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The Sentinel: Um elo inestimável do horror religioso

Quando a fé encontra o abismo

13/03/2026

Inegavelmente, o mundo caminha em ondas. Mas talvez também caminhe em círculos, ou em espirais, se você quiser um pouco mais de precisão. Acima de uma moda passageira, bem mais que uma tendência, o mundo das artes, da arquitetura, e até mesmo o mundo financeiro, parece convergir e habitar um mesmo espaço por um período de tempo específico. No horror, tivemos a década dos monstros atômicos, a década dos monstros clássicos, a década dos horrores femininos, a dos slashers, a década dos psicopatas, dos zumbis, dos brinquedos assassinos e, tivemos até mesmo, a década oitentista que misturou tudo ao som de bandas de rock and roll. Depois vieram as décadas posteriores que, à exceção de alguns bons filmes, falharam em quase tudo o que se propuseram a revisitar.

LEIA TAMBÉM: Highway to Hell: Todas as estradas levam ao inferno

O filme de hoje pertence à era de ouro do terror religioso, onde poderíamos ir ao cinema e nos profanar deliciosamente com filmes como The Exorcist, Rosemary’s Baby, The Omen, The Wicker Men e The Dunwich Horror.

Nosso homenageado do dia, The Sentinel, foi lançado pela Universal Pictures em 1977, dirigido magistralmente por Michael Winner, e, mesmo contando com atores do calibre de Burgess Meredith, Cris Sarandon, Christopher Walken, Jeff Goldblum, John Carradine e Ava Gardner, amargou um certo afastamento dos holofotes quando comparado aos seus pares. O filme gira em torno de Alison Parker (Cristina Raines), uma jovem modelo que se muda para um prédio histórico que também é habitado por um padre cego e pessoas que… não existem mais. Promissor, não?

Começamos nossa expedição na Itália, onde um grupo de religiosos católicos de diferentes patentes se reúne em uma igreja e ora para que o mal não se aproxime de suas boas práticas. Não sabemos do que se trata ainda, mas percebemos que não está dando muito certo quando um dos religiosos diz: “existe perigo”. Desse ponto somos transportados até Nova York, para o Brooklyn, onde acompanhamos brevemente o dia a dia de uma modelo, Alison Parker. Alison está procurando um apartamento para si. Seu namorado, o advogado Michael Lerman, procura um lar para dois. Pelas ruas, Alison é observada de perto por um dos religiosos que vimos anteriormente, na Itália.

Ela e seu namorado estão prestes a engatar um debate sobre a nova moradia quando Alison recebe um telefonema, que a informa da morte do pai. Descobrimos logo depois do funeral, que o pai de Alison possivelmente estava envolvido com práticas satanistas, e que ela tentou matar a si mesma depois de apanhá-lo nu, comendo bolo e fazendo… “coisas estranhas” com outras duas mulheres. Se você viu alguma similaridade com certas passagens de Dan Brown, sinta-se em minha companhia.

Mas o importante é que Alison volta para o apartamento do namorado e se entende com ele, e ambos concordam que ela tenha seu próprio espaço. Alison se candidata como locatária de um prédio histórico, e no mesmo edifício, o apartamento no último andar é ocupado por um padre cego, o Padre Francis Matthew Halliran, que passa o tempo sentado à frente de sua janela. Logo que assina os papéis, Alison começa a experimentar situação corriqueiras, mas estranhas, e depois ela passa aos problemas físicos, incluindo desmaios e insônia, e ela também ouve ruídos.

A primeira pessoa que ela conhece no prédio é Charles Chazen, e nosso bom amigo tem um canário brasileiro chamado Mortmer e uma gata chamada Jezebel (gostei disso por motivos óbvios). As pessoas seguintes que ela encontra são um casal de mulheres, Gerde e Sandra, e tudo caminha bem, um clima amigável, até que Sandra começa a se masturbar na frente de Alison.

