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A mente obsessiva de Frederick Clegg, em O Colecionador

O personagem criado por John Fowles revelou-se tão cruel quanto o pior dos psicopatas. Escrito em 1963, a obra inspirou O Silêncio dos Inocentes

Escrito em 1963, O Colecionador, de John Fowles, conta a história de Frederick Clegg e Miranda Gray. O jovem solitário e menosprezado pela sociedade acredita que encontrou o amor de sua vida — mesmo sem ter trocado uma palavra sequer com ela. O que, logo de início, se revela como mais uma história de amor não correspondido de um jovem tímido por uma bela estudante de Artes se transforma sutilmente — mas ainda assim diante dos olhos do leitor — em uma obsessão doentia e perturbadora.

Frederick Clegg passa a se referir à sua amada Miranda como “minha convidada”, mas a convidada em questão só tem uma opção: ficar trancada no porão da nova casa de Clegg, que agora tinha dinheiro e poderia deixar sua espécime mais valiosa e bela — Miranda Gray  — “protegida” e “a salvo” do mundo exterior.

Perturbado e solitário, Clegg coleciona borboletas dos mais diversos tamanhos, cores e espécimes. Ao falar sobre Miranda antes mesmo de sequestrá-la, Clegg diz: “Vê-la sempre me fez sentir como se capturasse um espécime raro, me aproximando bem silenciosamente, com o coração na mão, como dizem.” Fowles constrói a personalidade de Clegg com maestria e prende o leitor ao livro assim que revela a complexidade da história e da mente doentia do jovem. Miranda também se transforma: de jovem bem educada e incapaz de ferir alguém em uma mulher pronta para atacar o egoísta Clegg, a quem ela se refere como Caliban.

Best-seller internacional que há décadas estava fora de catálogo no Brasil, O Colecionador foi a inspiração para Thomas Harris escrever O Silêncio dos Inocentes — tão genial e perturbador quanto a obra de Fowles. “Uma obra-prima fundamental e perturbadora. Sem ela, eu nunca teria escrito O Silêncio dos Inocentes.”, já declarou Harris. O livro de Harris foi adaptado para o cinema em 1991 com Anthony Hopkins e Jodie Foster no elenco, e ganhou nada menos do que cinco estatuetas do Oscar, incluindo Melhor Filme, Melhor Ator para Hopkins e Melhor Direção. A interpretação de Hopkins para o Dr. Hannibal Lecter foi diretamente inspirada no Frederick Clegg do cinema, vivido por Terence Stamp.

Para o mestre Stephen King, que escreve a introdução exclusiva da edição brasileira publicada pela DarkSide Books, Clegg é “um maníaco discreto, e ele guarda uma alarmante semelhança, tanto em suas ações quanto em seus processos de pensamento, como criaturas como Mark David Chapman, John Hinckley, Lee Harvey Oswald, Ted Bundy, Juan Corona, entre outros tantos”. Ao longo do desenvolvimento da história de Clegg e Miranda vemos que não há exagero algum na fala de King.

Clegg é uma pessoa perturbada e as muitas camadas deste romance genialmente construído por Fowles nos fazem olhar profundamente para Miranda enquanto refletimos sobre nossas próprias relações. Com o passar dos dias no “quarto de hóspedes”, Miranda chega a conclusão madura e fria sobre sua condição: “Sou uma entre uma fileira de espécimes. É quando tento bater asas que ele me odeia. […] Ele me quer viva-porém-morta”.

Apesar da consciência e de nunca corresponder o suposto amor de Clegg, Miranda não é imune a Síndrome de Estocolmo e passa a nutrir certa empatia ou afeição por seu sequestrador. Frio e pedante, Clegg afirma que Miranda não entende seus motivos. “O que ela nunca entendeu foi aquilo que me bastava. Tê-la comigo era o suficiente. Nada precisava ser feito. Só queria que fosse minha, e a salvo, finalmente”.

John Fowles guia o leitor pela mente assombrosa de Clegg e revela os medos de Miranda — mas permite também que o leitor, estranhamente, se identifique com ambos. Temas como feminismo, luta de classes, solidão, liberdade, o que pode ou não ser considerado arte e o que pode ou não ser considerado amor são amplamente explorados pelo autor em uma obra que se tornou uma marco para a literatura. As reflexões e situações colocadas pelo autor em 1963, em seu romance de estreia, se mostram mais atuais do que nunca.

Veja o trailer de O Colecionador, lançado em 1965:

 

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