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Isso também vai passar: A jornada do luto tem fim

Luto sem Medo relata a história de uma família após a perda da mãe

Por mais que se repita que “a única certeza da vida é a morte”, de alguma forma nunca parecemos completamente preparados para ela. Em Luto sem Medo, Max Porter promove uma reflexão sobre os ciclos da vida e seus inevitáveis fins.

Unindo prosa, poesia e fábula, o autor conta o processo de uma família ao lidar com o luto da morte da mãe. Entre a dor e a incerteza, pai e filhos se deparam com um pássaro esperto e malandro que aparece em sua janela. De certa forma, o bichinho se torna terapêutico para aqueles que ficaram.

Aceitar o luto não significa, porém, que de repente tudo ficou bem. Você simplesmente aprende a seguir em frente, que aquela perda não significou o fim do mundo (apesar de dar esta impressão num primeiro momento), mas é capaz de continuar a vida sabendo que as coisas nunca mais serão como antes. Afinal, assim como a vida, o luto é também transitório.

Nossa tímida relação com a morte

Por mais que a consciência da própria mortalidade seja um dos atributos que nos diferencia dos outros animais, ainda temos resistência para falar sobre o tema. É uma espécie de tabu coletivo, pelo menos na maioria das culturas ocidentais. 

A agente funerária e escritora Caitlin Doughty é uma das principais defensoras de conversas mais educativas sobre a morte. Além de ter trabalhado por anos em funerárias, ela pesquisou sobre rituais fúnebres ao redor do mundo e responde às mais estranhas perguntas em seu canal no YouTube Ask a Mortician.

O trabalho de Caitlin sobre a morte pode ser encontrado nos livros Confissões do Crematório, Para toda a Eternidade e Verdades do Além-Túmulo, publicados no Brasil pela DarkSide® Books. Neste último título, ela responde a perguntas de crianças sobre a morte.

Para Caitlin Doughty, é justamente todo esse tabu que cerca a morte que dificulta a nossa relação com ela. O problema é que conforme as pessoas crescem entendem que este é um assunto mórbido ou estranho, e não o aceitam como algo natural: “As pessoas crescem com medo e criticam o interesse dos outros por este assunto, em vez de confrontarem a morte por conta própria.”

LEIA TAMBÉM: CAITLIN DOUGHTY: “MORTE É CIÊNCIA E HISTÓRIA, ARTE E LITERATURA”

A Burial at Ornans – Créditos: Gustave Courbet

Além dos livros e do canal, Doughty fundou em 2011 a Ordem da Boa Morte, um coletivo sobre a aceitação da morte. O objetivo é orientar pessoas a lidarem melhor com o luto e com este tema.

Os diferentes lutos que sentimos ao longo da vida

Além do nosso “analfabetismo com a morte”, também temos dificuldade em compreender as nossas emoções. Por isso, muitas pessoas diante da perda de um ente querido acham que precisam reprimir suas emoções, quando na verdade nem se permitem entender o que estão sentindo. É uma espécie de negação do luto em si.

Da mesma forma, cada pessoa enfrenta o luto de maneira diferente. Há quem chore, quem se feche, quem se mantenha ocupado além do normal para se distrair. Não existe uma etiqueta do luto, uma expectativa de como ele deve aparentar. O importante é aceitar e compreender estes sentimentos.

Outro conceito equivocado é o de que luto está relacionado exclusivamente à morte. Passamos por ele em muitos mais momentos do que compreendemos ou gostamos de admitir. Alguém pode sentir luto diante do fim de um relacionamento, uma mudança, a saída de um emprego, um diagnóstico e até mesmo uma pandemia.

Resumidamente, o luto é a nossa forma de lidar com perdas, com o encerramento de ciclos, com aquela mudança substancial. É um sofrimento extremo que pode estar relacionado a qualquer uma destas situações, não apenas à morte.

Aliás, até mesmo o nosso luto diante da morte de alguém não é exclusivo sobre a ausência da pessoa. Há muitos outros lutos que acompanham a perda: a mudança de uma rotina, de algum padrão de vida, da companhia no fim de semana. Nunca é apenas sobre quem se foi, mas sobre o que se foi junto com esse alguém.