Alison acha tudo um pouco estranho, mas isso não a abala, e logo ela conhece os demais vizinhos, em uma festa de aniversário para Jezebel, organizada por Charles. As pessoas parecem disfuncionalmente agradáveis, mas o ambiente tem uma espécie de sombra, algo que se mostra presente mesmo com os risos e a diversão do momento. Outro ponto positivo para a direção e para os atores que nos colocam, sem exageros, no lugar exato onde precisamos estar: desconfiados.

O gancho definitivo nos fisga logo em seguida, quando Alison procura a agente imobiliária que alugou o apartamento para reclamar do barulho e das visitas de Charles Chazen, que começam a se tornar inconvenientes. A agente, Srta. Logan, esclarece que ninguém mora no edifício há três anos, além de Alison e do padre cego, Francis Halliran. Logan chega incluse a acompanhar Alison em uma inspeção. Os apartamentos estão vazios, tomados por teias de aranhas e poeira, abandonados há anos.

Cada vez mais convencida que está tendo algum tipo de esgotamento mental, Alison começa a se medicar, mas isso não resolve suas visões. Depois de mais uma série de pesadelos terríveis que se mesclam com a realidade, ela sofre uma crise de pânico, uma espécie de sobrecarga psíquica que a faz correr até a rua e gritar por ajuda. Inexplicavelmente, Alison tem sangue nas roupas de dormir, e ela alega que o sangue seja de seu falecido pai, esfaqueado por ela. A polícia decide visitar o namorado de Alison, o advogado bem-sucedido Michael Lerman, porque sua última esposa cometeu suicídio. Além do mais, um detetive que trabalhava eventualmente para Lerman é encontrado morto no carro, ele está esfaqueado e a polícia acaba relacionando Alison ao caso. Eles têm uma suspeita fortíssima que, na verdade, quem está causando essas mortes seja o próprio Lerman.

Alison procura a igreja, conversa com o padre que sempre está por perto e faz confissões a ele. O padre a aconselha e ela se sente ligeiramente melhor. Chegando em casa, Lerman mostra que conseguiu as chaves de todos os apartamentos do edifício, e se oferece para ir com ela, para ver por si mesmo o que pode estar acontecendo. Nessa visita, Alison apanha um livro empoeirado e insiste que está escrito em latim. Na verdade, não está, mas ela assim o vê e transcreve, a pedido de Lerman, o que acabou de ler. Lerman insiste que ela fique em sua casa enquanto ele tenta descobrir o que significam as palavras em latim. E ele assim o faz, procurando um acadêmico que decifra uma passagem de Paraíso Perdido, de John Milton. A passagem é a mesma que conhecemos nos momentos iniciais do filme, onde um dos padres diz que “existe perigo”.

Agora, infelizmente, precisamos parar por aqui, mas deixamos uma alta recomendação para que você assista esse filme. Existe muita influência de Rosemary’s Baby, e de outros filmes mais antigos que flertaram com a ideia de mulheres sendo atacadas e manipuladas pelo mal (e pela fé das diferentes igrejas), mas também existe a influência em produções modernas que beberam de muitos detalhes dessa criação. Talvez não exista uma apropriação direta de ideias, seja nos livros ou nas adaptações, mas sim um verdadeiro ponto de convergência criativa entre The Sentinel, The Omen, Devil’s Advocate e Rosemary’s Baby.

Em The Sentinel, os atores são um verdadeiro presente, assim como a trama enxuta, viciante e hipnótica, tal qual o desfecho final (e as imagens grotescas que ele evoca). Caso você, querido leitor e cinéfilo, esteja um pouco descrente da presença do bem e do mal em sua vida, esse filme pode ser um excelente ponto de reconexão. Como dizem por aí, o maior mérito do diabo foi fazer todo mundo descrer em sua existência. Mas e se… 

E se…

E se você pudesse assistir o trailer? 

Bem aqui:

LEIA TAMBÉM: Sexta-feira 13: Um culto ao sangue

Sobre Cesar Bravo

amplificador cesar bravoCesar Bravo é escritor, criador de conteúdo e editor. Pela DarkSide® Books, publicou Ultra Carnem, VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue, DVD: Devoção Verdadeira a D., 1618 e Amplificador.

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