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Crime SceneEntrevista

Lady Killers: Tori Telfer fala sobre assassinas em série

Autora escreveu um dossiê sobre 14 mulheres assassinas e seus crimes ao longo dos séculos

Em 2011, ao explicar suas razões para escrever, Tori Telfer revelou que não consegue dormir com a TV desligada porque tem certeza que a garota de O Chamado sairá rastejando da tela com seu cabelo comprido e molhado. Ainda pequena, ela achou que havia um assassino deitado ao lado na cama quando, na realidade, sua irmã mais nova tinha se enfiado em seus lençóis durante a noite.  Telfer tem pavor de ver seu rosto num espelho escuro.

Ao descrever os motivos que a levaram a escrever sobre mulheres serial killers, a autora de Lady Killers: Assassinas em Série revelou ser obcecada pelo fato de se sentir aterrorizada. Dona de um humor mórbido, Telfer teve contato com histórias sobre mortes e carnificinas pela primeira vez ainda no Ensino Médio quando conheceu as histórias do imperador romano Nero.

Ao pesquisar sobre a vida do antigo imperador, Telfer descobriu que Nero vagava pelas ruas de Roma, à noite, procurando pessoas aleatoriamente para matar e atirar nos esgotos. Quando precisou ler sua pesquisa diante da sala de aula, ela teve uma crise de riso, que acabou em choro, e a sala toda ficou sem entender. O horror das histórias reais da Roma Antiga jamais saíram de sua mente e a levaram a buscar histórias de mulheres com sede de sangue.

Lady Killers: Assassinas em Série é um dossiê sobre 14 mulheres assassinas e seus crimes ao longo dos últimos séculos. Perto dos relatos encontrados pela autora sobre Mary Ann Cotton e Elizabeth Báthory, para citar apenas algumas, Jack, o Estripador ainda era um aprendiz.

 

Leia a entrevista completa com Tori Telfer:

 

Este é seu primeiro livro. Algo surpreendeu você enquanto trabalhava nele?

Surpreendeu o quanto cada capítulo se assemelhava a uma pequena história. Arco narrativo, desenvolvimento das personagens, ganchos — era como se eu estivesse escrevendo ficção, tirando o fato de que não precisava decidir como cada história terminaria. Isso foi bom. Também me surpreendeu o modo como várias dessas mulheres me emocionaram. Muitas eram verdadeiras párias que haviam sofrido bastante, e, embora isso não justifique seus crimes, certamente traz alguma compaixão para suas histórias. E, por fim, me surpreendeu o quão intimidante pode ser a escrita de um livro de não ficção. Lidar com milhares de pequenos fatos, tentando não cometer erros, e ainda assim contar uma boa história, na esperança de que suas fontes sejam confiáveis, imaginando se existe alguma grande fonte esquecida em um livro antigo que você poderia ter descoberto se tivesse procurado melhor — há um nível diferente de ansiedade autoral que simplesmente não está envolvido na criação de mundos ficcionais.

Por que você decidiu abordar um assunto tão sério de um modo bem-humorado?

Bem, parte disso se deve apenas à minha personalidade, para o bem ou para o mal. Para mim, é difícil permanecer muito séria por longos períodos. Além disso, tenho um senso de humor realmente mórbido. Mas, realmente, muitas das personagens deste livro são apenas isto: personagens. Elas são ferozes, imprevisíveis, grandiosas, desprovidas de consciência e, como tal, oferecem oportunidades para lapsos de humor ou sarcasmo. Acho o bispo Ledrede divertidamente melodramático. Acho bastante engraçado que Nannie tenha matado seu marido mais chato envenenando suas ameixas cozidas. Tipo… ameixas! Gosto de imaginar a grandiosa megalomania de Marie e Saint-Croix em seu laboratório, estalando os dedos juntos, devaneando sobre como eles eram os maiores envenenadores de todos os tempos, e por aí vai. Há um pouco de graça nisso.

Também acredito que uma pitada de humor nos ajuda a compreender as coisas. Certas coisas. Somos levados a crer que, para sermos inteligentes, devemos utilizar um tom de voz muito sóbrio e adequado quando nos sentamos para discutir importantes assuntos da humanidade. Porém, na minha experiência limitada, ser intelectualmente rígido é um meio infalível de ver apenas metade do quadro. Obviamente, é importante ser oportuno e não desrespeitoso; às vezes, a seriedade extrema é a única resposta. Mas creio que seja mais fácil adentrar a mente dessas mulheres se não apertarmos os colares da moral com tanta força a ponto de nos estrangularmos.

Qual foi sua parte favorita do processo?

Simplesmente não há nada melhor que descobrir um fato ou indícios de efemeridades culturais que superam qualquer coisa que pudesse ser inventada na ficção. Que tal o fato de que os servos russos na época de Darya eram chamados de “almas”, e que Darya, ainda por cima, era hiper-religiosa? Intenso demais. Isso me dá uma maravilhosa sensação de completude narrativa.

