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O mito do vampiro no Japão

O lado sombrio do folclore japonês

16/02/2026

Entre tantos monstros memoráveis que habitam o mundo do terror, os vampiros definitivamente estão entre os mais famosos. Com uma versatilidade impressionante, há muito que eles estão presentes na literatura e no cinema, nos aterrorizando com suas presas afiadas e eterna sede de sangue. 

LEIA TAMBÉM: Descubra o que são yōkai

No entanto, por mais que essas criaturas tenham encontrado um novo lar na ficção, seu mito existe há muito mais tempo. Enquanto culturas antigas como a mesopotâmica, hebraica e grega já contavam histórias sobre entidades sobrenaturais que bebiam sangue, o mito da criatura que hoje conhecemos como vampiro se originou na Europa Central por volta do século XVIII. Foram justamente estas raízes folclóricas que levaram à criação de personagens como Drácula, Carmilla e Nosferatu.

Contudo, isso não quer dizer que os vampiros não existam em outras culturas ao redor do mundo. Embora o mito seja mais proeminente no ocidente, que ajudou a moldar a imagem que temos desta criatura, diversas sociedades têm suas próprias histórias folclóricas de seres sobrenaturais semelhantes.  

O Japão, por exemplo, não possui um único arquétipo de vampiro. A cultura japonesa conta com diversos seres sobrenaturais, conhecidos como yōkai, sendo que alguns deles podem ter semelhanças com os vampiros que conhecemos.

Os nukekubi, por exemplo, são seres femininos cujas cabeças se separam dos corpos à noite. Fruto de uma maldição, essa característica permite que tais cabeças alcem voo, atacando seres humanos e bebendo seu sangue. No entanto, essa não é a única característica que os nukekubi compartilham com os vampiros ocidentais. Além de se parecerem com pessoas normais ao longo do dia, tais seres só podem atacar durante a noite e suas cabeças precisam retornar aos seus devidos corpos antes do nascer do sol. 

nukekubi

Por outro lado, as iso onna, literalmente “mulheres da costa”, são perigosos seres vampirescos que habitam as ilhas de Kyūshū e caçam pescadores e viajantes para se alimentar de seu sangue. Na maioria dos relatos, elas vagam pela costa de praias rochosas, assumindo a aparência de belas mulheres que necessitam de ajuda. Uma vez que conquistam a atenção de suas vítimas, soltam um grito estridente para paralisá-las, utilizando seus longos cabelos para arrastá-las para o mar e sugar o seu sangue. Como existem muitas versões do mito, as iso onna podem ser descritas de várias formas. Em algumas versões, elas aparecem como seres translúcidos da cintura para baixo, enquanto em outras são descritas como grandes o suficiente para esmagar navios.

De forma semelhante, ainda existem as nure onna, serpentes marinhas vampíricas que assombram praias e rios em busca de seres humanos para saciar sua sede de sangue. Comumente encontradas nas praias das ilhas de Kyūshū, elas são descritas com rostos femininos sinistros e uma enorme língua bifurcada de serpente, além de longos cabelos pretos que grudam em seus corpos encharcados. 

Além disso, há ainda dois animais yōkai que se assemelham bastante aos vampiros. A lenda dos nobusuma diz que quando um morcego atinge uma idade muito avançada, ele desenvolve poderes mágicos e se transforma em uma espécie de enorme esquilo voador. A partir disso, o yōkai passa a atacar viajantes que caminham pelas estradas durante a noite, fixando-se em seus rostos e sugando o seu sangue. Os nodeppo, por outro lado, evoluem de um animal chamado mami, o qual se assemelha a um texugo. Bastante parecidos com os nobusuma, eles descem das árvores durante a noite para agarrar os rostos de suas vítimas e sugar seu sangue. No entanto, esses yōkai ainda contam com uma característica bastante singular: eles são capazes de atirar morcegos por suas bocas.

Por fim, também existem os jubokko, os quais funcionam como uma espécie de árvore vampira. Segundo a lenda, em locais que foram campos de batalhas sangrentas e palcos de massacres cruéis é possível encontrar um estranho tipo de árvore, o qual de longe parece relativamente comum. Contudo, um olhar atento rapidamente revela detalhes estranhos, como uma pilha de ossos humanos enterrados em sua vegetação rasteira. A verdade é que os jubokko eram árvores normais, as quais foram transformadas em yōkai após absorveram grandes quantidades de sangue humano. A partir disso, elas desenvolveram um gosto peculiar, vitimando humanos desavisados que passam por perto e sugando todo o seu sangue com seus galhos afiados. Quando a pessoa nota o que está acontecendo já é tarde demais para escapar. 

Vampiros invadem o Japão

A figura clássica do vampiro, definida pelo folclore da Europa Central, começou a se popularizar no Japão após o período Meiji (1868 – 1912). A partir disso, diversas obras da literatura e do cinema, assim como dos animes e do mangá, adaptaram essa criatura e a incorporaram na cultura japonesa. Alguns exemplos clássicos são a série de mangá Hellsing e a série de livros Vampire Hunter D

Recentemente, no entanto, outro mangá se tornou o responsável por reinventar o mito do vampiro no Japão: Shigahime. Escrita por Hirohisa Sato, a obra acompanha Osamu Hirota, um adolescente entediado que tem sua vida virada do avesso quando conhece Miwako, uma poderosa vampira completamente entediada com a eternidade. A partir disso, os dois estabelecem uma improvável aliança, que também se torna um pacto mortal quando Miwako se mostra à procura de alguém para se unir aos seus intentos perversos. 

Shigahime, publicado pela DarkSide® Books, não apenas incorpora os vampiros ao mundo dos mangás, como também surge como uma das obras mais ousadas do horror japonês moderno. Com traços intensos, o mangá leva o leitor por momentos vertiginosos de ação, escolhas morais ambíguas e uma atmosfera sombria em que amor, morte e desejo se misturam de forma perigosa. Já disponível na Loja Oficial DarkSide e no DarkApp, Shigahime é uma obra assustadora e intensa que questiona as fronteiras da humanidade, nos mostrando também que ainda há muito o que ser visto no universo dos vampiros japoneses.

LEIA TAMBÉM: A evolução dos vampiros no cinema

Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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