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Mabel Collins: escritora teosofista e vitoriana visionária

Conheça a vida e a obra da autora de Luz no Caminho

Um pequeno livro pode estar carregado de grandes ensinamentos. Esta é a sensação após terminar de ler Luz no Caminho, de Mabel Collins: suas lições permanecerão com o leitor por muito tempo. A obra é resultado da busca espiritual que permeou a vida de sua autora.

Nascida em 1851, esta teosofista e escritora inglesa herdou as habilidades literárias de seu pai, Mortimer Collins, um autor pouco conhecido. Além disso, a inclinação pelo excêntrico também passou de pai para filha, o que chamava a atenção pelo contexto da época: na Era Vitoriana as mulheres eram muito mais discretas e dedicadas à administração do lar.

Só que este estilo de vida não interessava nem um pouco a Mabel, que tinha uma inquietação por descobrir uma vida mais recompensadora, com mais significado. Foi isso o que a fez abandonar seu primeiro casamento e abraçar uma série de causas: espiritualismo, teosofia e antivivissecção (contra a dissecação anatômica de animais).

Créditos: Louise Jopling / Wikimedia Commons

Em seus 76 anos de vida, publicou cerca de cinquenta livros, além de ter sido uma viajante, jornalista, editora e ativista. Também cultivou amizades e romances que renderam bastante especulação – até mesmo com um suspeito de ser Jack, O Estripador.

LEIA TAMBÉM: LANÇAMENTO: LUZ NO CAMINHO, DE MABEL COLLINS

Teosofia, trabalhos e a relação conturbada com Madame Blavatsky

Mabel Collins foi apresentada à teosofia em 1881, inspirada pelo trabalho de Helena Blavatsky, uma escritora russa que foi cofundadora da Sociedade Teosófica. Pouco antes da publicação de Luz no Caminho, Mabel teve a oportunidade de conhecer Blavatsky pessoalmente, já que ela era uma figura muito apreciada entre os teosofistas londrinos. 

Em um dos encontros das duas, Mabel pediu que Blavatsky lesse seus rascunhos para Luz no Caminho. A escritora russa ficou preocupada que a obra tivesse sido ditada a Mabel por um dos Mahatmas astrais e fez questão que ele fosse devidamente creditado na publicação. Apesar de ter ignorado o trabalho da inglesa até o momento, os rascunhos do livro já estavam se tornando bem populares entre os espiritualistas – e acabou se tornando um clássico.

Mesmo admirada na Inglaterra, Blavatsky nunca confiou muito em seus anfitriões – e isso incluía Mabel Collins. Ainda assim, ela a convidou para escrever em sua nova revista teosófica chamada Lucifer. Com o sucesso do periódico, boa parte do trabalho de Mabel foi direcionado à publicação, incluindo a série História de uma Maga Negra, que também se tornou um livro. Neste período, ela se tornou uma das amigas mais próximas de Blavatsky.

Imagem de domínio público

Porém, a boa relação não durou muito. Madame Blavatsky sentiu que precisava intervir quanto ao final de História de uma Maga Negra porque considerava que ele validava a magia negra. Além disso, ela também não estava feliz com a forma paqueradora com que Mabel lidava com alguns assistentes do sexo masculino – dizia-se que ela mantinha um caso com dois deles, o que era um problema para a celibatária Blavatsky, que considerava sexo uma bestialidade.

Com isso, Mabel foi expulsa da Sociedade Teosófica pelo seu crime de “adoração tântrica e magia negra”, apesar de ninguém saber muito bem o que Blavatsky quis dizer com isso. A inglesa não deixou por menos e processou a russa por difamação.

De qualquer forma, os interesses de Mabel sempre foram mais amplos do que a teosofia em si, e ela pode se dedicar a outros aprendizados. Sua obra atraiu o interesse do ocultista Aleister Crowley.

LEIA TAMBÉM: SOMOS O QUE VOCÊS SONHAM

Jack, O Estripador e outras causas de Mabel Collins

Em 1889, Mabel começou a se corresponder com o jornalista e escritor Robert Donston Stephenson, que era pesquisador e praticante do ocultismo. A relação dos dois começou quando ele estava internado, mas logo se conheceram pessoalmente.

Mais ou menos por aquela época começaram os assassinatos em Whitechapel e as conversas sobre Jack, O Estripador. O fato de Stephenson ser praticante de magia despertou um interesse acima do normal por pessoas que achavam que ele teria matado as mulheres para um ritual. Entre estas pessoas estava a baronesa Vittoria Cremers, uma amiga bem próxima de Mabel.

Stephenson, Mabel e Vittoria abriram uma empresa de cosméticos, mesmo enquanto ele era considerado suspeito, mas acabou não dando muito certo. Assim como aconteceu com muitos outros investigados, a desconfiança não se sustentou e hoje podemos dizer que Mabel Collins não se relacionou com Jack, O Estripador.

Depois das frustrações com o negócio e com o próprio Stephenson, Mabel declarou falência em 1892 e optou por uma vida mais discreta, fora do radar. Nesta época ela trabalhou como secretária ativista do movimento pela abolição da vivissecção

No começo do século XX, ela voltou a escrever para periódicos sobre ocultismo. A autora sempre sofreu com estresse e com eczema, o que piorou conforme foi envelhecendo. 

Durante a Primeira Guerra Mundial, ficou profundamente deprimida. Ela visitava os soldados e tinha se interessado pelos aparatos militares. Apesar da maioria das pessoas acreditar que o conflito acabaria em poucas semanas, ela sabia que duraria mais tempo.

Mabel faleceu de angina aos 76 anos. Apesar do modesto testamento de cem libras, deixou quase cinquenta livros, mais de duzentos artigos e uma trajetória que estreitou as relações entre o mundano e o divino, o carnal e o espiritual. Mabel Collins deixou um caminho que segue iluminando vidas até os tempos atuais.

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Redescobrir, ressignificar, reaprender e compartilhar conhecimento é o que move a SOMOS Livros, uma nova marca editorial da DarkSide Books que expande seu diálogo com uma geração extraordinária de leitores, cientistas, pensadores, filósofos, poetas, professores, psicanalistas e contadores de histórias capazes de nos ajudar a ressignificar a vida. SOMOS LIVROS. SOMOS LIVRES. DO INÍCIO AO FIM.

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