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Coisa do demônio? Conheça a origem do Carnaval

A celebração pagã que venerava grandes colheitas e divindades é a origem do Carnaval como conhecemos

A origem do Carnaval, festa considerada por muitos como tradicionalmente brasileira, remonta à Antiguidade — quando os povos podiam comemorar grandes colheitas e louvar as divindades de sua época. A festa pagã é originária dos egípcios, hebreus, gregos e romanos e, ao longo dos anos, ganhou suas adaptações brasileiras, além da musicalidade do samba.

Há quem encontre obscuridades no Carnaval justamente por sua origem pagã — que contraria os princípios cristãos e, geralmente, obedece aos chamados “prazeres da carne” como bebidas e sexo. Lendas urbanas também propagavam a ideia de que em época de Carnaval, o demônio andava solto pelas ruas, em referência a libertinagem e bebedeira que acontecia durante a festa.

Foto: Renata Meirelles / Território do Brincar

Segundo historiadores, a festa em homenagem a Saturno, deus das colheitas na Roma Antiga, era uma das mais celebradas — comércios e escolas eram fechados e até os escravos podiam dançar nas ruas. Nessa mesma festa surge também o termo carrum navalis, uma espécie de carro alegórico da Antiguidade onde homens e mulheres podiam dançar e festejar — geralmente nus.

Ainda na Roma Antiga,  Baco, deus do vinho, era uma das divindades mais celebradas. Dele vem a origem do termo bacanal — designado para descrever festas regadas a bebidas e sexo. A devassidão dessas festas era tanta que, após a Igreja Católica incorporar as festividades ao seu calendário, muitas práticas foram proibidas e a Quarta-feira de Cinzas ficou marcada por ser um dia para se arrepender dos pecados.

Outra expressão que, segundo os estudiosos, pode ter contribuído para a origem da palavra Carnaval é carnem levare, algo como “ficar livre da carne”. Quando, ainda na Idade Média, as festas pagãs foram incorporadas pela Igreja Católica, criou-se também as restrições impostas pelo período de quaresma, que antecede a Páscoa.

O Carnaval abrigaria, portanto, os últimos dias de “liberdade” antes das restrições do período, conhecido também como “penitência” pelos cristãos. A ligação entre as comemorações é tão clara que são as festividades da Páscoa que definem a data do Carnaval. Determinada a data da Páscoa que sempre acontece no primeiro domingo após a primeira lua cheia do outono — a Quarta-feira de Cinzas ficará 46 dias atrás no calendário.

No Brasil, a festa conhecida como entrudo foi uma das grandes influências para termos o Carnaval de hoje e começou a ser praticada pelos escravos. Nessas celebrações de origem portuguesa, era muito comum brincar com água, porém as famílias ricas não se misturavam à festa de origem popular. Verdadeiras “guerras de água” aconteceram nas ruas durante o século 17.

Com o passar dos anos e dos costumes, a festa “abrasileirada” foi ganhando proporções gigantescas até que em 1899, a musicista Chiquinha Gonzaga compôs “Ô Abre Alas”, considerada a primeira marchinha de Carnaval da história. Desde então, a música de tornou um marco do Carnaval carioca e brasileiro.

Terror na Avenida

As escolas de samba começaram a surgir no Brasil no final dos anos 1920, mas só foram se consolidar em desfiles a partir da década de 1960. Com o passar dos anos, a festa e os sambas de enredo foram se tornando mais críticos, ácidos e até mesmo inusitados para a data. Em 2018, a escola de samba Independente Tricolor abriu o primeiro dia de desfiles do grupo especial de São Paulo com um tema bastante inusitado.

Foto: Simon Plestenjak / UOL

A escola apresentou o samba-enredo Luz, câmera e terror – Uma produção Independente e contou com diversas homenagens aos mestres do horror, incluindo um carro alegórico com um polvo gigante em referência a H.P. Lovecraft, outro chamado Castelo dos Horrores e até uma alegoria em homenagem ao cineasta Zé do Caixão tocou o terror na avenida. Poderia perfeitamente ser um desfile DarkSide Books.

Foliões da escola também se vestiram de Jason, lendário personagem do clássico Sexta-Feira 13, além de inúmeros vampiros, caveiras e até o palhaço Pennywise, do filme It, baseado no livro do mestre Stephen King esteve na avenida. Ao se firmar no Brasil, o Carnaval se tornou, sobretudo, uma festa criativa onde há espaço para todos os temas e ideias, além de abrigar todas as tribos e atrair milhões de turistas ao Brasil — mostrando que, apesar de sua origem pagã, sempre haverá espaço para celebrar a liberdade e o amor.

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