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Ilana Casoy e Raphael Montes falam sobre nova série da Netflix

Em entrevista para o Darkblog, autores comentam mais detalhes da produção da Netflix e sobre sua parceria para escrever o livro que deu origem à nova série

Quando a verdadeira identidade de Andrea Killmore foi revelada, os fãs de Bom Dia, Verônica achavam que todas as surpresas em volta deste thriller hipnotizante e surpreendente da DarkSide® Books haviam acabado. Até que, em setembro, a Netflix anunciou a adaptação do livro para uma série na plataforma de streaming.

Bom Dia, Verônica será a primeira obra de ficção policial a ganhar uma adaptação na Netflix e conta com grandes nomes no elenco como Eduardo Moscovis (policial Brandão), Camila Morgado (Janete) e Tainá Muller (Verônica). A série contará a história da escrivã de polícia Verônica Torres que decide mostrar suas habilidades investigativas assumindo dois casos inesperados, o que acaba colocando a sua vida e a de sua família em jogo.

LEIA TAMBÉM: BOM DIA, VERÔNICA VAI VIRAR SÉRIE DA NETFLIX

Em entrevista ao Darkblog, as duas mentes sombrias por trás do suspense Bom Dia, Verônica, Ilana Casoy e Raphael Montes, comentaram um pouco mais sobre a experiência de escrever um livro a quatro mãos e as novidades a respeito da nova série que já está em produção.  

1 – Ilana e Raphael, comentem um pouco pra gente sobre os principais desafios, dificuldades e alegrias de uma parceria tão rara entre escritores?

Alguns ingredientes fazem parte da receita: não ter vaidade, ser humilde, escutar sempre, esperar o tempo do outro… A harmonia deve prevalecer. O mais importante não é não brigar, é fazer as pazes rapidamente. Nossa parceria é rara porque temos talentos complementares, não disputamos o mesmo lugar de criação. A maior alegria é ler o resultado!

2 – Como vocês imaginavam que seria a reação dos leitores após a revelação da real identidade de Andrea Killmore? O que vocês têm ouvido dos fãs e leitores sobre essa surpresa?

O limite entre mistério e mentira é tênue. A brincadeira sempre teve data para acabar e sentimos, ao percorrer esse caminho, que era hora de revelar tudo para que nenhum leitor se sentisse enganado, porque a intenção era ser divertido e não criar um problema. Os nossos leitores reagiram maravilhosamente bem! Eles se parecem conosco; temos tudo em comum. Muitos disseram que sabiam, outros que jamais imaginaram, mas o que importa mesmo é que adoraram nossa parceria.

LEIAM TAMBÉM: BOM DIA, VERÔNICA: ILANA CASOY E RAPHAEL MONTES SÃO ANDREA KILLMOR

3 – Como a bagagem e a experiência profissional de cada um contribuiu para a criação e desenvolvimento da história de Bom Dia, Verônica? Como misturaram ideias e conceitos possíveis na ficção com a não ficção?

Criamos a trama juntos e só depois trabalhamos em separado. Fazemos uma “escaleta” de cada passo dado na história que contamos, com todas as voltas e reviravoltas a que temos direito. Só depois passamos a buscar amparo técnico, estrutura literária, ganchos, etc.

Ilana é especialmente atenta a questões de verossimilhança, traz as situações para a realidade, graças a sua experiência de anos como criminóloga. Já Raphael foca mais no arco dramático, na evolução das personagens, nas maneiras de contar que geram surpresa e tensão. Um complementa o outro: não se trata de uma divisão de trabalho, mas uma multiplicação dele. A ficção imita a arte ou a arte imita a ficção? No nosso trabalho, isso não importa. Queremos mesmo é contar uma boa história.

Como o livro se transformou em série

4 – Bom Dia, Verônica vai virar série na Netflix, inclusive, a primeira série de ficção nacional produzida pelo canal de streaming. Como isso aconteceu?

Paixão à primeira leitura! Verônica conquistou corações ali. Um diretor da Netflix leu e nos chamou na hora. Essa parte foi a mais fácil, a burocracia legal é que é imensa!

5 – Quando vocês escreveram Bom dia, Verônica, imaginavam que algum dia o thriller se transformaria em uma série para Netflix? Quais os principais desafios encontrados na adaptação de um livro para uma série?

Sonhávamos… Alguns capítulos até chamávamos de “cena”. Nós “assistimos” esse livro desde o começo. Para nós foi precioso contar uma trama em linguagem literária e, depois, no audiovisual. São dois desafios bem diferentes.

6 – A dupla criativa Casoy e Montes já está aparecendo em muitos projetos. Vocês acreditam que o Brasil está começando a criar uma voz própria para o cinema de suspense policial?

Esperamos que sim! Nossa realidade é única e precisa ganhar o mundo, ficar conhecida, mesmo entre os nossos. Nos entristece ver escritores e roteiristas brasileiros usando maneirismos e costumes estrangeiros para enriquecer suas histórias ou criar seus personagens. Nós, brasileiros, somos ricos de pessoas e almas que tem seu jeito particular de conduzir suas próprias vidas.

7 – Quais informações vocês podem nos antecipar sobre a série Bom dia, Verônica e os novos projetos da dupla?

A série é bem diferente do livro. Em alguns aspectos, chega a ser complementar. Literariamente é fácil entrar na cabeça de um personagem, mas no audiovisual ficaria incompreensível e chato usar a forma do livro. Criamos novas situações e personagens para contar quem é Verônica e o que acontece no Bom Dia, que serão aproveitados no próximo livro – Boa Tarde, Verônica – porque adoramos a chegada deles nessa história.  Ter lido o livro não vai evitar novos mistérios e surpresas, isso é garantido.

8 – O que os fãs de Bom Dia, Verônica podem esperar dessa adaptação?  Ficaremos tão chocados como nas reviravoltas do livro?

Sim, e ainda saberão coisas sobre o próximo livro, que antecipamos na série. E provavelmente, a continuação criada a partir do Boa Tarde, Verônica trará novos ingredientes para a sequência – Boa Noite, Verônica! A criação não para, ela é dinâmica. Quando nós lemos o que escrevemos, temos que gostar ou jogamos tudo fora para começar de novo. É preciso ser valente para contar uma história complexa, que entretenha muito e traga novas reflexões em camadas mais profundas.

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