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Miles Hyman: “A Loteria é uma obra que comenta o passado e também prevê o que está prestes a acontecer”

Confira a entrevista exclusiva do quadrinista ao DarkBlog

27/06/2023

Miles Hyman pode até ter levado um ano e meio para adaptar o conto A Loteria e transformá-la na graphic novel lançada no Brasil pela DarkSide® Books. Mas foram necessários cerca de trinta anos para que ele decidisse fazer tal adaptação. O motivo? Respeito à história original, escrita por sua avó Shirley Jackson.

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O artista é reconhecido internacionalmente por adaptar clássicos literários para graphic novels, além de atuar como ilustrador para veículos de comunicação e pintando quadros que são expostos em galerias de arte. 

Em meio à sua rotina intensa, na qual intercala seus diferentes projetos, Hyman conversou com o DarkBlog e nos contou um pouco mais sobre o desafio de transpor a inquietante história de Jackson para os quadrinhos, o impacto de sua narrativa, seus trabalhos e influências artísticas. Confira:

DarkBlog: Décadas após a publicação original de A Loteria você decidiu adaptá-la para uma graphic novel. O que esta história, escrita no final da década de 1940, ainda tem a oferecer para as audiências atuais?

Miles Hyman: Ela foi publicada mais ou menos entre o fim da Segunda Guerra Mundial e quando toda a loucura anti-comunista começou a tomar conta dos Estados Unidos. É uma obra que comenta o passado recente, mas também prevê o que está prestes a acontecer na cultura norte-americana. Ela permanece completamente pertinente e importante, diria até essencial, por falar de algo ainda presente nas nossas sociedades. Quando fiz o livro, ele foi publicado após as eleições presidenciais de 2016. Muitas pessoas me perguntaram se era uma alegoria sobre as eleições e as emoções que elas despertaram na cultura norte-americana. Não era. Mas eu entendo por que esta história permanece uma obra importante, ano após ano: porque nos transporta a algo muito desconfortável em relação à natureza humana. E nos mostra de uma maneira implacável, quase impiedosa, quão fácil é para pessoas que se consideram normais, corretas, de repente cederem a algo inumano, violento e que provavelmente contraria a maioria dos seus princípios. E ela [Jackson] é tão boa em nos surpreender com aquele fim e meio que abrir a porta para algo tão monstruoso e horrível sobre a natureza humana que eu acredito realmente se tratar de uma obra atemporal por este motivo, porque aborda tantos períodos históricos ao mesmo tempo que se mantém fiel ao presente.

D: Na introdução de A Loteria você menciona que o conto é uma espécie de herança de família. O fato de a história ter sido escrita pela sua avó provocou algum tipo de desafio extra ou aumentou a pressão em torno do projeto de alguma maneira?

MH: Ah, sem dúvida. Mas tentei me esquecer ao máximo que se tratava de uma herança de família. Mas é impossível fazer isso quando se está trabalhando em algo tão íntimo e em algo que eu li e reli desde criança. A minha família foi muito generosa com sua aceitação da ideia e até mesmo me encorajando a fazer isso. Eles amaram. Foram bem positivos ao longo do processo e bem generosos com seus comentários. Eles essencialmente me deram liberdade para fazer o que eu quisesse, desde que fosse respeitoso com o original. Eu tive carta branca, uma liberdade completa para reimaginar e recontar a história do jeito que eu queria. E é engraçado, apesar de eu falar que se trata de uma interpretação bem direta da história, existem, é claro, certas liberdades em que você pega passagens descritivas e transforma em diálogos. A minha ideia era trazer o máximo de texto para os diálogos para que houvesse o mínimo de narração possível. Senti que ficou uma interpretação bem fiel da história. 

a loteria

D: A sua família chegou a acompanhar a sua adaptação durante o processo ou só viu a obra pronta?

MH: Eu começo cada projeto com uma série de esboços que vão do começo ao fim da história. São esboços bem detalhados que se parecem bastante com a versão final colorida, só que em preto & branco. Eu sempre os envio para os editores, e nesse caso para os membros da minha família, para que eles pudessem ler e fazer seus comentários ou alterações. E ninguém as fez. Então só fui adiante e fiz os desenhos e a cor, o que foi perfeito. É bem raro que ocorram alterações, porque a maioria dos grandes problemas já são discutidos na etapa do roteiro, na versão textual. Mas, de qualquer maneira, as pessoas estavam ok com o trabalho. Não houve qualquer intervenção real.

