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Andrew Pyper: “E se Drácula e Frankenstein estivessem vivos?”

Em entrevista ao DarkBlog, o autor de O Demonologista e Os Condenados, contou o que inspirou o seu novo livro, A Criatura

Considerado um dos mais talentosos sucessores de Stephen King, Andrew Pyper é definido pelo mestre do suspense como o novo nome do medo clássico. Com uma carreira relativamente recente, o autor já conseguiu se estabelecer como um dos nomes mais proeminentes da literatura de terror da atualidade.

LEIA TAMBÉM: O ENCONTRO DE DRÁCULA E FRANKENSTEIN COM HANNIBAL EM ‘A CRIATURA’

A versatilidade de temas é marca registrada de Pyper. Uma investigação para derrotar o diabo, o fantasma de uma irmã que atormenta um escritor e a criatura que inspirou escritores a escreverem sobre os monstros mais famosos do imaginário popular, são temas de seus livros publicados pela DarkSide® Books no Brasil: O Demonologista, Os Condenados e, em breve, em A Criatura.

Com o lançamento do terceiro livro previsto para o final de janeiro de 2020, conversamos com o autor sobre o que inspirou a criação de sua própria criatura:

DarkSide: A Criatura é um livro que se conecta muito com o nosso DNA. Não só é um thriller fascinante, mas também honra a tradição gótica, incorporando três clássicos em sua trama: Drácula, Frankenstein e Dr. Jekyll e Mr. Hyde. Então, vamos começar pelo começo: Você tem um personagem favorito?

Andrew Pyper: Esses três se romances se provaram ser tão profundamente influentes, não apenas em nossa cultura literária, mas na cultura popular de maneira mais ampla, que seus significados como livros – obras de arte literária – foram amplamente concebidos na maneira como geraram novas e  crescentes mitologias. Mas apenas para lê-los como romances, tenho um favorito, claro: Frankenstein de Shelley. É muito, muito brilhante.

D: De que maneira você diria que A Criatura se conecta com Drácula, Frankenstein e Dr. Jekyll e Mr. Hyde?

AP: Isso foi há alguns anos atrás, e eu estava pensando em monstros. Especificamente, eu estava pensando sobre os tipos de monstros na nossa cultura, e os dividi em três grupos principais: Parasita, Morto-vivo e Psicótico. Parecia que praticamente todos os monstros que você conseguia pensar se encaixavam em uma dessas categorias. E então, enquanto eu lia muitos romances de monstros antigos, fiquei impressionado com a observação de que os livros que estabeleceram essas categorias com maior influência foram Drácula (parasita), Frankenstein (morto-vivo) e Jekyll e Hyde (psicopata). (Tenho certeza de que não sou a primeira pessoa a ter esses pensamentos, mas isso me impressionou de maneira poderosa). A partir daí, comecei a me perguntar sobre as origens dessas monstruosidades. E se os monstros fossem reais e eles se comunicassem com esses romances – e esses romancistas – diretamente? Não espera! E se houvesse apenas um monstro que os informasse? O monstro original, parte parasita, parte morto-vivo, parte psicopata. E se ele estivesse vivo hoje?

D: No livro, há uma cena muito poderosa em que um médico segura um espelho diante do rosto de Michael e ele diz que vê uma máscara, à qual o médico responde: “Mas é o seu rosto. Você quer dizer uma máscara no sentido metafórico”. É uma imagem muito vívida de como o exterior não corresponde necessariamente ao nosso interior. Algum comentário sobre isso?

AP: Michael se parece conosco, mas não é como nós. Ele pode parecer charmoso e caloroso, mas, na maioria dos casos, esses sentimentos são imitadores. Ele se move pelo mundo, caminhando entre multidões, interagindo com muitos – mas está sempre sozinho. Em suma, ele experimenta a vida da mesma maneira que a maioria de nós. Michael, é claro, é um ser fundamentalmente diferente. No entanto, a noção de usar máscara – uma fachada que esconde uma verdade – é a coisa mais humana sobre ele.

D: Foi difícil encontrar o equilíbrio entre narrar o que aconteceu no século XIX e nos dias atuais?

