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A Pequena Sereia & o Reino das Ilusões: releitura na hora certa

Na contramão da versão doce e meiga da Disney, Louise O’Neill criou um universo incômodo e angustiante que nos faz refletir sobre o papel da mulher na sociedade

Indo contra a versão romântica e colorida da Disney, A Pequena Sereia & o Reino das Ilusões, da escritora irlandesa Louise O’Neill, chegou na hora certa para os leitores brasileiros. Releitura de um dos contos mais famosos da história, o livro apresenta  a jovem sereia chamada Gaia, que luta contra as imposições de uma sociedade subaquática sexista e patriarcal.

O’Neill reimagina o sombrio conto de Hans Christian Andersen, originalmente publicado em 1837, com um novo olhar e cria um universo distópico para tirar o leitor da zona de conforto e fazê-lo refletir sobre a sociedade atual. A fantasia, um dos gêneros mais encantadores da literatura, tem o poder de nos ensinar muito através de seus distintos universos.

Em A Pequena Sereia & o Reino das Ilusões, a jornada de Gaia proporciona reflexões acerca do papel das mulheres na sociedade atual, dos padrões de beleza impostos e da liberdade feminina. A jovem sereia de O’Neill sonha em ser livre de seu pai controlador, fugir de um casamento arranjado e descobrir o que realmente aconteceu à sua mãe desaparecida — tudo isso enquanto cresce em um reino sufocante que não respeita e nem permite a identidade individual. A animação da Disney, também inspirada no conto um tanto sombrio de Andersen, revela uma pequena sereia chamada Ariel que se encanta com o colorido mundo dos humanos — o filme não avança nos perigosos terrenos do conto original, mas faz sua contribuição para perpetuar comportamentos problemáticos.

Como destacado pelo blog Delirium Nerd, a autora teve o cuidado de não cair em estereótipos de gênero:

A Pequena Sereia e o Reino das Ilusões desafia não apenas esse clichê da necessidade de um par romântico masculino, mas desconstrói inúmeros estereótipos de gênero que visam delimitar os interesses e conquistas das meninas e mulheres e nos apresenta uma obra verdadeiramente feminista voltada para o público jovem.”

No mundo de Gaia, o reflexo do patriarcado se dá nos pequenos detalhes. Comportamentos opressivos e abusivos se naturalizam no triste reino de ilusões de Gaia e, aos poucos, ela entende sua triste realidade e busca transformá-la. Em sua jornada original, a pequena sereia busca sua “alma imortal”, que só seria encontrada na terra, ao lado de seu “amado”, e acaba por trocar sua cauda por um par de pernas, dando sua voz como pagamento à feiticeira do mar.

Em A Pequena Sereia & o Reino das Ilusões, O’Neill também toma a voz de Gaia, mas apenas para fazer com que tal ausência seja sentida bruscamente pela nossa protagonista e ajude os leitores a perceber o peso de ficar calado diante das injustiças. As escolhas de O’Neill podem causar sentimentos conflitantes nos leitores que não esperavam tal convite à reflexão em um conto de fadas tão querido em nossas memórias, mas a proposta se mantém: é preciso repensar as mensagens que absorvemos diariamente, questioná-las e mostrar que o silêncio não provoca mudanças.

“Perfeito! É a releitura de A Pequena Sereia. É feminista e fabuloso, e lindo porque se passa no fundo do mar. É muito poderoso porque aqui a raiva é construtiva.” — Marian Keyes, autora de Melancia

A história da Pequena Sereia encantou toda uma geração de crianças e eternizou a amável figura da Ariel na mente de todos nós. O’Neill, que é assumidamente apaixonada pelo mar, tinha apenas 4 anos de idade e foi diretamente influenciada pelo sucesso da jovem sereia de cabelos vermelhos, assim como muitas crianças de sua época. Em entrevista ao blog Valkirias, a autora contou que sempre se sentiu atraída pela arte que tem algo a dizer. “Não tenho certeza sobre o que me aguarda no futuro, mas sei que quero continuar contando histórias que têm um ponto de vista, politicamente falando”, disse. Com o passar dos anos, ela começou a enxergar situações controversas nas mensagens passadas, e aceitou o convite de dar à pequena sereia do Reino dos Mares um novo final, inspirando as mulheres a encontrarem suas vozes para quebrar as barreiras que lhe são impostas.


A Pequena Sereia & o Reino das Ilusões é o quarto romance de O’Neill e o primeiro publicado no Brasil. Os temas das obras de O’Neill são diversos, mas a vertente feminista está sempre presente — até mesmo na fantasia de um universo distópico escondido nas profundezas do oceano. O título foi publicado pela marca DarkLove, da editora DarkSide Books, e trouxe mais contos de fadas para a linha que é dedicada exclusivamente às novas vozes femininas da literatura, além de apresentar uma personagem questionadora que não aceita as imposições de seu universo —  assim como é o caso de Lia e Kazi (em Crônicas de Amor e Ódio e Dance of Thieves, ambos da escritora Mary E. Pearson), e também Audrey Rose (Rastro de Sangue).

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