D: Poderia nos contar um pouco do seu processo ao transportar “A Loteria” para a versão em quadrinhos? 

MH: Um dos motivos pelo qual foi tão difícil adaptar para uma graphic novel é porque a história faz um ótimo trabalho em esconder as coisas. Gosto de compará-la a andar por um labirinto, onde você só consegue ver a parte onde está indo, mas não consegue ver o trajeto completo. Ela é muito boa em fragmentar a ação de tal maneira que você não sabe exatamente onde está indo até chegar ao final, quando já é tarde demais. E o desafio de fazer uma graphic novel é que você enxerga tudo. Então você precisa encontrar mecanismos visuais que permitam manter a profundidade de campo muito próxima, manter as expressões nos rostos o mais neutras possível, para que o leitor nunca consiga enxergar além do que está na próxima página. Além disso, manter um ritmo que respeite o timing incrível que ela domina no conto. O desafio era manter a tensão ao longo da graphic novel e fazer com que a surpresa fosse o mais alarmante possível.

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D: Quais mudanças foram feitas na adaptação? Por quê?

MH: Uma das duas mudanças foi a sequência de abertura com o sr. Summers e o sr. Graves se reunindo à noite para preparar a loteria do dia seguinte. Isso se desenvolveu a partir de uma frase do conto, que eu pretendia transformar em uma passagem visual, e não descritiva. Imaginei aquela abertura em que não há palavras, então não estou “traindo” o conto, mas desenvolvendo a sequência da preparação. Podemos ver os dois homens reunidos na sala escura, os papéis sendo dobrados, colocados na caixa e podemos ver que um papel com uma marca preta é colocado na caixa. Na cena seguinte, que tecnicamente é o começo do conto, o leitor já tem toda a informação de que precisa para entender o que aquela caixa significa, quão importante ela é e como há um mistério no cerne da cerimônia que só será compreendido no fim. A segunda liberdade foi mostrar Tessie Hutchinson. Sabemos que ela está atrasada para a loteria. Quando chega, ela diz que estava lavando louça. Uma das críticas da história era de como os personagens poderiam ter sido mais bem desenvolvidos e que, sem tal profundidade, temos dificuldade em associar qualquer importância ou sensibilidade real a eles. Por isso, adicionei duas páginas simples em que ela aparece tomando banho. É uma cena bem neutra, sem qualquer tipo de sugestão ou conotação. Mas, por um breve momento, temos acesso à sua vida pessoal, a um momento particular. Como resultado, temos uma conexão com ela que não temos com qualquer outro personagem. Isso significa que o desfecho será muito mais impactante e importante para nós. Fora essas liberdades, fui muito fiel ao texto.

D: Como você equilibrou a fidelidade à visão da autora com sua própria interpretação e estilo artístico?

MH: Falei bastante sobre a fidelidade ao texto, mas, é claro, há muito material autoral que entrou. Não é uma ilustração do texto, é uma adaptação. E há uma diferença enorme nisso. Eu estou muito presente como coautor da história. Dediquei muito tempo para voltar a Vermont, onde cresci, mas também onde a história foi escrita e onde senti — por mais que ela não diga onde a história se passa — que havia a ambientação adequada. Da maneira como ela descreve a vila, parece bastante com uma vila da Nova Inglaterra. Passei bastante tempo vendo fotos antigas de feiras no interior, tentando captar a dinâmica de como as pessoas se reuniam naqueles tempos. Daí fiz os meus próprios desenhos, que reúnem todas estas diferentes fontes, mantendo a interação entre personagens sutil, para que não saibamos de fato o que está acontecendo. Mas há também essas sequências em que o velho Warner fala sobre a história da cerimônia, e nelas eu desenhei um tipo diferente de imagem, meio que para evocar um passado mais sinistro que data das colônias do século XVII, uma colonização sombria ou algo que lembre os julgamentos das bruxas de Salem. Tudo isso se une para mostrar que esse passado sombrio é mantido vivo ano após ano sem que ninguém o questione. Senti que visualmente poderíamos evocar aquela ideia sem contradizer o fim. E o mais importante é que conseguimos chegar àquelas últimas quatro ou cinco páginas com uma surpresa completa.

a loteria

D: Para os leitores que já conhecem a história na versão textual, o que a graphic novel traz para surpreendê-los?

