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O que é horror fúngico?

A Caveira te conta em cinco exemplos

03/04/2025

Convenhamos, a natureza pode ser bastante assustadora. Além da luz do solar, das flores e dos animais, ela esconde um lado sombrio que muitas vezes desconhecemos. Habitado por formas de vida misteriosas e insidiosas. Contudo, para conhecê-las você não precisa ir para as profundezas inexploradas do oceano ou enfrentar predadores ferozes. Muitas vezes elas são tão comuns e presentes em nossas vidas que nem pensamos sobre sua existência. Às vezes elas estão do nosso lado e até mesmo em nossas refeições. 

LEIA TAMBÉM: Fungos Fantásticos: Documentário apresenta o mundo misterioso dos fungos

Sim, estamos falando dos fungos, micro-organismos para lá de complexos. Enquanto muitos são comestíveis, oferecendo valor nutricional e até mesmo experiências psicodélicas, outros são tóxicos e bastante perigosos. Inclusive, os fungos são tão fascinantes que alguns cientistas que os estudam, chamados de micólogos, os consideram sencientes. Já algumas pessoas afirmam que alguns cogumelos, por exemplo, são uma espécie alienígena ou uma indicação de magia. Basta lembrar das antigas e incontáveis histórias com os chamados círculos de fadas ou anéis de duendes. 

Com toda essa complexidade não é de se estranhar que os fungos tenham gerado um subgênero próprio dentro do horror, chamado horror fúngico. Explorando histórias em que esporos, bolores, cogumelos e outros aparecem como seres insidiosos e perigosos, este subgênero surgiu faz algum tempo e ao longo de sua existência já apareceu em diferentes mídias, da literatura e cinema até videogames e mesas de RPG. Mas afinal de contas, o que é o horror fúngico

O horror fúngico: de Lovecraft a Arquivo X e The Last of Us 

Embora pareça um subgênero relativamente recente, popularizado pelo sucesso do videogame The Last of Us e sua adaptação para a televisão em 2023, o horror fúngico já existe há algum tempo. Em tais histórias, os fungos surgem como os grandes antagonistas, podendo ter origens naturais ou até mesmo alienígenas, se tornando uma força motriz de terror, morte e destruição. 

Podendo se misturar com outros subgêneros, como o horror corporal e o eco-horror, o horror fúngico geralmente desenvolve temas como infecção, transformação corporal, decadência, perda da individualidade e destruição da civilização como a conhecemos. Esse último, por exemplo, é o ponto de partida da história de The Last of Us onde seres humanos são infectados por uma forma mutada do fungo Cordyceps (que existe na vida real!), transformando-se em seres zumbificados que levam ao colapso da civilização mundial. 

Contudo, um dos grandes precursores do horror fúngico foi H.P. Lovecraft, que se inclinou para a natureza alienígena destes seres, os imaginando como criaturas de outro planeta que se espalham e corrompem a humanidade. Em 1931, o escritor de Rhode Island publicou Um Sussurro nas Trevas, um romance curto que introduziu uma raça de criaturas fungoides chamadas Mi-go, as quais são originárias de um planeta distante chamado Yuggoth. Repetidamente descritos como “fungoides”, os Mi-go são compostos de matéria alienígena, prosperando na escuridão e vivendo em um planeta frio e sombrio. 

Enquanto Lovecraft enfatizou a ideia dos fungos como alienígenas que representam o Outro, com o tempo outras narrativas de horror fúngico passaram a focar também em origens naturais, visando assim explorar questões ambientais e biológicas mais próximas de nós. Desta forma, estas narrativas exploram os fungos como formas de ameaça apocalíptica, abordando questões como o medo da contaminação, do desconhecido e da perda de controle sobre o próprio corpo e mente, sem contar do ambiente que nos cerca.

Além dos exemplos popularmente citados, o horror fúngico já foi tema de episódios de Arquivo X e até mesmo da série de televisão Hannibal. Em maio de 1999, o episódio Field Trip, presente na sexta temporada de Arquivo X, fez Mulder e Scully enfrentarem um misterioso fungo que induz episódios alucinógenos na dupla e começa a digeri-los. Alguns anos mais tarde, em 2013, Amuse Bouche, o segundo episódio da primeira temporada de Hannibal, trouxe a história de um assassino que induzia comas em pacientes diabéticos para usar seus corpos para o cultivo de cogumelos. 

Precisa de mais? Não se preocupe que a Caveira separou mais cinco exemplos de horror fúngico para você conferir e se deliciar. 

