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“Eu, Sarah M. Broom, sou uma casa mal-assombrada”

Conheça a escritora que transformou suas memórias no livro A Casa Amarela

Ela até pode ter feito do Harlem, em Nova York, sua casa atual, mas Sarah M. Broom se sente muito mais ligada às suas origens em Nova Orleans, do sulista estado da Louisiana. A história de aproximadamente um século de sua família, de sua infância e do fim daquela vida, marcado pelo furacão Katrina, está em A Casa Amarela.

Mais do que um livro de memórias, a obra tem muito a dizer sobre o que é ser negro e viver à margem da sociedade nos Estados Unidos. Pode ser uma história pessoal, mas que encontra eco em vozes muitas vezes omitidas de milhares de afroamericanos.

Essa é a vida que foi dada a Sarah, a mais nova de uma família de doze filhos. Ela cresceu em Nova Orleans Leste, uma área negligenciada na cidade mais populosas da Louisiana. Mesmo com as limitações impostas pela sua cor e pela pobreza que cercou sua infância, ela encontrou na leitura e na escrita não apenas uma fuga, mas uma vocação.

LEIA TAMBÉM: LANÇAMENTO: A CASA AMARELA, DE SARAH M. BROOM

Sarah M Broom- Créditos: Hal Williamson

Em uma família tão grande, os livros se tornaram um escape para a pequena Sarah. O hábito foi influenciado pela mãe da escritora, conforme ela declarou em uma entrevista ao jornal inglês The Guardian: “Eu lembro que tínhamos a feira de livros da Scholastic na escola todos os anos e eu recebia aquele panfletinho com nomes e descrições de livros infantis. Eu corria para casa, empolgada, e nós passávamos a lista inteira para escolher os poucos livros que eu poderia pegar. Era o meu Natal.”

Formada na faculdade de Antropologia e Comunicação de Massa no Texas, Sarah M. Broom concluiu seu master em Jornalismo na Califórnia. Ela começou sua carreira como repórter de jornais em Rhode Island, Dallas, Nova Orleans e em Hong Kong (para a edição da revista Time da Ásia). 

Ao longo de sua carreira no jornalismo, publicou reportagens na revista New Yorker, na New York Times Magazine e trabalhou por muitos anos como editora da O, The Oprah Magazine. As crônicas de A Casa Amarela começaram como uma reportagem publicada em 2015 pela New Yorker, uma das revistas mais conhecidas do mundo com publicações de jornalismo literário. 

Em 2016 ela conseguiu os fundos para levar o material adiante e transformá-lo em um livro, que teve sua primeira publicação em 2019. A Casa Amarela  recebeu o National Book Award for Nonfiction, um dos principais reconhecimentos do meio para obras de não ficção.

Além de jornalista e escritora, Sarah M. Broom leciona aulas na Universidade de Columbia na disciplina de escrita criativa para obras de não ficção. Uma trajetória que serve de inspiração para as crianças que crescem em Nova Orleans Leste.

Uma visita à Casa Amarela da infância da autora

De forma bem resumida, pode-se dizer que A Casa Amarela é simplesmente um livro de memórias da família de Sarah M. Broom. Mas basta avançar um pouco em suas páginas para descobrir que é também uma história sobre pertencimento, raça, resgate histórico e sobre o seu verdadeiro lar, a sua verdadeira origem. 

Colocar tudo isso no papel, com tantas camadas pessoais e sociais, não foi uma tarefa fácil para a escritora. Mas a partir do momento em que ela definiu a estrutura do livro, as palavras fluíram com mais facilidade. Antes disso, ela se sentia assombrada desde o momento em que trocou Nova Orleans por Nova York e pela casa em si. “Na verdade, a primeira frase que eu escrevi em um caderno foi: ‘Eu, Sarah M. Broom, sou uma casa mal-assombrada’.”

Com isso, a escritora se propôs a descobrir o que havia naquela casa que a perturbava tanto. Ela pensou em como aquele lugar moldou a pessoa que ela se tornou. A própria estrutura física da casa se tornou uma obsessão para Sarah, além do significado que a construção tinha para sua mãe, que comprou ou imóvel em 1961, quando tinha apenas 19 anos. 

A mãe de Sarah, Ivory Mae, é outra forte presença no livro e que diz muito sobre os valores com os quais a jornalista conviveu junto de seus onze irmãos. Apesar de ter ensinado aos filhos que a essência vale mais do que qualquer outra coisa, Ivory se mostrava obcecada pela aparência de tudo. “Ela acreditava que se a casa estivesse caindo aos pedaços, ela também estava.” 

A casa amarela da família de Sarah M. Broom estava longe de ser sediada em uma área considerada ideal. Nova Orleans Leste é uma área ameaçadora pelos mais diferentes motivos: pobreza, violência, exclusão da parte mais próspera da cidade, a toxicidade do solo e a iminente ameaça por toda a água que rodeia a região

Morar em um lugar assim evidencia as limitações de escolha que pessoas negras têm nos Estados Unidos, o que torna A Casa Amarela um retrato tão abrangente não apenas de Nova Orleans, mas do país inteiro. “Se você é negro e pobre nos Estados Unidos, ninguém presta atenção no seu bairro, como é a aparência das suas ruas, se há um lixão do outro lado da rua, ou uma rodovia de quatro pistas lhe separando do resto do mundo”, descreve a autora.

Para tornar este cenário ainda mais devastador, Nova Orleans Leste foi destruída em 2005 pelo furacão Katrina, levando consigo a casa amarela da família de Sarah e tantas outras. Para a autora, esta era uma tragédia anunciada, visto que os moradores locais eram conscientes quanto à ameaça da água que os cercava, com rios, lagos e canais assustadoramente próximos. “Você prestava atenção na terra sob seus pés porque sabia que um dia eles afundariam nela.”

Uma escrita que preenche lacunas em mapas

Em seu site oficial, Sarah M. Broom define que sua escrita serve para dar voz àqueles que não são ouvidos, para colocar no mapa aqueles bairros, ruas e cidades que as pessoas consideram coadjuvantes demais, mas que são, na verdade, protagonistas. 

Sarah M Broom – Créditos: Adam Shemper

“A minha atenção se volta àqueles locais que os cartógrafos frequentemente consideram ‘muito recentes para a história.’ Eu escrevo nestas grutas, desenterrando e descobrindo detalhes cativantes que, juntos, contam a história de pessoas e lugares.”

LEIA TAMBÉM: SOMOS O QUE VOCÊS SONHAM

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