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