1. Natureza Macabra: Fungos

Organizada e editada por Silvia Moreno-Garcia e Orrin Grey, Natureza Macabra: Fungos é perfeito tanto para os fãs de longa data do horror fúngico quanto para aqueles que desejam se aventurar pela primeira vez no subgênero. Com 26 contos que variam do noir à fantasia sombria e do steampunk ao horror corporal, a coletânea traz autores renomados como John Langan, Laird Barron e Molly Tanzer em uma incursão por diferentes cenários do horror fúngico. Fruto de mais uma parceria entre a DarkSide® Books e a Macabra, Natureza Macabra: Fungos traz diferentes histórias, como uma inusitada tomada fúngica do mundo; um cemitério onde as lápides começam a se desintegrar em esporos e uma aventura debaixo da água com um gigantesco cogumelo que se transforma em um pesadelo sem fim. Desafiando as noções convencionais de horror e fantasia, Natureza Macabra: Fungos nos leva por um mundo onde a beleza e o macabro convivem lado a lado, nos fazendo olhar para este estranho mundo com outros olhos.

natureza macabra fungos

2. Gaia (2021)

Exemplo da mistura entre o horror fúngico e o eco-horror, Gaia é um filme sul-africano lançado em 2011 que conta a história de dois trabalhadores florestais, Gabi e Winston, que durante uma missão de reconhecimento são atacados por criaturas fúngicas que vivem no local. Procurando ajuda, Gabi (Monique Rockman) encontra um ex-fitopatologista e seu filho, que cuidam de seus ferimentos. No entanto, ela rapidamente percebe que a dupla possui uma relação diferente com a floresta e que o ecossistema abriga uma estranha e antiga infestação fúngica, a qual está pronta para se espalhar entre os seres humanos. Tudo piora quando Gabi se vê infectada por esse ambiente esporoso e fungos começam a brotar de sua pele. 

3. Gótico Mexicano

Escrito por Silvia Moreno-Garcia, Gótico Mexicano acompanha a jornada de Noemí Taboada, uma jovem independente da Cidade do México que viaja para High Place, uma isolada mansão situada no interior, após receber uma enigmática carta de sua prima Catalina. Chegando lá, ela não apenas precisa conviver com o novo marido da prima e sua estranha família, como também lidar com a decadência da casa, a qual está infestada por manchas de mofo amarelo que crescem ao longo das paredes e cogumelos que brotam do cemitério da família. Integrante da marca DarkLove da DarkSide® Books, Gótico Mexicano utiliza elementos do gótico, os sobrepondo a uma protagonista corajosa e vibrante, para levantar assuntos como xenofobia, discriminação racial, relacionamentos abusivos e a influência nociva do patriarcado. Construindo um universo soturno cheio de mistérios, ameaças monstruosas e pesadelos, Silvia Moreno-Garcia leva o leitor por uma jornada absolutamente original e inesquecível. 

gótico mexicano

4. Aniquilação (2018)

Baseado na obra de ficção científica de mesmo nome, Aniquilação segue Lena (Natalie Portman), uma bióloga e ex-militar, que se junta a um grupo de cientistas e exploradores para uma missão em uma misteriosa zona de quarentena em contínua expansão conhecida como “o Brilho”. Desafiando qualquer explicação científica, assim como as leis da natureza, a área se transformou após a queda de um meteoro três anos antes, adquirindo a habilidade de causar mutações em todos os seres vivos que entram em seu perímetro e desaparecendo com as equipes enviadas para investigar o local. Misturando horror fúngico e horror cósmico à la Lovecraft, Aniquilação conta com uma ambientação atmosférica e um visual impressionante. Prepare-se para animais mutados, fungos alienígenas e uma das mais macabras e belas cenas do cinema fúngico.

5. A Queda da Casa Morta

Uma reimaginação do clássico de Edgar Allan Poe, em A Queda da Casa Morta, T. Kingfisher nos leva mais uma vez para a residência da família Usher em uma história que carrega todos os conceitos do conto original, ao mesmo tempo em que adiciona uma variedade de flora e fauna para lá de macabras. A obra se passa em 1890 e segue Alex Easton, soldade não-binárie aposentade, que corre para a casa ancestral dos Usher ao receber uma carta de seu amigo, Roderick Usher, informando que sua irmã, Madeline, está morrendo. No entanto, ao chegar na remota mansão, Alex é recebide pelo comportamento estranho de seus amigos e por uma residência em ruínas que parece possuída por um estranho crescimento fúngico. Uma releitura envolvente e atmosférica, A Queda da Casa Morta leva o leitor por uma história assustadora repleta de fungos letais, coelhos em decomposição e personagens atormentados. 

a queda da casa morta

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Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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