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Clarice Lispector, a bruxa: neta revela lado místico da escritora em exposição interativa

Mostra em homenagem à autora acontece em SP

03/04/2025

Mariana Valente, neta de Clarice Lispector (1920-1977), se aprofundou em facetas não tão conhecidas da escritora — incluindo seu lado místico, que frequentava cartomantes, jogava búzios e até participou de um congresso de bruxaria na Colômbia em 1975, como já contamos aqui. Mariana coordena a exposição Projetos Centenários – Clarice Lispector, que ocupa a estação Luz do Metrô de São Paulo com colagens interativas assinadas por ela sobre a vida e obra da avó – cujos mistérios podem ser mais bem compreendidos em O Jardim Onírico de Clarice Lispector, lançado aqui pela DarkSide® Books.

LEIA TAMBÉM: Teria sido Clarice Lispector uma bruxa?

“Ela era uma mulher judia, mas extremamente curiosa. Frequentava cartomantes, jogava búzios e chegou a falar no congresso de Bruxarias em Bruxelas. Ela era meio esotérica”, conta Mariana, que descobriu essas facetas através de histórias familiares. A artista ainda revela um dos mistérios mais intrigantes: “Antes de falecer, ela escreveu um texto só para a família, dizendo que, quando morresse, ela voltaria como uma esperança verde. E, ao longo da nossa vida familiar, aconteceram aparições inexplicáveis de esperanças”.

A exposição surgiu de um processo manual e intuitivo, conta Mariana, que é artista visual e não conheceu a avó – ela nasceu há 38 anos, portanto após a morte de Clarice: “O processo foi todo muito analógico e manual, então houve muita liberdade envolvida”, explica Mariana sobre as colagens que destacam frases marcantes como “Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome”. A neta brinca com o contraste entre a densidade da obra de Clarice e a leveza de seus trabalhos expostos mostra: “É como se fosse uma maneira de não ser tão sério, tão duro e tão previsível”.

Sobre seu próprio relacionamento com a avó, Mariana reflete: “Acho que desde pequena venho entendendo o que é ser neta da Clarice”, lembrando como descobriu a complexidade da escritora: “Meu primeiro contato oficial com a obra dela foi de estranhamento. Do tipo: quem é essa mulher que ou as pessoas amam ou acham muito maluca e não conseguem entender?'”.

A exposição, que fica em cartaz até dezembro, prova que Clarice continua atual — seja através de suas frases viralizadas nas redes (“Ela começou a se popularizar tanto que a galera começou a repostar frases como se fossem dela”), seja através do que Mariana chama carinhosamente de “bruxaria Clariciana”.

LEIA TAMBÉM: O Jardim Onírico de Clarice Lispector vence o Prêmio FNLIJ 50 anos

Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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