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Estoicismo e a serenidade para viver melhor

Livro Ser Estoico resume as principais lições para se tornar inabalável

O que você considera “viver bem”? Amor, saúde, amigos e estabilidade financeira são algumas das respostas mais comuns. Resumidamente, as pessoas associam uma boa vida à felicidade. Mas aí entramos em outra questão que poucos saberiam definir: o que torna alguém feliz?

Em busca de respostas para os nossos dilemas mais humanos, filósofos de todas as vertentes tentaram definir a felicidade, a virtude e o que seria uma vida plena. Uma delas foi o estoicismo, que tem suas principais lições resumidas no livro Ser Estoico, de Ward Farnsworth.

Ao longo de doze lições, o autor apresenta a essência do estoicismo, que defende a virtude como um meio para a felicidade. Uma ideia fundamental desta escola filosófica é que o ser humano atravessa sua vida apenas reagindo a eventos. Mas até isso seria uma ilusão: as pessoas reagem aos próprios julgamentos e opiniões, e não aos eventos em si. Os estoicos buscam ser mais conscientes em relação a estes julgamentos, encontrar a irracionalidade neles e escolhê-los com mais cautela.

LEIA TAMBÉM: LANÇAMENTO: SER ESTOICO: ETERNO APRENDIZ, DE WARD FARNSWORTH

Mas isso é apenas uma forma de enxergar o estoicismo. De maneira geral, esta forma de pensar é entendida como despida de emoções, em que a razão prevalece. Ao pensar desta maneira, o ser humano se torna menos suscetível às emoções e, consequentemente, menos propenso a se abalar com os infortúnios e tragédias que ocorrem ao seu redor. Mas seria esse o caminho para a felicidade?

A felicidade estoica não está lá fora

O estoicismo defende que a capacidade de raciocinar é o que separa os humanos dos animais e, portanto, a razão seria o verdadeiro propósito das pessoas. Alguém que é guiado pela razão e a utiliza para servir aos outros está no caminho para uma vida virtuosa. Para os estoicos, este é o caminho certo e natural de se viver.

Você provavelmente já ouviu que a felicidade é uma borboleta que você tenta capturar e não consegue, mas quando se volta para outras coisas ela pousa suavemente no seu ombro. No caso do estoicismo, estas “outras coisas” poderiam ser interpretadas como a própria razão, que levaria a uma vida virtuosa e, consequentemente, à borboleta da felicidade que vem pousar no nosso ombro. 

Créditos: Sari ONeal/Shutterstock

Seguindo por esta metáfora, a perseguição à borboleta seria o tempo perdido pelos humanos em se concentrar naquilo que não podem controlar. Há uma certa megalomania da nossa espécie em acreditar que pode mudar o mundo ao seu redor, mas sob a lente do estoicismo é justamente isso o que nos torna seres inquietos, insatisfeitos e, portanto, infelizes.

Em outras palavras: nós frequentemente desejamos aquilo que não podemos ter. A partir do momento em que possuímos aquilo que almejamos, a busca se revela mais prazerosa do que a posse em si. Quando conseguimos aquilo que tanto queríamos, acabamos nos acostumando, o que leva à indiferença e ao descontentamento. 

Em vez de nos contentar com a conquista, queremos repetir a sensação da busca, o que nos leva a querer sempre mais. Daqui a pouco não é apenas a borboleta que o faz feliz, mas duas borboletas, três borboletas, uma abelha, uma mariposa e uma libélula também. A busca nunca acaba porque acabamos dando mais importância a coisas que não valem tanto assim.

Ser estoico é justamente ter consciência destes pensamentos, diferenciando o mundo exterior (incontrolável) do interior (pensamentos e julgamentos que podemos controlar). Ao nos concentrarmos no interior, obviamente não controlamos o que acontece ao nosso redor, mas controlamos como reagimos em relação a estes eventos, e, guiados pela razão, acabamos nos tornando menos suscetíveis a frustrações, virando seres praticamente inabaláveis.

Neste sentido, um dos principais objetivos do estoicismo é fazer da razão a base de nossas escolhas, ações e senso de equilíbrio, ao mesmo tempo em que nos distanciamos dos fatores externos. Ou seja, não mudamos o mundo em si, mas mudamos a forma com que o enxergamos.

LEIA TAMBÉM: LANÇAMENTO: O PEQUENO MANUAL ESTOICO, DE JONAS SALZGEBER

Mantendo-se imparcial diante do determinismo

O pensamento determinista diz, de uma forma bem resumida, que as coisas são como elas são e não há nada que possamos fazer para mudá-las. O estoicismo concorda com isso e busca justamente a adaptação humana a esta realidade. Não se trata de apenas se conformar, mas de se desprender das frustrações que isso pode causar.

Focado no desenvolvimento do autocontrole e da firmeza como um meio de superar emoções destrutivas, os estoicos defendem que, ao se tornar um pensador claro e imparcial, é possível compreender a razão universal, a lógica do mundo. Ou seja, a virtude estaria de acordo com a natureza, e não apesar dela

Ao estar em sintonia com a ordem natural das coisas, as pessoas são capazes de se livrar de paixões movidas pelo mundo externo, como ambição, desejo, inveja e medo. Os estoicos acreditam que boa parte da infelicidade humana se concentra na forma com que nos relacionamos aos nossos desejos e medos em relação ao futuro e aos prazeres e dores do presente.

Exemplos práticos destas frustrações são a ambição, citada acima com a metáfora da borboleta, a comparação com nossos pares, que leva à inveja, e o medo em relação ao futuro. Os estoicos também acreditam que superestimamos a opinião dos outros e nos supervalorizamos, muitas vezes enxergando falhas nos outros que não percebemos em nós próprios.

E é justamente por isso que esta escola é pautada por ver as coisas sob outro ponto de vista: mais distante, imparcial e guiado pela razão. Ao deixar nossas emoções, opiniões e julgamentos de lado, conseguimos ver o mundo como ele realmente é, aceitá-lo e viver em paz com isso. 

Como domar os próprios desejos

Falar que devemos simplesmente nos despir de nossas emoções e ver o mundo com racionalidade é muito fácil, mas colocar isso em prática está longe de ser uma tarefa simples. Uma das estratégias defendidas pelos estoicos envolve mudar a própria perspectiva para se distanciar dos fatores externos. Apesar de existirem comparações improdutivas, algumas delas podem nos auxiliar a ver o mundo com mais racionalidade:

– Comparações com pessoas e situações do passado;
– Comparações com quem já passou pela mesma situação;
– Comparações com pessoas que estão em uma situação pior que a sua;
– Considerar como alguns bens que possuímos se tornariam desejáveis se não os tivéssemos;
– Ao nos compararmos aos outros, considerar se estaríamos dispostos aos mesmos sacrifícios para conseguir o que eles têm.

Para os estoicos, a moderação também é uma forma de aproveitar algo sem as consequências provenientes do excesso. Ao se destacar do mundo externo, acabamos aprendendo a ser felizes vivendo com menos.

Por fim, o estoicismo defende que subestimamos o presente e o tempo como um todo por nos concentrarmos demais no passado e no futuro. E quando esse futuro chega, acabamos o subestimando de novo. O passado e o futuro são incontroláveis e o presente é o único tempo em que a vida realmente acontece

Retornando pela última vez à metáfora da borboleta, para os estoicos a felicidade não está nem em persegui-la e nem em quando ela pousa no seu ombro. A grande sacada é, com uso da razão e de certa dose de apatia, simplesmente ignorar a borboleta por entender que a felicidade não vem dela

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