Uma obra que retrata isso em diferentes aspectos é o livro O Jardim Secreto, de Frances Hodgson Burnett. A pequena Mary Lennox não precisa apenas lidar com a morte dos pais, ela se muda para um outro país, um outro clima, para o convívio com outras pessoas. O luto é por toda uma vida da forma que ela conhecia. Uma mudança que ela não está disposta a abraçar.

Neste novo lugar, mesmo sem perceber, ela lida com outros lutos, como o do tio, que perdeu a esposa e trancou um jardim por causa disso, e o do primo, que vivia privado de qualquer convívio social – em boa parte por causa do receio do pai. Cada personagem lida com o luto à sua maneira, mas com jornadas que levam à ressignificação de suas vidas e à aceitação.

Depressão e os estágios do luto

At Eternity’s Gate – Créditos: Vincent Van Gogh

Mas há algo de acalentador em relação ao luto: ele passa. O que também não significa que será um processo rápido e muito menos fácil. Cada pessoa lida de uma forma diferente e tem seu tempo para aprender a conviver com isso. É até mais justo dizer que não superamos a perda, apenas aprendemos a conviver com ela.

Neste túnel de sentimentos no qual não conseguimos enxergar o fim, há alguns estágios que podem ser identificados. Eles foram definidos pela psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross em seu livro Sobre a morte e morrer, publicado em 1969.

É importante frisar que eles podem não se manifestar exatamente nesta forma e também não representam uma jornada linear, podendo ir e voltar a diferentes estágios ou até mesmo manifestar mais de um ao mesmo tempo. Os cinco estágios do luto são:

Negação: quando a pessoa ainda não assimilou completamente a perda. O mundo parece perder o sentido, tornando-se esmagador. Em muitos casos pode vir acompanhada do isolamento ou da própria negação do luto, da repressão de sentimentos. É um mecanismo de defesa que nos impede de assimilar racionalmente o que aconteceu.

Raiva: a inconformidade dá lugar à revolta, à busca de culpados, a um sentimento de injustiça. Trata-se de uma manifestação da dor que a pessoa está sentindo e, por mais destrutiva que seja, é uma etapa necessária para assimilar a perda. A raiva permite que você saia do seu isolamento e preste atenção no outro, nem que seja canalizando suas frustrações em alguém que não tem nada a ver com o assunto.

Barganha: o que você sacrificaria para fazer com que tudo voltasse a ser como antes? A barganha é permeada por este tipo de pensamento, mesmo que tal negociação não possa ser praticada. Outra característica é ficar desenhando cenários do que poderia ter sido diferente, em uma infinidade de perguntas de “e se?”.

Depressão: é a tristeza profunda, a desolação, o medo. Costuma ser o mais intenso e demorado dos estágios do luto. Por mais aterrador que ele seja, também é necessário e não deve ser reprimido. O importante é não se culpar e nem se desesperar diante da tristeza e interpretá-lo como mais um estágio no caminho para a aceitação.

Aceitação: a dor pode ser desesperadora, mas pode ser também uma ótima professora. É através dela que chegamos à aceitação (que não é a mesma coisa que superação), entender que a vida continua mesmo diante da perda.

Apesar de uma das etapas do luto se chamar depressão, é importante diferenciá-la do quadro clínico, da doença depressão. Uma etapa do luto é transitória, faz parte do processo e é absolutamente natural senti-la. Diferente da depressão clínica, que exige uma atenção constante e tratamentos adequados a cada caso. 

Ainda assim, se a pessoa enlutada tiver predisposição à depressão, é importante se manter vigilante diante desta etapa, pois a perda pode servir de gatilho para crises mais graves e extensas.

Sentir dor é normal. Ficar triste é normal. Fechar-se é normal. O luto é uma etapa necessária para assimilarmos uma perda e reconstruirmos a vida da forma que for possível. O importante é não tentar ignorá-lo, reprimi-lo ou acelerá-lo. Pessoas passam, empregos passam, a vida passa e o luto também.

LEIA TAMBÉM: SOMOS O QUE VOCÊS SONHAM

Sobre DarkSide

Eles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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