MH: Algumas partes você lê, pode ler dez ou vinte vezes, e as palavras ainda não são assimiladas do mesmo jeito que seriam quando você vê a ação do que é descrito. Até mesmo eu me surpreendi consideravelmente com o final, quando vemos as crianças participando da cerimônia contra a própria mãe. E isso foi publicado antes dos julgamentos de McCarthy, quando amigos se voltavam contra amigos, e crianças contra os pais. Quase antecipou aquele horror de como pessoas tão próximas podem se voltar contra você em questão de segundos. Em todas as vezes que eu tinha lido a história não tinha me dado conta de como isso é algo horrível de se ver. Na versão da graphic novel tomei bastante cuidado para mostrar todo o impacto que Shirley Jackson buscou transmitir naquela cena, com todo o horror a que tem direito. Não diria que a graphic novel é mais impactante porque isso seria injusto, mas é impactante de maneira diferente. O essencial é garantir que aquela sequência final seja tão forte como no original, mesmo que seja apresentada de maneira diferente.

D: A Loteria é uma história atemporal e relevante até hoje, mas também é conhecida por sua controvérsia. Que tipos de debates a graphic novel pode provocar nos dias de hoje? Qual é a importância desse tipo de diálogo na arte?

MH: Podemos voltar à maneira como ela foi recebida quando foi publicada em 1948. Algumas pessoas estavam firmemente convencidas de que se tratava de um evento real, de uma obra documental. Elas tinham tanta certeza de que algo assim podia de fato ter acontecido, que escreveram repetidamente à The New Yorker — a revista recebeu um número recorde de cartas, muitas delas para cancelar a assinatura. Outras não entenderam, ou acharam que era uma alegoria política, uma ferramenta para tentar desestabilizar a visão pura dos Estados Unidos. E fiquei surpreso que muitas pessoas reagiram da mesma maneira em 2017, quando saiu a graphic novel. Fui muito cuidadoso em não dar à obra um significado além do que Shirley Jackson queria. Teria sido muito fácil inserir pistas para dar um “sabor moderno”, mas eu não quis fazer isso. Primeiro porque eu não queria datar a minha interpretação da história, queria que ela se mantivesse atemporal como a original. Mas também quis que todas as pessoas que lessem tivessem a sua própria experiência. Esse tipo de liberdade, de se dissociar de algo que você criou para que seja adotado por qualquer pessoa, é um processo muito importante. Vejo pessoas animadas e entretidas pela história, outras completamente arrasadas por ela. Acredito que isso seja parte do poder daquela história, que se mantém tão potente e ao mesmo tempo ambígua quanto possível. Ela deixa uma reflexão essencial. Quando é ensinada em escolas e universidades, é utilizada como ponto de partida para debater como essas correntes ocultas e sinistras da sociedade se expressam. Sobre como não sabemos de fato do que as pessoas são capazes até vivermos isso. Desde que o livro saiu, as nossas culturas passaram por períodos em que a violência se infiltrou no processo político de maneiras inesperadas e realmente chocantes. Isso nos mostra que a história é incrivelmente importante. 

“Se não estamos sempre nos surpreendendo pelo que fazemos, é aí que as coisas se tornam monótonas e repetitivas.”

D: Além da adaptação de “A Loteria”, quais foram seus projetos mais significativos ou gratificantes até o momento?

MH: Adaptar Dália Negra do James Ellroy foi um dos primeiros projetos realmente empolgantes e me deu muitas das ferramentas de que precisava para fazer A Loteria por causa da mecânica cuidadosa da história, de mostrar certas coisas em determinada ordem para que os segredos da história permaneçam intactos. Desde então, trabalhei em dois grandes projetos com um escritor chamado Jean-Luc Fromental. Primeiro, começando com a viagem de Graham Greene a Viena em 1948 para escrever O Terceiro Homem, e o segundo sobre o Caso Profumo, em 1963 na Grã-Bretanha. Atualmente estou trabalhando na minha própria adaptação do romance de um escritor francês chamado Guillaume Musso, chamado A Vida Secreta dos Escritores. É um livro bem longo, com 170 páginas. No que diz respeito a graphic novels, tenho sido muito sortudo em relação à qualidade e ao interesse intenso nas histórias em que pude trabalhar. 