Quem você achou mais assustadora?

Provavelmente Darya. Ela era a mais sanguinária, a mais louca; e, diferentemente de Elizabeth, sua parceira no crime e na riqueza, há uma extensa e rigorosa documentação que indica exatamente o quão ela era culpada. Ela foi acusada de matar 138 pessoas! Era a ditadora do seu próprio pedaço de terra ensanguentado, absolutamente poderosa (por um tempo), completamente intocável. Sua história é certamente um incrível estudo sobre as consequências (e da falta delas) do abuso de poder.

Quem você achou mais intrigante?

Mary Ann Cotton. Qual era o objetivo dela? É algo infinitamente incerto. Suas ações eram tão repetitivas que flertavam com a loucura. Ela é a personificação do ditado que define a insanidade como o movimento de fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes.

Que dama assassina você desejaria ter conhecido?

Bem, Alice Kyteler definitivamente não teria me matado! Seus olhos estavam firmemente voltados para o próximo marido. Ela não teria interesse em assassinar uma escritora, a menos que a tal escritora estivesse em seu caminho (o que eu jamais faria — digo, eu li a papelada, ela era perigosa). Adoraria visitar sua mansão irlandesa, tomar um chá e comer um pedaço de pão irlandês, falar sobre gênero, política e a busca pelo amor. E então eu soltaria uma pergunta despretensiosa, do tipo: “Bem… você está no quarto casamento, e as unhas do seu marido estão caindo. Qual é o problema?”.

Qual capítulo foi mais fácil de escrever? E qual foi o mais difícil?

O capítulo sobre Raya e Sakina foi de longe o mais difícil. No começo, eu não conseguia encontrar muita coisa sobre elas, especialmente em inglês. E o que eu achei estava repleto de fatos, mas continha muito pouco sobre o tipo de pessoa que as irmãs eram. Eu uni cuidadosamente o que encontrei no formato de um capítulo, mas ainda assim as irmãs me pareceram totalmente incognoscíveis. Felizmente, alguém me colocou em contato com a estudiosa Nefertiti Takla, que estava finalizando sua dissertação na ucla sobre as irmãs, e ela generosamente permitiu que eu lesse tão logo a concluiu. Algumas das citações que ela descobriu — como o desafiador monólogo final de Sakina — serviram como pequenas faíscas, por assim dizer, que deram vida às irmãs. A infinita frustração enquanto uma escritora praticamente monolíngue vem de uma insistente sensação de haver algum documento no idioma original que você é incapaz de encontrar ou alguma nuance cultural que não consegue capturar. Você realmente tem de se valer da experiência de outros nesses casos e se conformar com o fato de que jamais contará a história de uma maneira perfeitamente correta.

O capítulo sobre Lizzie Halliday pode ter sido o “mais fácil” porque nele encontrei o problema oposto — montes e montes de informação. O primeiro rascunho tinha o dobro do tamanho dos outros capítulos do livro! Havia tanto a ser dito sobre aquela mulher porque todos os seus crimes eram muito diferentes entre si (o que é uma raridade neste livro repleto de doses sistemáticas de arsênico!). E ela era uma personagem tão viva (embora trágica) que era difícil eliminar as lendas a seu respeito. Sabe o rumor sobre Jack, o Estripador? O carcereiro dela foi parcialmente responsável por isso — ele dizia à imprensa coisas como Sim, noite passada Lizzie admitiu que era o Estripador! Isso não é estranho? Algo tão irresponsável! Mas as pessoas estavam sempre tentando pegar carona na fama de uma dama assassina.

Se você pudesse ver um filme sobre qualquer uma dessas mulheres, quem escolheria e quem escalaria para a adaptação?

Creio que um filme sobre Marie, a marquesa de Brinvilliers, seria um maravilhoso contraponto à figura de Maria Antonieta: uma nobre saltitando por Paris e deixando um rastro de morte em seu encalço. Marion Cotillard seria incrível no papel. Mas eu também adoraria assistir a um filme sobre Kate Bender. Há tanto apelo sexual em sua história, além de temas como o Velho Oeste, mitos e o sonho americano. Poderíamos escalar Faye Dunaway, estrela do clássico Bonnie e Clyde?

Os casos contados em Lady Killers: Assassinas em Série revelam, sem qualquer pudor e através da narrativa leve da autora, as mulheres mais letais da história — tão egoístas e imprudentes quanto os mais conhecidos psicopatas — e suas macabras motivações.

O apetite atroz para a destruição e as motivações da violência feminina despertaram a curiosidade de Tori Telfer e contrariaram todos os arquétipos previsíveis, resultando em um verdadeiro mergulho na mente dessas mulheres. Lady Killers: Assassinas em Série chega ao Brasil pela DarkSide Books, em uma edição matadora, indicada para quem tem espírito investigador.

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