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Em O Último Adeus, temas complexos sobre saúde mental são abordados com consciência

A autora Cynthia Hand consegue falar sobre depressão e saúde mental de maneira clara, equilibrada e cheia de ensinamentos

Por Isabella Álvarez, parceira DarkSide

Algumas etapas da vida são mais complicadas que outras e isso não é nenhum segredo. Mais do que ritos de passagem, esses momentos costumam construir o caráter e a personalidade do ser humano. Explorá-los na literatura é muito comum, mas poucos fazem de maneira interessante, quanto mais fantástica. Em O Último Adeus, Cynthia Hand pega um dos principais obstáculos de nossas vidas:  lidar com a morte de alguém que amamos. Na história, a autora aborda temas como saúde mental, depressão, crescimento, amor e luto.

Alexia Riggs perdeu seu irmão há poucas semanas. Tyler cometeu suicídio quando tinha apenas dezesseis anos, chocando sua família e amigos. Sua irmã precisa aprender a seguir em frente, mas isso é muito mais difícil do que parece. Alexia tem uma grande dificuldade em lidar com suas emoções e, principalmente, com as emoções dos outros sobre a sua perda. Isso não fica nem um pouco mais fácil quando Ty aparece para ela em sua casa, pedindo algumas coisas de forma muito misteriosa. A jovem de dezoito anos precisa agora tentar resolver os problemas inacabados do irmão, enquanto lida com sua mãe traumatizada, um pai distante, um ex-namorado ainda apaixonado por ela e amigos que não sabem mais como ajudá-la.

A história se passa toda sob o ponto de vista de Lex, indo e voltando no tempo através de suas memórias. Ela é uma narradora peculiar, sem demoras em descrições imensas do ambiente ou do que está pensando. Esse estilo de contar a história faz a leitura ficar mais fluida e o leitor sente a história avançar, mesmo com os flashbacks. Embora não mergulhe em uma auto análise psicológica, Lex cresce ao longo da história e isso é visível no texto. No início, conhecemos uma menina isolada, cheia de raiva do mundo, que teme ser feliz. Com o tempo, no entanto, ela se torna uma pessoa um pouco mais aberta e nós vemos o que isso pode trazer de bom para a sua recuperação. Lex se torna, sem nem mesmo perceber, um fator decisivo para que todos consigam seguir em frente .

Todos os personagens apresentam algum tipo de arrependimento, afinal, quem nunca se arrependeu de algo na vida? O problema em O Último Adeus são aqueles que não podem mais ser consertados porque talvez seja tarde demais. As pessoas então aprender a conviver com a culpa seja por não ter sido o suficiente, ou não ter estado presente quando deveria estar, entre outros motivos.

Apesar de ter gostado do desenvolvimento dos personagens, senti que a história se prolongou durante um tempo na parte em que Lex precisa encontrar a antiga namorada de Ty para realizar um dos seus pedidos de seu irmão. Quando temos a primeira aparição de Ty, parece que teríamos um desenrolar maior da questão sobrenatural na história, mas acabamos com pequenos toques fantasmagóricos que decepcionam um pouco se o leitor espera mais do que isso.


Nesse livro, nós ganhamos uma perspectiva sobre a depressão muito mais realista do que várias outras histórias por aí. Essa doença está o tempo todo com a pessoa, que muitas vezes pode estar anestesiada pela situação em que se encontra e ter momentos pontuais de felicidades e esperança. Aqui, é importante deixar claro que a cura da depressão precisa de tratamento psicológico e apoio da família e amigos.

A questão em O Último Adeus é como Cynthia Hand conseguiu levar para o leitor uma história sobre depressão e perda sem exageros que ofendem ou anulam a importância dessa condição, tornando-se uma leitura que ajudaria qualquer pessoa que está passando por isso – assim como, quem tem algum amigo ou parente que tenha depressão – sem aquele teor de auto-ajuda que pode ser enfadonho e repetitivo.

A autora conseguiu alcançar vários tipos de leitores com uma história bem escrita e bem amarrada, que condiz com o que veio mostrar e, na minha opinião, traz uma protagonista muito boa, que não foca nos problemas típicos da adolescência o tempo todo. Tudo tem bastante equilíbrio ao mesmo tempo em que o chão parece ter desaparecido na trama. Foi um romance de medida certa.

Publicado originalmente no blog Anatomia Pop

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