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A contribuição de Kay Redfield Jamison sobre transtorno bipolar

TAB: Transtorno Afetivo Bipolar une pesquisa e experiência pessoal da psicóloga

Se hoje em dia podemos conversar sobre doenças mentais com um pouco menos de estigma e um pouco mais de esclarecimento, uma parte disso se deve ao trabalho de profissionais como a psicóloga Dra. Kay Redfield Jamison. A autora de TAB: Transtorno Afetivo Bipolar contribuiu cientificamente e pessoalmente para isso.

O debate sobre saúde mental evoluiu bastante na última década, mas em 1995, quando o livro foi publicado pela primeira vez, a história era bem diferente. Doenças como transtorno bipolar eram incompreendidas e ao mesmo tempo temidas. Saber que alguém era diagnosticado com a doença gerava desconfiança. Saber que um psicólogo tinha o transtorno poderia condenar sua carreira.

Esse foi o dilema enfrentado por Jamison. Além de ter dedicado boa parte de sua trajetória profissional estudando sobre transtornos de humor, ela própria foi diagnosticada com transtorno bipolar depois de adulta. 

LEIA TAMBÉM: LANÇAMENTO: TAB: TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR, DE KAY REDFIELD

Créditos: Tom Traill

Trajetória e diagnóstico de transtorno bipolar

Filha de um militar, Kay Redfield Jamison passou por diversas mudanças de endereço durante a infância e a adolescência por causa da carreira do pai. Ela chegou a morar na Flórida, em Porto Rico, na Califórnia, Tóquio e em Washington. Tanto o pai de Jamison como outros familiares também foram diagnosticados com transtorno bipolar.

Ela se mudou para a Califórnia na adolescência e logo começou a ter problemas por causa do transtorno. Quando chegou a época de ir para a faculdade, seu primeiro interesse era cursar Medicina. Porém, seus episódios de mania se tornaram cada vez mais frequentes e ela percebeu que isso interferia na disciplina necessária para aquele curso.

Foi assim que se encontrou na Psicologia, um ramo altamente investido em transtornos de humor. Apesar de estar estudando nesta área, Jamison não percebeu que tinha transtorno bipolar até começar a lecionar no Departamento de Psicologia da UCLA (Universidade da Califórnia, Los Angeles), em 1974. O diagnóstico partiu de um colega que ela namorava naquela época. 

Assim que soube de sua condição, começou a se medicar com lítio, o remédio que era mais utilizado naquela época para conter variações de humor. Porém, diversas vezes ela recusou o medicamento porque ele afetava suas habilidades motoras e até mesmo a criatividade e as funções cognitivas. Após um grave episódio de depressão, ela decidiu retomar o tratamento.

Estudos sobre transtornos de humor

O diagnóstico de uma doença maníaca-depressiva, como costumava ser chamada, foi uma motivação extra para se especializar nesta área. Doutora desde 1975, ela permanece membro da UCLA e fundou a Affective Disorders Clinic, uma instituição dedicada a pesquisar e atender pacientes em tratamento.

Depois de muitos anos lecionando na universidade, Jamison foi convidada a ser professora de Psiquiatria no curso de Medicina da Universidade de Johns Hopkins. Além disso, ministra aulas e palestras em universidades e instituições de todo o mundo, como Harvard e Oxford.

Em 1990, ela publicou seu primeiro livro sobre doenças maníacas-depressivas em parceria com o psiquiatra Frederick K. Goodwin. A obra se tornou um clássico para o estudo de transtorno bipolar e recebeu diversos reconhecimentos do meio acadêmico e da indústria farmacêutica.

Outras publicações da doutora abordam depressão, suicídio, relações pessoais próprior e mais conteúdo sobre transtorno bipolar. Porém, a obra que se tornou definitiva na carreira de Jamison foi TAB: Transtorno Afetivo Bipolar

A publicação do livro e a verdade sobre o quadro clínico da autora

Apesar de ter sido diagnosticada no início da carreira, poucas pessoas sabiam que Kay tinha transtorno bipolar. Nem seus pacientes e nem seus colegas de trabalho faziam ideia desta condição, mas para ela já era hora de revelar a verdade.

O problema é que em 1995 pouquíssimas pessoas falavam abertamente sobre o tema, e muito menos pessoas conhecidas divulgavam esta condição para o público. Para Jamison a questão era até um pouco mais delicada, justamente por ela ser uma psicóloga.

Antes da publicação, ela já tinha feito as pazes com o fato de que a publicação do livro poderia custar sua carreira, principalmente no seu trabalho como psicóloga clínica – além de pesquisadora e professora universitária ela atendia pacientes em seu consultório. Mesmo ciente disso, sabia que era hora de se manifestar a respeito daquele silêncio que considerava sufocante.

Como o tom do livro é absolutamente pessoal, o silêncio logo se cessaria. TAB: Transtorno Afetivo Bipolar detalha a experiência da autora em conviver com o transtorno, desde a infância até a publicação da obra. Narrado em primeira pessoa, o livro mostra os efeitos da doença maníaca-depressiva em relações familiares, românticas, profissionais e em tantos outros aspectos da vida.

A publicação do livro chocou colegas e pacientes – um deles até chegou a dizer para Jamison “mas você parece tão normal”. Seu jardineiro disse que se soubesse desta condição teria utilizado flores com cores mais suaves em seu jardim.

Apesar das reações distintas num primeiro momento, revelar seu diagnóstico de transtorno bipolar trouxe muito mais respeito para a psicóloga. Afinal, ela já havia passado os últimos vinte anos de sua vida não apenas pesquisando sobre a doença, mas convivendo com ela.

Entre seus pares, Kay Redfield Jamison é reconhecida como uma pessoa à frente do seu tempo. Sua coragem abriu as portas para que mais pessoas falassem a respeito, entendessem a condição e reduzissem o estigma em torno dele.

Em sua obra, a psicóloga explora a relação entre bipolaridade e criatividade, demonstrando que pode sim existir uma correlação entre sucesso nos negócios e transtornos de humor. Ela ainda demonstrou sua pesquisa que aponta a relação interligada entre “normal” e “anormal”, que não são tão fáceis de separar. Além disso, defende o uso de psicoterapia combinada com o uso de remédios no tratamento de transtornos de humor. 

Além de trazer achados científicos que ampliam o conhecimento do público sobre o transtorno bipolar, a contribuição de Jamison toca em aspectos muito mais humanos: reduzindo o estigma sobre doenças mentais e abrindo o diálogo sem preconceitos sobre o que se passa dentro de nossas cabeças.

LEIA TAMBÉM: SOMOS O QUE VOCÊS SONHAM

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