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Como se manter inabalável no mundo em que vivemos?

O que o estoicismo tem a nos ensinar sobre viver em meio ao caos

Aquecimento global, pandemia, inflação, violência urbana, instabilidade econômica, boletos para pagar… Viver nos tempos atuais é lidar constantemente com ameaças e frustrações, sejam elas presentes ou futuras. Como pensadores que viveram há mais de dois mil anos poderiam ter respostas para os nossos dilemas da vida moderna?

Mesmo sem saber o que seria do mundo no século XXI, o estoicismo já trazia muitas reflexões e uma forma de pensar que conseguiu atravessar milênios e se mostrar absolutamente aplicável aos dias de hoje. Um resumo bem prático desta escola filosófica pode ser conhecido no livro O Pequeno Manual Prático do Estoicismo, de Jonas Salzberger.

Longe dos livros da disciplina de Filosofia dos tempos de escola, a obra mistura história e aplicações práticas do estoicismo no nosso dia a dia. Com metáforas que facilitam a compreensão, Jonas Salzberger abre as portas para viver de acordo com o que defendem os pensadores estoicos como Epiteto, Marco Aurélio, Sêneca e Musônio Rufo

O autor ainda traz uma lista de exercícios práticos que podem ser aplicados no dia a dia. Através de reflexões simples, é possível buscar ver as coisas sob outra ótica e se relacionar melhor com o mundo, por mais imprevisível e ameaçador que ele possa ser.

Resumimos a seguir algumas das ideias centrais do estoicismo que podem ajudar a navegar em meio aos tempos turbulentos em que vivemos.

LEIA TAMBÉM: LANÇAMENTO: O PEQUENO MANUAL ESTOICO, DE JONAS SALZGEBER

1. Concentre-se no agora

Pense rápido: você pode mudar algum evento que já ocorreu? Ou quem sabe efetivamente mudar o futuro? Se você respondeu que não, já entende alguma coisa de estoicismo. De acordo com esta escola de pensamento, é improdutivo perder tempo pensando no passado e no futuro pois não temos qualquer controle sobre eles. Esta prática se mostra irracional, viciosa e coloca o ser humano no caminho da infelicidade.

Para os estoicos, pensar demais no passado ou no futuro nos distrai do tempo que realmente possuímos: o presente. No hoje não há arrependimentos ou incertezas porque ele está acontecendo agora. E, mesmo que não possamos interferir completamente no cenário atual, podemos controlar nossas emoções em relação a ele

2. Entenda o que você pode controlar e o que não pode

Mesmo quando nos concentramos apenas no presente, a realidade pode ser capaz de abalar a serenidade humana. Afinal, muitos dos problemas que citamos na abertura do texto estão acontecendo agora mesmo. Diante disso, os estoicos propõem uma outra reflexão: o que você pode controlar e o que você não pode controlar?

De acordo com o estoicismo, o que perturba o ser humano é se preocupar demais com aquilo que não pode controlar. Se algo está lhe incomodando, pense: eu posso fazer algo para mudar esta situação? Caso a resposta seja sim, vá lá e mude o que lhe incomoda. Se a resposta for não, então qual o propósito de se preocupar?

Um exemplo bem prático é a própria situação da pandemia que se arrasta há mais de um ano em todo o mundo. Que controle você tem sobre ela? Você não pode inventar uma cura ou evitar que as pessoas se contaminem, pois isso foge ao seu controle. O que está ao seu controle é lavar as mãos, usar máscara, evitar aglomerações e se vacinar assim que for possível. Concentre-se nesta parte e você pelo menos terá a paz de espírito de alguém que está buscando ser parte da solução e não do problema.

3. Saiba identificar suas emoções de maneira apropriada

O Grito – Créditos: Edvard Munch

Uma crítica muito comum aos pensadores estoicos defende que eles são insensíveis, completamente desprovidos de emoções. Isso não é verdade, apesar de fazer sentido nas análises mais superficiais.

Os estoicos não negam os seus sentimentos. Muito pelo contrário, eles pensam cuidadosamente em cada um deles, buscando compreendê-los melhor e entender como eles podem ser improdutivos diante das situações. A apatia estoica não consiste em não sentir nada, mas em reconhecer que aquela emoção não ajudará em nada a mudar a situação e, portanto, dar menos atenção a ela.

4. Imagine o pior cenário possível

O estoicismo também se baseia em pequenas doses de pessimismo. Mas não do tipo improdutivo e desesperador, e sim aquele de se preparar para o pior. Além de evitar decepções, a lógica de desenhar o pior cenário possível para uma situação muda a perspectiva do problema, mostrando que, por mais que o pior aconteça, ainda não é o fim do mundo.

Além disso, imaginar o pior cenário possível também permite que a pessoa se prepare para isso. Ou seja, você pega uma situação que não pode controlar (o pior cenário possível) e estuda o que pode fazer a respeito. No fim das contas, o desfecho tende a ser mais brando justamente por este preparo.

LEIA TAMBÉM: ESTOICISMO E A SERENIDADE PARA VIVER MELHOR

5. Entenda a imprevisibilidade do mundo

A persistência da memória – Créditos: Salvador Dalí

Quase como uma continuação do item anterior, entender que o mundo é um lugar caótico e imprevisível também faz parte do pensamento estoico. Além de permitir que a pessoa sempre se prepare para o pior, entender esta aleatoriedade do universo significa aceitá-lo e viver em consonância com ele.

Pessoas que não compreendem esta característica imprevisível tendem a procurar culpados para tudo o que acontece, o que na maioria das vezes também se mostra algo improdutivo. Aqueles que só enxergam a culpa nos outros ainda não compreenderam isso. Quem busca a culpa em si está no caminho. A pessoa que entende que simplesmente não é culpa de ninguém já está pensando de forma estoica.

6. Razão acima de tudo

Razão e emoção não andam em caminhos completamente separados, como muitos tendem a afirmar. Mas racionalizar as emoções é uma maneira de tentar enxergar as coisas como elas realmente são, despidas da ótica individual que carrega uma bagagem de crenças, dogmas e preconceitos.

Um exercício simples é tentar entender exatamente os fatos pelo que eles são, sem atribuir emoções a eles. Por exemplo: você não está tendo o pior dia de todos, apenas chegou tarde a um compromisso. 

7. A vida não é um presente ou uma maldição, é uma oportunidade

Nem mesmo a iminência da morte é capaz de abalar um estoico. Ao definir o pior cenário possível como “você pode morrer” um estoico poderia questionar “o que há de pior nisso?”. Isso porque, para o estoicismo, a vida não é uma dádiva, algo necessariamente bom, o que também não torna a morte algo necessariamente ruim.

Para eles, a vida é uma oportunidade. O que realmente conta é o que cada um faz dela. Pessoas podem ter vidas boas ou ruins de acordo como as conduzem. Assim como saúde, riqueza e reputação, a vida também é algo sobre o qual não temos completo controle, são apenas vantagens. Cabe a cada um aproveitá-la ou desperdiçá-la.

E você? Como tem conduzido a sua vida? Para os estoicos, levar a vida com razão e virtude é o caminho natural para a felicidade e para não se abalar com as turbulências do mundo.

LEIA TAMBÉM: SOMOS O QUE VOCÊS SONHAM

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