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O UNIVERSO DARK DE FÃ PARA FÃ

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A incrível jornada de aprendizado ao lado de um amigo especial

Não são todos que têm a chance de conviver com pessoas que pertencem ao espectro autista, mas Jack e Early formaram um boa dupla no livro Em Algum Lugar nas Estrelas

No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, comemorado nesta terça-feira, dois personagens merecem ser lembrados pelo companheirismo e por todo o aprendizado passado aos leitores do livro Em Algum Lugar nas Estrelas, de Clare Vanderpool, lançado pela marca DarkLove, da DarkSide Books, em 2016.

Nessa história, Jack Baker acabando indo parar em um colégio militar enquanto a Segunda Guerra Mundial chegava ao fim. Sozinho e longe de casa, Jack percebe a indiferença das pessoas e até do próprio pai, que nunca demonstrou muita preocupação com o filho. No colégio, um aluno em especial lhe chama a atenção. Early Auden é enigmático e revela sua genialidade ao se aproximar do novo aluno.

Apesar de ser considerado um prodígio e decifrar casas decimais do número Pi com facilidade, Early lida diariamente com uma enorme dificuldade de se relacionar com o mundo e de lidar com seus sentimentos e com as pessoas ao seu redor, além de manter regras específicas sobre as músicas que deve ouvir.

Os comportamentos dados a Early pela autora Clare Vanderpool são indícios do que conhecemos como síndrome de Asperger, considerada uma forma branda de autismo. Os transtornos do espectro autista (TEA) englobam uma série de diferentes apresentações do quadro, que tem em comum uma maior ou menor limitação na comunicação, na interação social, além de alguns comportamentos repetitivos e uma gama de interesses seletivos — como a música para Early, que escuta Louis Armstrong às segundas; Sinatra às quartas; Glenn Miller às sextas; Mozart aos domingos e Billie Holiday sempre que estiver chovendo.

Dentro do espectro autista, os comportamentos restritivos e as estereotipias podem variar. Há pessoas que possuem um quadro considerado mais leve e, portanto, conseguem uma maior independência, e também há aquelas que necessitarão de cuidados e acompanhamentos ao longo dos anos para as atividades da vida diária. A sensibilidade da escrita de Vanderpool nos mostram a sutileza e a complexidade da mente quem está inserido no espectro autista e Jack se revela um grande companheiro disposto a se aventurar e aprender com o pequeno Early. Entender a beleza das diferenças e compreender os limites do outro já é um grande passo para se compreender a mente de uma criança ou adulto que pertence à esse universo tão particular e, muitas vezes, mal compreendido.

O músico, palestrante e escritor Marcos Petry e a psicóloga especializada em autismo Mayra Gaiato falaram detalhadamente sobre a rotina e os comportamentos de um autista. Petry, que mantém o canal O Diário de um Autista, é um autista de alto funcionamento e listou dez tópicos importantes que todo autista gostaria que a sociedade soubesse acerca de comportamentos, hábitos e especificidades das pessoas com TEA. “Sabendo disso, todos conseguirão interagir melhor de descobrir o potencial que há em cada criança autista”, disse Petry.

Para ele, a maneira de demonstrar carinho com um abraço, por exemplo, pode ser enérgico demais. “Meus amigos passaram a compreender depois que eu explicava algumas vezes. Pode abraçar, mas não precisa ser durante muito tempo. É um processo de tentativa e erro, mas vi acontecendo e, infelizmente, o sofrimento para o autista nessas situações é inevitável”, relatou. Barulhos que estamos acostumados, como carros na rua e buzinas, podem ser um grande desafio para um autista.

Petry conta que já chegou a ir embora da casa de amigos devido ao barulho excessivo. “Meus sentidos são desajustados e isso é importante de se observar nas crianças autistas. Minha audição é muito potente e isso pode gerar crises, então já cheguei a ficar pouco tempo na casa de amigos devido ao barulho dos carros que passavam na rua.”, disse. No Brasil, desde 2012, a Lei Berenice Piana (12764/12) garante o direito da pessoa com TEA ao acesso à educação e ao ensino profissionalizante – o que é considerado um passo importante para inclusão dessas pessoas na sociedade. A lei ainda estabelece multa ao gestor escolar que recusar a matrícula de um aluno com TEA. Os passos rumo ao avanço e à inclusão de pessoas com TEA ainda são lentos, mas existem e são importantes para que, assim como no livro, jovens e adultos como Early e Marcos Petry possam desbravar universos e viver suas jornadas sendo respeitados e incluídos na sociedade exatamente como são.

Confira o vídeo completo com Mayra Gaiato e Marcos Petry:

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