AP: Esse foi o principal desafio na estruturação do romance. Encontrar o equilíbrio entre esses dois períodos, mas também encontrar o equilíbrio entre Michael e Lily. De quem é a história? Eu queria que fosse compartilhado entre eles. Nos primeiros rascunhos, havia muito mais sobre a vida de Michael até os dias atuais, mas isso foi editado porque o saldo pendeu muito para o lado dele. Era importante manter a conexão entre Michael e Lily, e para isso era necessário atenção quanto ao tempo em que cada um tinha como protagonista antes que eles pudessem ficar juntos. Talvez haja um romance diferente a ser escrito que seja a biografia completa de Michael. Talvez mais tarde!

D: A Criatura tem muitos subtemas, mas vamos discutir a dicotomia de Lily em encontrar o seu caminho. Você diria que ela é uma boa pessoa que deu uma guinada inesperada ou que ela era um monstro o tempo todo?

AP: Não responderei a essa pergunta diretamente, pois acho que todo leitor pode responder de forma diferente (e nenhum deles estaria errado). Mas eu certamente queria que o romance fizesse a pergunta – em termos particularmente dramáticos e horripilantes: Somos produtos de nossos pais ou somos moldados pelo livre arbítrio? Isso se torna especialmente interessante para filhos de pessoas muito más, de criminosos violentos, de assassinos, de monstros. Eu carrego algo do monstro em mim? Ao longo dos anos, achei interessante que meus amigos e familiares observassem como eles “se tornam” um dos pais de uma maneira ou de outra, mesmo que eles resistam o máximo possível. Eu certamente ouço a voz do meu pai às vezes, dizendo o tipo de coisa que me irritou tanto ao ouvi-lo dizer isso quando eu era criança. É imparável. E esse mesmo fator – imparável – está no coração do monstruoso. Monstros são tão assustadores porque são implacáveis. O mesmo acontece com as forças que nos levam a ser quem somos.

D: A dinâmica de Lily e Michael realmente nos lembrou de Clarice Starling e Hannibal Lecter. Há uma vibração combativa e uma luta de poder muito sutil entre eles. Você é fã dos romances de Thomas Harris?

AP: Eu diria que sou um fã ainda maior do filme de Jonathan Demme do que dos romances de Harris (que também são ótimos). Essas cenas – e essa conexão – entre Clarice e Lecter são inesquecíveis e claramente influenciaram a natureza da conexão entre Lily e Michael. Eu sempre fui atraído por esse tipo de relacionamento em romances e filmes: As maneiras pelas quais a inocência se entrelaça com o mal, o discurso entre os dois. Eva e a serpente. Padre Karras e o demônio dentro de Regan McNeil. Clarice e Lecter. Adoro o conflito entre eles, mas adoro ainda mais os momentos em que eles encontram um lugar comum, são atraídos por suas palavras – mesmo quando essas palavras são comprovadamente enganadoras.

D: O Demonologista foi o primeiro best-seller da DarkSide Books e se tornou o favorito de muitos leitores. Como autor, como é a sensação de ver seu romance cativando tantas pessoas? E como você descreveria a recepção dos leitores brasileiros nestes últimos anos?

AP: A recepção do meu trabalho no Brasil foi uma das coisas mais incríveis – e surpreendentes – dos últimos anos para mim. Recebi tantas mensagens dos leitores contando o quanto eles adoraram os livros que, sinceramente, me salvou em alguns dias em que me perguntava o que estava fazendo e por que estou escrevendo. Há tanto calor e amor vindo do Brasil que é como encontrar alguém com quem você tem tudo em comum, compartilhando o mesmo senso de humor, chorando nas mesmas cenas de filmes, amando a mesma comida. Eu tenho muitos novos amigos.

D: Muitos de seus romances estão sendo desenvolvidos para o cinema, e os leitores brasileiros estão ansiosos para ver suas histórias ganhando vida! Há alguma novidade sobre isso?

AP: Há muita coisa acontecendo! O mundo da TV e do cinema é muito imprevisível, mas tenho vários projetos que estão se tornando realidade. Ainda não tenho permissão para comentar mais especificamente nada, mas espero poder dizer mais em 2020.

2 Comentários

  • Claudete Gomes

    13 de janeiro de 2020 às 22:24

    Receita de sucesso – junte morto-
    vivo+psicopatia+parasita=
    Criatura, perfeito.
    Parabéns Andrweb Pyper e Dark side.

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