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In the Mouth of Madness: um culto aos devotos do terror

Uma verdadeira espiral da loucura

29/08/2025

Todos nós sabemos, ou pelo menos desconfiamos, que não só de ilustres filmes desconhecidos vive o mundo do VHS. Algumas vezes, mesmo no horror, esbarramos em filmes que, pelos mais diversos motivos, encontraram um lugar no topo da estante de uma legião de cinéfilos. O filme de hoje tem uma série de razões para ter se tornado um clássico cult absoluto.

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In the Mouth of Madness, honrosamente batizado no Brasil de À Beira da Loucura, chegou ao mundo nos estranhos anos de 1994, pelas mãos proféticas do nosso mestre supremo do “horror western”, John Carpenter. Mas calma: não estamos dizendo que Carpenter fez um bangue-bangue com criaturas do espaço sideral — embora todos os seus filmes possam resvalar em premissas tão inesperadas e inconvencionais quanto essa (o que constitui apenas mais uma amostra da inesgotável genialidade desse mestre). Cabe dizer também que esse filme é a terceira parte de uma espécie de “Trilogia do Apocalipse de Carpenter”, tendo como seus antecessores The Thing (1982) e Prince of Darkness (1987). Agora sim, feitas as apresentações, estamos todos prontos para enlouquecer.

Carpenter

Como essa é uma produção dirigida por Carpenter, já começamos com uma baita trilha sonora, enquanto observamos o frenesi das esteiras de impressão produzindo um livro chamado Hobb’s End — que na contracapa, anuncia a chegada de um novo título homônimo ao filme. Na sequência, visitamos uma instituição para tratamento de distúrbios mentais, que no mundo antigo era conhecida como manicômio ou hospício. É nesse lugar que o nosso protagonista, o investigador de seguros John Trent (interpretado pelo icônico Sam Neill), já veste uma camisa de força e é conduzido pelos enfermeiros até seu quarto acolchoado. Como todo louco de boa conduta, John Trent grita que não está louco. Mas o fato é que ele tem visões e presságios, coisas terríveis. Ainda nesse início, John recebe a visita de um psiquiatra, doutor Wrenn, e começa a contar ao médico sua história, que esbarra no desaparecimento de um escritor chamado Sutter Cane.

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Na vida pregressa narrada por John Trent, acompanhamos parte do seu dia a dia e um homem tentando matá-lo com um machado. Para a sorte de Trent, o agressor é alvejado pela polícia segundos antes do machado descer, mas não antes de o homem perguntar: “Você lê Sutter Cane?”. E, se isso pareceu estranho, logo descobriremos que o homem com o machado era o agente literário do escritor de horror best-seller Sutter Cane, e que John Trent logo estará encarregado de investigar o desaparecimento desse autor. Depois de uma reunião na Arena, agência editorial de Sutter Cane, nosso herói conhece a editora de Sutter e, depois de alguma rispidez mútua, ele dá uma chavecada na moça e descobre que o escritor desaparecido estava cada vez mais estranho, aparentemente perdendo o juízo, assim como alguns de seus leitores.

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Decidido a ir cada vez mais fundo no caso, Trent começa a ler os livros e descobre que existe alguma coisa na literatura de Sutter Cane que o acessa, que o afeta de certa forma. E também nos afeta. Nas mãos de John Carpenter, a paranoia que atinge os personagens cresce e se transmuta em credibilidade e, sem percebermos, somos irreversivelmente arrastados para o interior do filme.

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Os elementos gore não tardam a aparecer e, caso você tenha algum problema com esse grande artifício do terror, é melhor ir com calma em algumas cenas. Para o resto de nós, o gore é um verdadeiro deleite.

