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5 contos presentes em Jardim Noturno

Conheça histórias que compõem a obra de Shirley Jackson

24/02/2026

Shirley Jackson é o tipo de escritora que consegue causar arrepios em seus leitores sem precisar recorrer a monstros extravagantes, sustos óbvios e rios de sangue. Desde muito cedo, a autora de A Assombração da Casa da Colina e A Loteria mostrou uma habilidade peculiar em transformar o cotidiano em algo profundamente perturbador, demonstrando como situações relativamente simples podem rapidamente se tornar experiências desconfortáveis. 

LEIA TAMBÉM: 5 motivos para ler Shirley Jackson

Mestra do suspense psicológico, Jackson foi capaz de extrair o extraordinário da rotina, o absurdo do familiar e o horror daquilo que se apresenta como inofensivo. Com uma ironia afiada e ritmo cortante, a escritora evidenciou de forma desconcertante que o terror pode estar onde menos esperamos, escondido em cidadezinhas simpáticas, famílias educadas, sorrisos amigáveis e tradições inofensivas. 

Publicado postumamente em 1996, Jardim Noturno atesta todas essas qualidades da escritora, mostrando porque Jackson é considerada uma das grandes vozes da narrativa curta. Reunindo contos inéditos ou esquecidos, a obra surgiu quando seus filhos, Laurence Jackson Hyman e Sarah Hyman DeWitt, encontraram uma antiga caixa sem remetente contendo o manuscrito original de A Assombração da Casa da Colina, assim como diversas anotações, manuscritos e contos inéditos. Foi assim que a dupla decidiu produzir uma nova coletânea com as histórias da mãe, algumas inéditas e outras que já haviam sido publicadas em periódicos, mas nunca reunidas em um livro. 

É desta forma que Jardim Noturno, publicado pela DarkSide® Books, através da marca DarkLove Classics, reúne tanto os textos macabros e perturbadores que consagraram Jackson no mundo do terror quanto histórias de humor doméstico, as quais desnudam a natureza humana por meio de seus gestos mais triviais. Ficou curioso? A Caveira separou 5 contos do livro para você conhecer. 

1. Que Ideia

Um dos contos inéditos de Jardim Noturno, Que Ideia é uma história curta e direta que evidencia o talento de Jackson em transformar o cotidiano em algo aterrorizante. Aqui, somos apresentados a Margaret, uma dona de casa entediada que, ao refletir sobre a vida, o marido e o relacionamento dos dois, começa a ser atormentada por pensamentos intrusivos que não a deixam em paz. O grande problema é que esses pensamentos estão longe de ser inofensivos. Na verdade, são fantasias violentas sobre as possíveis formas pelas quais ela poderia assassinar o esposo e avançar para um futuro sem a sua presença. 

Ao longo da narrativa, Margaret fica cada vez mais perturbada, expressando diversas ansiedades e rejeições a esses pensamentos, precisando por fim tomar uma decisão. Muito semelhante a um monólogo interior, Que Ideia é um ótimo exemplo de história de terror curta e impactante, explorando pensamentos intrusivos e como todos podemos ser atormentados por ideias desagradáveis que surgem nos momentos mais inexplicáveis e cotidianos possíveis. 

2. A História que Costumávamos Contar

Outra narrativa inédita, A História Que Costumávamos Contar acompanha duas mulheres, amigas de infância, que se reencontram após a morte de seus respectivos cônjuges. Durante a noite, dividindo um quarto, elas relembram histórias do passado, eventualmente prestando atenção em um quadro pendurado na parede. A pintura, relativamente simples e bastante antiga, retrata a mesma casa em que estão acomodadas e que foi continuamente reformada pelo avô do falecido marido de uma delas. Na manhã seguinte, as coisas tomam um rumo sinistro quando uma das mulheres desaparece misteriosamente, com todos ao seu redor presumindo que ela cometeu suicídio. 

No entanto, nossa narradora sabe que não é bem assim e eventualmente descobre que a amiga foi capturada pelo quadro. Em sua tentativa de libertá-la, o inesperado acontece e ela também é absorvida pela imagem, de forma que enquanto a vida continua no mundo real, as amigas precisam encontrar uma maneira de fugir do cativeiro ao mesmo tempo em que lidam com outras pessoas que ficaram presas ali. Com descrições perturbadoras e claustrofóbicas, A História Que Costumávamos Contar é um conto que exala resignação e desesperança, abordando o terror de uma consciência intacta, mas presa eternamente à mercê de um salvador que nunca aparece.

