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Pesadelos em tinta: conheça Clive Barker, o mestre do horror visceral

Stephen King, em 1986, já sabia: “Eu vi o futuro do terror, seu nome é Clive Barker”. Saiba mais sobre a vida e as inspirações do autor de Livros de Sangue e Hellraiser.

Por Macabra

Muitos chamam Clive Barker de um homem da Renascença contemporâneo. Ele é escritor, roteirista, poeta, diretor e artista plástico — e a mente por trás de histórias e personagens assombrados. Quando pensamos em Barker, pensamos em pesadelos. 

Ao longo das décadas de 1980 e 1990, os leitores brasileiros tiveram acesso a algumas obras de horror através das editoras Francisco Alves, Civilização Brasileira e Bertrand Brasil, pontes importantes para ligar os aficionados por histórias de medo com obras de horror. Clive Barker transformou para sempre a vida de muitos fãs do gênero, e reaparece agora com tratamento especial da DarkSide Books.  

LEIA TAMBÉM: CLIVE BARKER — A VERDADE EM CARNE E SANGUE

A primeira editora brasileira inteiramente dedicada ao horror e à fantasia fez uma edição primorosa de Hellraiser, provocou os leitores com Evangelho de Sangue e reativou medos primais em Candyman. O relacionamento de Clive Barker com a Caveirinha é tão carinhoso que ele mesmo elogiou a edição de Hellraiser, lançada em 2015 pela editora.

Foi através do pacto selado com a Macabra que Livros de Sangue deixou de ser apenas um sonho e se tornou real. A antologia mais arrebatadora de Clive Barker tirou o sono de muita gente décadas atrás, mas estava esgotada no país. O séquito de fãs fazia pedidos fervorosos para novas edições — e então nos unimos para realizar o sonho.

Edição da DarkSide também foi divulgada pelo autor

As primeiras linhas

Os primeiros passos de Clive Barker na escrita foram com histórias curtas — posteriormente reunidas no livro The Adventures of Mr. Maximillian Bacchus and His Travelling Circus — e peças de teatro. Barker não tinha pré-concepções a respeito de escrever, pois não conhecia outros autores pessoalmente. Não tinha nenhuma ideia pré-formada sobre o que esperava sendo um escritor, então simplesmente escrevia. 

Escrever peças de teatro ajudou em sua escrita. “Isso te torna muito consciente de sua responsabilidade com a audiência, de um jeito que nenhuma outra mídia faz, nem mesmo o cinema”, comentou ele em entrevista.

Dentre suas influências, além do próprio Blake — a quem ele considera um de seus grandes modelos —, Barker já citou Herman Melville, autor de seu livro favorito, Moby Dick; Edgar Allan Poe, Ray Bradbury, William S. Burroughs e Jean Cocteau. 

Das páginas para as telas

Capaz de trabalhar em todas as frentes e com um imenso controle criativo sobre os universos que cria, Clive Barker vai muito além da escrita. Além de escrever, já dirigiu alguns filmes adaptados de sua obra: Hellraiser (1987), Raça das Trevas (1990) e O Mestre das Ilusões (1995), além dos curta-metragens Salomé (1973) e The Forbidden (1978), reunidos em 1998 em um média-metragem. 

Antes de dirigir Hellraiser, duas adaptações de seus trabalhos haviam sido feitas — Subterrâneos: A Revolta dos Mutantes (1985) e Monster: A Ressurreição do Mal (1986). Mas Barker não estava feliz com os caminhos que as produções tinham tomado, e decidiu ele mesmo dirigir uma de suas histórias, o que demonstra o grau de comprometimento do autor com aquilo que criou. Em entrevista, Barker conta que: “Era como se Deus estivesse me dizendo que eu deveria dirigir. O quão pior poderia ser?”.

Hellraiser acabou atingindo o nível de clássico do horror muito rapidamente. A história, diferente de tudo que estava sendo produzido na indústria cinematográfica, foi inspirada em clubes noturnos de sadomasoquismo e vivências do próprio autor. Com o reconhecimento garantido pelo filme, Barker finalmente ganhou o lugar de mestre do horror.

Outras muitas histórias foram adaptadas por outros diretores, sempre crescendo em qualidade, como O Mistério de Candyman (1992), de Bernard Rose, e O Último Trem (2008), de Ryuhei Kitamura. Apesar de algumas diferenças narrativas entre as obras, Candyman conquistou espaço no coração dos fãs, e muito se deve ao carisma de Tony Todd como personagem-título. O filme acabou indo além do conto, e recebeu duas continuações nos anos 1990, e uma “sequência espiritual”, dirigida por Nia DaCosta, prevista para estrear em 2021.

LEIA TAMBÉM: JORDAN PEELE DEFINE QUEM SERÁ O PROTAGONISTA NO REMAKE DE CANDYMAN

Óleo e sangue

Não bastasse toda a maestria que apresentou com seus trabalhos escritos e adaptados, Clive Barker também é um exímio artista plástico. Pintou alguns de seus trabalhos para capas e contracapas para seus livros, e sempre compartilha algumas de suas obras em sua página oficial no Facebook

Quando era mais novo, Barker queria ser pintor, mas sua família não era muito a favor da ideia. Eles queriam que sua carreira fosse algo mais tangível, mais palpável, um trabalho “comum”, e isso fez com que ele desistisse de ir para o Royal College of Art em Londres. No fim, Barker considerou um passo positivo para si: se fosse para alguma escola de artes, provavelmente estaria preso em algum sistema de ensino aprendendo coisas que não precisaria. 

Oficialmente, Barker estudou inglês e filosofia, e somente nos anos 1990, perto dos seus 40 anos, retornou às pinturas com tinta a óleo. Goya e Max Ernst são duas de suas principais inspirações macabras.

Pesadelos em carne

Barker continua nos fascinando com suas histórias e pesadelos em carne, osso e sangue — seja em palavras, seja em óleo. 

Agora, o público brasileiro poderá se aterrorizar com a coletânea mais sangrenta de sua carreira, uma das maiores obras da literatura de terror contemporânea já publicadas. Tudo isso com toda a qualidade que a DarkSide Books pode oferecer, e o pensamento transgressor sempre presente nas obras do selo Macabra

O primeiro volume de Livros de Sangue, com seis histórias macabras, chega à casa dos leitores em outubro, bem a tempo do Halloween — e do aniversário de 8 anos da DarkSide Books. 

Estamos animados por poder transformar aquela nossa experiência de leitura no cantinho mais escondido da biblioteca — com o livro branco repleto de gotas de sangue na capa — em algo maior e mais especial para todos os fãs que já se entregaram para esta obra no passado, e para todos os que ainda vão descobrir os segredos sombrios que a nossa carne esconde.

Preparados?

2 Comentários

  • Ronnie

    5 de outubro de 2020 às 16:46

    Só duas correções: o famoso comentário de King foi em 1985 logo após a publicação de O Jogo da Perdição e Clive Barker nunca teve um livro publicado aqui no Brasil pela editora Francisco Alves. Seu primeiro livro O Jogo da Perdição saiu pela Civilização Brasileira em 1989, antes mesmo de Livros de Sangue.

    Vida longa a Clive Barker, o verdadeiro mestre do horror e da fantasia.

    • DarkSide

      7 de outubro de 2020 às 11:33

      Caveirinha ajustou no post e agradece seu carinho.

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