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Cada vez mais imerso nos livros de Cane, Trent percebe que as capas estão, de alguma forma, interligadas e que formam uma região inexistente nos dias atuais, sobreposta ao mapa real do mundo, na região de Hobb’s End, na Nova Inglaterra. O lugar fica em New Hampshire. Com as pistas em mãos, John Trent se convence de que o desaparecimento de Sutter Cane é um golpe publicitário e que o autor está escondido nessa mesma área de New Hampshire. Ele parte para Hobb’s End acompanhado da editora de Cane, Linda Styles.

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As coisas começam a ficar mais e mais estranhas ainda na estrada, e Linda acaba atropelando uma pessoa: um homem bastante velho de bicicleta. Claro que não é nada tão simples, mas você precisa ver essa parte e o resto da viagem até Hobb’s End, então não entraremos em detalhes.

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Na cidade, tudo continua estranho. Hobb’s End parece estar completamente desabitada, mas também existe a impressão de que ela estivera funcional há pouco e que as pessoas simplesmente se foram, todas ao mesmo tempo.

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Trent e Styles entram em um hotel e, mesmo que à primeira vista estivesse vazio, uma mulher idosa, provavelmente a dona do hotel, aparece para fazer as reservas. Ela alega nunca ter ouvido o nome de Sutter Cane, mas parece guardar um segredo , ou vários. De toda forma, eles se hospedam, e Styles confessa parte das visões que está experimentando e levanta a possibilidade de que parte do trabalho de Sutter Cane não seja mera ficção. Naturalmente, Trent dá pouca credibilidade a ela.

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Por mais estranho que pareça, Styles nota que tudo o que existe na cidade também existe nos livros de Sutter Cane. Construções, mitologias, ataques de grupos justiceiros, e mesmo o cético John Trent se mostra incapaz de negar o que vê e experimenta em Hobb’s End. Depois de mais acontecimentos inexplicáveis e aterrorizantes, Styles confessa que as peças que estão faltando daquela realidade estavam no último livro de Cane, que o autor de horror nunca chegou a publicar.

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Bebendo de elementos lovecraftianos e comungando com a influência midiática de Stephen King, In the Mouth of Madness é mais uma prova cabal da envergadura de John Carpenter, que foi capaz de compor uma metaficção convincente e ainda promover um grande filme de horror, apto a unir seu próprio mundo com as mentes criativas desses dois pilares do horror. O filme ainda possui momentos que poderiam ter saído da mente de Dario Argento, então fique atento a tudo o que aparece na tela.

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Linda Styles consegue localizar Sutter Cane: ele está na igreja profana de Hobb’s End, uma catedral antiga e corrompida, dedicada aos deuses ancestrais do abismo. Cane confessa a ela que sua ficção não é exatamente deslocada da realidade, mas uma possibilidade de existência, e de “final de existência”, bastante real.

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Infelizmente, não podemos ir além sem dar muitos spoilers, mas esse é um dos filmes mais fiéis ao universo lovecraftiano que você irá encontrar. E ele também é aterrorizante, profano, e serviu de inspiração a um sem-número de filmes que, discretamente ou descaradamente, beberam da mesma fonte. Indispensável a qualquer fã de terror, de H. P. Lovecraft ou de Stephen King, In the Mouth of Madness é uma verdadeira espiral da loucura e um dos filmes mais perturbadores de John Carpenter. Também cabe dizer que esse filme envelheceu muito bem, com efeitos práticos marcantes, um gore violento e uma trama justa e bem conduzida, que insere o espectador no universo criado e não o deixa sair mais.

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Se você é um desses cinéfilos que gosta de mergulhar no abismo de produções como The Void, alguns momentos mais pungentes de Stranger Things ou em histórias como The Mist e Crouch End, de Stephen King, será uma viagem sem volta. Dito isso: siga por sua conta e risco.

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Sobre Cesar Bravo

amplificador cesar bravoCesar Bravo é escritor, criador de conteúdo e editor. Pela DarkSide® Books, publicou Ultra Carnem, VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue, DVD: Devoção Verdadeira a D., 1618 e Amplificador.

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