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Crânio

5 vezes em que grandes mulheres da ciência tiveram suas conquistas silenciadas

No livro Inferior é o Caralho, Angela Saini mostra como meias verdades fizeram as mulheres ser esquecidas ao longo da história

Por Lady Sybylla

A Darkside Books está lançando seu novo livro, Inferior é o Caralho, da jornalista Angela Saini e pensando nisso, a editora convidou a capitã e o Momentum Saga para uma ação, para falar de trabalhos de mulheres que foram invisibilizados ou que não receberam a devida atenção ao longo dos anos apenas por elas serem mulheres. O lançamento da editora fala sobre como a ciência e a história colocaram as mulheres como inferiores, usando argumentos supostamente embasados em fatos, mas que eram construídos na base do preconceito.

O fenômeno que silencia, oculta ou ignora os feitos científicos das mulheres se chama Efeito Matilda, algo que eu já falei várias vezes aqui no blog. Geralmente essas mulheres incríveis fizeram grandes contribuições para suas áreas, mas por serem mulheres tiveram o trabalho roubado e atribuído a homens, que acabaram levando o Nobel e outros prêmios em seus lugares. Escolhi apenas cinco, mas sabemos que existem muitas mais.

A dama dos fósseis – Mary Anning

Uma das grandes paleontólogas da história nunca pode receber educação formal na universidade por ser mulher. Vinda de uma família que vendia fósseis para sobreviver, ela escavava por conta própria nos meses de inverno, onde descobriu esqueletos completos de criaturas até então totalmente desconhecidas. Alguns deles foram primeiramente descritos por Mary e suas anotações foram essenciais para a descoberta dos coprólitos. Ainda assim, sem ensino formal ou diplomas, ela ficou bastante conhecida no cenário acadêmico da época e era consultada por outros cientistas quanto às suas observações. Mas a maioria sequer a mencionava em seus artigos.

“O mundo me tratou tão mal, temo que isso tenha me feito desconfiar de qualquer um.” – Mary Anning

A primeira ginecologista – Trotula de Salerno

Trotula foi a primeira mulher a descrever e estudar a ginecologia e a obstetrícia entre os séculos XI e XII, em Salerno. Seus tratados médicos eram amplamente difundidos na Idade Média e incluíam temas que iam de cuidados com recém-nascidos, problemas de fertilidade, questões psicológicas sobre a sexualidade e é notável que ela tenha se preocupado com o sofrimento da paciente. Mas médicos no século XVI começaram a questionar que tratados tão amplos e bem escritos pudessem ser atribuídos a uma mulher. Seus escritos estão são atribuídos a homens e ela ganha status de lenda sem comprovação de existência.

Do que as estrelas são feitas? – Cecilia Payne-Gaposchkin

Cecilia escreveu a tese de doutorado mais brilhante da história da astrofísica. Ela postulou uma teoria de que o hidrogênio seria o combustível das estrelas, mas em 1924 isso era uma piada. Hoje não se questiona a afirmação, mas quando ela procurou outros especialistas para avaliar sua descoberta, eles riram e disseram que aquilo era irreal. Ela mesma duvidou de sua descoberta e seu orientador lhe pediu cautela ao falar a respeito. Henry Norris Russell, que riu de suas alegações, acabou convencido dos dados que ele mesmo obtivera e sem mencionar que antes tinha duvidado, escreveu um artigo e levou toda a glória a respeito.

Sobre ele, Cecilia escreveu:

“Eu o respeitava e o temia, mas não conseguia ter qualquer afeição por ele.”

O metabolismo e a virologia – Marguerite Lwoff

Trabalhando junto do marido, André Lwoff, ela foi essencial para uma série de descobertas a respeito do metabolismo. Publicou diversos artigos, tendo descoberto a hematina e sua função no metabolismo do tripanossoma. Começou a carreira estudando protozoários ciliados, em parceira com o marido em seu laboratório no Instituto Pasteur. Porém, o marido levou o Nobel em fisiologia, enquanto sua esposa aparece como nota de rodapé e como sua assistente de laboratório.

A descoberta dos pulsares – Jocelyn Bell Burnell

Em 1967, Jocelyn era uma estudante de graduação em Cambridge quando descobriu os pulsares, remanescentes de estrelas massivas que se tornaram supernovas, e que seus sinais recorrentes se deviam à sua rotação. Analisando dados do radiotelescópio que ela mesma ajudou a montar, a descoberta rendeu um prêmio Nobel em 1974, que ela não recebeu e sim Anthony Hewish-Bell, seu supervisor, junto de Martin Ryle, outro astrônomo. Como se não bastasse a injustiça, ela raramente conseguia colocações de pesquisa, sempre lhe ofereciam docência ou cargos administrativos junto às universidades. Além disso, equilibrar família com carreira era impossível.

Acho que agora fica mais que evidente que Inferior é o Caralho. E que essa injustiça precisa ser corrigida com as milhares de mulheres geniais que mudaram a história do mundo e não tiveram reconhecimento.

Publicado originalmente no blog Momentum Saga

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