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EntrevistaGraphic Novel

Danilo Beyruth, autor de Samurai Shirô e com trabalhos para a Marvel e MSP, conversa com o DarkBlog

Quadrinista brasileiro fala sobre referências, do mercado de HQs e da adaptação de sua graphic novel para o cinema

Quadrinista e ilustrador, vencedor de diversos prêmios HQ Mix, Danilo Beyruth é um dos maiores nomes dos quadrinhos brasileiros da atualidade. Em 2009, publicou seu primeiro álbum, Necronauta: O Soldado Assombrado (HQ Maniacs) e lançou o premiado Bando de Dois (Zarabatana, 2010), publicado na Argentina, França e Portugal.

Pela DarkSide Books, Beyruth lançou, em 2018, Samurai Shirô, uma história instigante de lutas sangrentas pelo poder, honra familiar e reencontro com o passado que deixou os leitores presos à trama de Akemi. 

Os trabalhos de Beyruth passeiam por muitos estilos e narrativas e em 2012 Necronauta ganhou um segundo volume, Necronauta: Almanaque do Mortos (Zarabatana). Ainda no mesmo ano, o quadrinista iniciou uma série com o personagem Astronauta, de Mauricio de Sousa, pela Panini, que foi traduzido para diversos idiomas. Beyruth também empresta seu traço para a Marvel Comics, em personagens como Motoqueiro Fantasma, o grupo Guardiões da Galáxia, Cable, entre outros. Antes de Samurai Shirô, ele já havia apostado no escuro com as ilustrações da edição comemorativa de A Noite dos Mortos-Vivos, de John Russo.

Em entrevista ao DarkBlog, Danilo Beyruth falou sobre suas principais influências, a versatilidade de seus desenhos e histórias e o desejo de ver Samurai Shirô nas telas do cinema – o filme baseado na HQ está em fase de produção.

Danilo Beyruth por ele mesmo

Confira o papo completo abaixo:

DarkBlog: Qual o nome dos caras que te influenciaram a seguir pelo mundo dos quadrinhos?

Danilo Beyruth: Minhas influências mudaram um pouco com o passar dos anos, mas os nomes que me influenciaram lá no começo e seguem comigo até hoje são o Jack Durbin, Jack Davis, ilustrador da revista Mad, o espanhol Jordi Bernet, Goran Parlov, que já é mais contemporâneo, mas é o tipo de arte que eu gosto e são os caras que eu coleciono também. O Alex Toth, por exemplo, é um cara que eu acho fantástico e tem uma criatividade ilimitada. Eu acabo tendo uma tendência a gostar dos caras que trabalharam muito com preto e branco, anos 60, profissionais que tinham um trabalho muito pessoal, mas ao mesmo tempo souberam trabalhar com grandes personagens.

Aí, claro, tenho alguma influência de mangá — muito do Katsuhiro Otomo que foi um material muito introdutório pra mim. Gosto muito do Goseki Kojima, que também foi uma referência forte.

O quanto não ter um estilo puro e único estimula a sua criatividade e aperfeiçoa a sua arte? Sabemos dos seus trabalhos com a Marvel e, ao mesmo tempo, vemos Samurai Shirô, Necronauta, o Astronauta, do Mauricio de Sousa, que você também desenhou. Essa versatilidade te ajuda na hora de criar?

O trabalho, às vezes, funciona como um exorcismo pra mim. Depois que exorciza aquilo, ou seja, finaliza aquilo tudo, passo um tempo brincando com a imaginação e, ao mesmo tempo, quando eu estou terminando uma HQ de western, por exemplo, eu já estou querendo começar uma de ficção científica – é uma coisa muito louca, o que tem pra ser feito começa a ficar mais interessante do que aquilo que você está fazendo no momento.

Mas uma coisa que sempre busco é subverter o gênero que estou trabalhando naquele momento. Eu não quero fazer um clichê e cada HQ tem uma narrativa que é uma espécie de conversa com o leitor. Você está colocando um tema para ser discutido e vai chegar em uma conclusão acerca disso no final do trabalho — seja pela moralidade ou pelo lado filosófico de um personagem. São raciocínios e existe isso em tudo o que fazemos. 

Como aplicar isso em seus trabalhos pessoais?

No Samurai Shirô, por exemplo, eu tentei trabalhar algo que ainda não tinha me aprofundado tanto, que é trama. É uma HQ que tem muita trama, é preciso deixar claro onde cada personagem está. Bando de Dois também foi outro trabalho onde tentei mostrar o tamanho que um western pode ter no Brasil, no Nordeste. Então, a cada hora, a cada trabalho, eu tento sempre explorar um terreno novo. Isso é desafiador e muito bom de ver acontecer. Não existe nada novo sob o sol, mas podemos chegar lá, terminar e ter aprendido muita coisa no processo. Eu, olhando de dentro pra fora, não consigo definir o meu trabalho ou reconhecer meu estilo, mas busco sempre essa subversão do gênero.

E o filme? Samurai Shirô vai mesmo para as telas do cinema?

Sim, existe um filme. Estamos numa fase de pré-produção e casting. Já temos um diretor brasileiro, o Vicente Amorim. Esse filme faz parte de um projeto maior que tenho que é provar que conseguimos fazer no Brasil o mesmo tipo de entretenimento que é feito lá fora, nos Estados Unidos, com o tipo de história que supera a realidade. Não precisamos fazer só documentário. O Brasil tem espaço para esse grande entretenimento, existe um mercado que quer consumir e tem muita gente curiosa com o que está sendo produzido aqui. É um mercado muito exportável, muitas pessoas em outros países querem ver o que pode sair daqui do Brasil. Mas a roda do cinema gira muito devagar, ainda não temos datas para revelar. O tempo do cinema é outro e eu já estou escaldado nesse quesito, e sei também que é preciso paciência, mas seguimos trabalhando sempre.

Beyruth na Rio Comic Con, em 2011 (Foto: Tomás Rangel)

Como você vê o mercado de quadrinhos nacional atualmente?

O que está acontecendo no mercado de quadrinhos é algo muito positivo. Temos profissionais que estão conhecendo o mercado de fora, como o André Diniz, o Marcelo D’Salete, que venceu o Eisner – considerada a maior premiação do mundo dos quadrinhos -, e isso é um passo que está sendo dado que é muito importante para nós. Essas adaptações para o cinema também podem acontecer aqui com as nossas histórias. Eu acredito que é possível e pode render muita coisa boa. No Brasil, acabamos sendo condicionados a achar que as coisas são impossíveis, mas só é impossível até alguém ir lá e fazer. Eu acredito nisso.

Muitos jovens e adultos apaixonados pela nona arte, que leem tudo de HQ e se inspiram em seus autores favoritos para desenhar, sonham em seguir carreira no mundo dos quadrinhos. Qual conselho você pode dar pra quem quer se aventurar como desenhista?

Olha, é um conselho cruel, porém verdadeiro. Se você quer desenhar, precisa desenhar todos os dias, se você quer escrever, tem que escrever todos os dias. É preciso ser incansável. O Ray Bradbury, autor de Fahrenheit 451, falou uma vez: “Se você quer escrever, escreva uma história curta por semana. No final do ano serão 52 histórias, é impossível que todas elas estejam ruins”. Acredito que o mesmo se aplica aos quadrinhos, aos desenhos. Lógico que existe o dom e o talento, mas mesmo esses caras talentosos trabalharam muito pra chegar onde estão. As pessoas costumam dizer que determinado artista “já desenha bem” e desconsideram todo o processo trabalhoso e as mil horas de treino para chegar naquele resultado. É fundamental praticar todos os dias.

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