3. Só O Que Ela Disse Foi Sim

Publicada na revista Vogue em novembro de 1962, Só O Que Ela Disse Foi Sim nos apresenta a uma narradora mesquinha e egoísta, mas com uma ótima opinião de si mesma, que após um trágico acidente acolhe temporariamente Vicky, a filha adolescente de seus vizinhos. Ao receber a notícia do falecimento do casal, a protagonista é então incumbida de informar à jovem a triste notícia. No entanto, para a sua grande surpresa, a menina parece estranhamente calma, declarando estoicamente que avisou aos pais que isso iria acontecer.  

A partir disso, Shirley Jackson coloca no centro da história uma menina com o dom de prever o futuro e uma narradora que, por sua visão limitada da realidade, é impedida de compreender o conhecimento sobrenatural e as premonições sombrias que estão diante de si. Construindo o suspense por meio da cegueira da narradora, Só O Que Ela Disse Foi Sim é um conto inquietante e assustador que explora temas como o isolamento, o insólito no cotidiano e como muitas vezes nos recusamos a enxergar algo apenas porque não queremos que seja verdade.

4. Casa

Originalmente publicado em agosto de 1965 na revista Ladies’ Home Journal, Casa é o tipo de conto que vai conquistar os fãs das histórias de terror escritas por Shirley Jackson. Aqui, acompanhamos Ethel e Jim, um casal que acabou de se mudar para a antiga casa da família Sanderson, que possui uma reputação sinistra entre os moradores locais. Durante um dia chuvoso, após ter passado um tempo na cidade conhecendo seus novos vizinhos, Ethel dirige pela estrada principal em direção à sua casa e é surpreendida por uma mulher e uma criança mal agasalhadas que afirmam querer ir até a propriedade dos Sanderson. 

Supondo que a dupla estava confusa, ela oferece uma carona até a colina de sua nova residência. No entanto, para a sua surpresa, ao sair do carro, Ethel descobre que tanto a mulher quanto a criança misteriosamente desapareceram. Ao contar para o marido o que aconteceu, ela é então confrontada com a história sombria da casa onde mora e descobre por que os moradores locais não gostam de falar sobre isso. Uma história assustadora, escrita de forma discreta e refinada, Casa remete aos clássicos de terror de Jackson, contando com uma protagonista que ignora todos os avisos que lhes são dados, um segredo do passado, uma história traumatizante e, é claro, aparições misteriosas. 

5. A Possibilidade do Mal

Vencedor do Prêmio Edgar Allan Poe de Melhor Conto de Mistério em 1966, A Possibilidade do Mal foi publicado pela primeira vez em dezembro de 1965 no Saturday Evening Post, apenas alguns meses após o falecimento de Jackson. A história gira em torno da Srta. Strangeworth, uma “solteirona” de 71 anos que vive em uma pequena cidade habitada por sua família há gerações. Inicialmente descrita como uma senhora de idade inofensiva, ela demonstra grande interesse pelos habitantes locais, ao mesmo tempo em que se orgulha das antigas roseiras que existem em seu jardim, as quais funcionam como uma espécie de herança de família. 

No entanto, rapidamente descobrimos que a Srta. Strangeworth não é tão inofensiva assim, cultivando o hábito de escrever cartas anônimas, grosseiras e maldosas aos vizinhos. Tudo piora quando ela comete um erro simples que a faz pagar caro por suas ações. Assim como A Loteria, A Possibilidade do Mal é uma história impiedosa que explora questões como a crueldade casual que reside no cotidiano, a dualidade de um indivíduo perante seus conhecidos e como uma cidade pequena pode esconder diferentes possibilidades para o Mal. 

Com histórias que florescem no silêncio, atraem nossa atenção e inquietam nossos sentidos, em Jardim Noturno, Shirley Jackson cultiva o estranho e o maravilhoso com mãos firmes e olhos atentos, levando os leitores por pequenas epifanias, assombros sutis e encontros improváveis, sem deixar de lado o que há de mais profundamente humano em nós. Um presente para novas gerações de leitores, Jardim Noturno já está disponível na Loja Oficial Dark e no DarkApp, homenageando a mulher que ensinou o mundo a admirar a beleza que mora na escuridão. 

LEIA TAMBÉM: Miles Hyman: “A Loteria é uma obra que comenta o passado e também prevê o que está prestes a acontecer”

Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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