D: Quais artistas, autores ou influências inspiraram seu trabalho ao longo de sua carreira?

MH: Winsor McCay com Little Nemo, mas também vários autores franceses porque aprendi minha profissão aqui. Então autores como Loustal, de Crécy, Tardi, François Schuiten. A escola franco-belga tem sido uma grande influência para mim, mas também Dave McKean e vários artistas britânicos e norte-americanos. Acredito que, pelo menos com base na bande dessinée e na comunidade francesa de quadrinhos, estamos numa espécie de era de ouro de criatividade. Tem tanta coisa acontecendo. Costumo me inspirar por tudo o que vejo. Parece que cada livro que eu pego tem algo, alguma inovação ou nova ideia, uma nova maneira de organizar a página ou de se usar cor que eu, conscientemente ou não, levo para o meu próprio processo criativo. É uma época maravilhosa para estar trabalhando e por ter a possibilidade de ser inspirado por tantas coisas diferentes. Também estou pintando mais, o que é algo completamente diferente. Mas os meu trabalhos com pinturas e graphic novels acabam beneficiando um ao outro. Há uma inspiração que vai e volta, aquilo que aprendo na pintura posso aplicar nas graphic novels e vice-versa. 

a loteria

D: Em relação à sua técnica: você prefere uma abordagem mais tradicional, ilustrando à mão e depois passando para o digital, ou já prefere criar a arte digitalmente? 

MH: Eu tenho um processo híbrido. Faço todo o desenho à mão, carvão sobre papel, velha guarda, e então scaneio e aplico a cor com Photoshop no computador. É uma técnica que desenvolvi trabalhando para jornais, porque sempre tive que fazer o trabalho muito rápido. Comecei a usar giz pastel anos atrás, e era impossível trabalhar rápido assim. Então desenvolvi esse processo alternativo de carvão e de depois colorir no computador. Sinto que me aproximou ao máximo da imagem que tenho quando me inspiro pela história que estou lendo, é um processo que me satisfaz. Se encontrar um projeto mais curto, de talvez setenta ou oitenta páginas em vez de 170, seria maravilhoso fazer diretamente a cor, aquarela ou tintas coloridas diretamente no desenho — que eu já faço hoje, apenas para peças maiores e individuais. Continuo a brincar com as possibilidades, o que acredito ser muito importante. A partir do momento em que a sua técnica está dominada é que as coisas se tornam entediantes. Acredito que você precisa constantemente, enquanto uma pessoa criativa, estar em movimento e tentando coisas novas. Parte do processo no qual me encontro agora é ver aonde consigo levar os próximos projetos, se é rumo a um tipo diferente de desenho ou um tipo diferente de usar cores. Uma das maneiras de se manter envolvido, interessado e apaixonado pelo que fazemos é sempre tornar as coisas um tanto desconfortáveis, tornando-as sempre um pouco surpreendentes e inesperadas. Se não estamos sempre nos surpreendendo pelo que fazemos, é aí que as coisas se tornam monótonas e repetitivas. Esse é o perigo que eu sempre tento manter longe ao mudar as regras do que estou fazendo e como estou criando minhas imagens.

D: Tem alguma mensagem final que gostaria de deixar aos leitores brasileiros que estão aguardando esta edição de “A Loteria”?

MH: Obrigado por publicarem este livro, estou realmente feliz em saber que está disponível para os leitores brasileiros. Espero que a história seja tão envolvente como tem sido há décadas em todo o mundo. Àqueles que já conhecem o conto, espero que a graphic novel traga a mesma magia sinistra da experiência de quando leram pela primeira vez e que renove nossas reflexões sobre o significado que Shirley Jackson pretendia. Acredito que continua sendo uma peça vital de literatura, e não digo isso sobre muitos livros — e muito menos só porque é da minha avó. Mas é uma história que resistiu à prova do tempo e creio que os leitores irão concordar, porque trata de algo atemporal e imortal sobre o lado sombrio da natureza humana. Nem que seja somente como uma história que serve de alerta, ela precisa ser lida e compreendida como a verdadeira obra de arte que é. Estou realmente feliz em saber que as pessoas irão descobri-la no Brasil. 

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Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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