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O UNIVERSO DARK DE FÃ PARA FÃ

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As lições de empatia em Leve-me com Você

A autora Catherine Ryan Hide consegue nos fazer entender os problemas e perdas de August, mas nos enche de esperança com uma trama bem desenvolvida e emocionante

Por Sybylla, parceira DarkSide

Sempre que chega um livro do selo DarkLove, eu já me preparo para o abalo emocional que virá com a leitura. É possível sentir o esmero nas escolhas das obras do selo, todas escritas por incríveis mulheres, de grande sensibilidade e empatia, para escrever os enredos sensíveis e profundos com que nos deparamos. Leve-me com Você, de Catherine Ryan Hide, não é diferente, é mais um daqueles livros para você chorar no final.

August é um pacato professor de ciências do ensino médio, um bastante solitário e divorciado, que se preparou para uma longa viagem de verão em seu motor home. Mas ele quebrou antes mesmo que a jornada começasse. E enquanto está na oficina mecânica tentando medir o tamanho do prejuízo, o mecânico o cerca de perguntas estranhas. August inclusive conhece seus dois filhos que adoram brincar com Woody, o cachorro que acompanha August em suas viagens.

A verdadeira aventura de August, aquela que mudará sua vida, começa quando o mecânico faz um inusitado pedido: se August pode levar seus dois filhos na viagem com ele. O conserto fica por sua conta se ele levar os garotos ou não. O motivo? Ele vai ter que cumprir pena por dirigir bêbado e não tem ninguém para cuidar dos meninos. Apenas pede que August pensa no assunto. Acontece que este solitário professor tem uma triste história: ele está de luto, levando as cinzas do filho para uma última viagem com ele. No começo, você sente que o livro não tem mais grandes informações para lhe dar já que essas são entregues tão cedo. Mas engana-se quem acha que a história é só essa.

Mesmo sem se dar conta do que está fazendo, August acomoda os meninos em seu motor home e eles partem por uma incrível jornada entre grandes parques nacionais e pelas belezas naturais dos Estados Unidos. Seth e Henry, os garotos, são muito unidos. O menino mais velho, Seth, cuidando do quietinho irmão mais novo. Seth é um garoto bem inquieto, é notável isso logo de cara pela forma como ele se comporta, como fala, como quer parecer útil a qualquer custo para August, como se os dois fossem ser despejados na próxima parada.

Tomamos decisões de vida e morte todos os dias. As chances são favoráveis em quase todas elas. Mas, se alguma coisa dá errado, somos responsáveis. E nunca mais repetimos a mesma decisão.<br

Henry nunca fala. Seth disse que isso aconteceu depois da última vez em que ficaram em um abrigo. Mas o garotinho passa a falar, ainda que de maneira bem econômica, com August e o irmão. Conforme prosseguimos na leitura e acompanhamos o deslumbramento dos meninos em passear por lugares incríveis, vemos que August precisa muito mais dos meninos do que pensava e os meninos descobrem que um mundo inteiro os aguarda fora da oficina mecânica do pai.

Foi uma decisão muito corajosa e audaciosa tanto do pai quanto de August de entrar nessa jornada. Quem em sã consciência confiaria seus filhos a um estranho? O pai deles faz esse questionamento, mas desesperado por uma solução, essa foi a única que ele encontrou. Admito que eu achava que o livro teria um rumo bem diferente do que tomou e me agradou imensamente o desvio que a autora fez para a vida dos três. Ela foi muito realista nas decisões tomadas sobre os irmãos, sobre a vida de August.

Em alguns momentos a leitura foi meio devagar. August é um personagem complicado, pois ao mesmo tempo que tem uma grande história, me pareceu plano e vazio em alguns momentos, diferente dos garotos. Talvez tenha sido proposital descrevê-lo desta maneira. O livro é em capa dura com um lindo trabalho gráfico. Não encontrei grandes problemas de tradução, mas de revisão é preciso arrumar algumas coisas, como um pico em um parque nacional que tem 4 mil metros de altura e no livro saiu com 400 mil. Fitinha para marcar a página e lindos mapas nas contracapas, além da brochura colorida.

Ficção e realidade

O livro toca em tantas questões pertinentes que é difícil falar de todas elas. Algumas as pessoas vão considerar spoilers, mas posso dizer que enquanto lia eu me peguei pensando nas diversas implicações das escolhas dos personagens, suas vidas, como eu reagiria. Será que eu, no lugar de August, aceitaria levar os garotos comigo, filhos de um desconhecido? Mas se não levasse, o que seria deles? Dormiria tranquila sabendo que eles estariam em um abrigo? São lições de empatia, de preocupar-se com o outro, de não abandonar as pessoas quando elas mais precisam. O mundo carece disso…

Publicado originalmente no blog Momentum Saga

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