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O que é a Confederação Blackfoot?

Conheça os grupos indígenas abordados nos livros de Stephen Graham Jones

06/04/2026

Formada por quatro grupos indígenas diferentes, a Confederação Blackfoot está assentada nas Grandes Planícies, que se estendem do Canadá aos EUA. Em solo canadense, mais especificamente nas planícies do sul de Alberta, estão os povos conhecidos como as Primeiras Nações. São elas as nações Káínaa (“Blood Tribe”), Piikani (“Peigan do Norte”) e Siksika (“Blackfoot do Norte”). Já a nação Apatohsipiikani (“Nação Blackfeet”), por sua vez, fixou-se no norte de Montana.

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Há muita especulação e incerteza quanto à origem dos povos que formam a Confederação Blackfoot. Um grupo considerável de estudiosos acredita que os Blackfoot migraram em algum momento após o século XVII da região dos Grandes Lagos para as Grandes Planícies. Essa hipótese se baseia sobretudo em aspectos linguísticos, que apontam uma semelhança entre a língua falada pelos Blackfoot e as línguas algonquinas faladas por povos que vivem próximos dos Grandes Lagos. No entanto, estudos linguísticos mais recentes puseram essa teoria em xeque. Isso para não falar das expedições antropológicas que encontraram vestígios da cultura dos Blackfoot nas Grandes Planícies que remontam pelo menos ao início do século XVI. Alguns estudiosos chegam a citar datas ainda mais antigas. Além disso, estudos recentes apontam que não há qualquer afinidade genética entre os Blackfoot e os grupos Algonquin. 

O que se sabe ao certo é que no início do século XVIII os Blackfoot viviam como nômades caçando búfalos nas planícies da província de Saskatchewan, no Canadá. Eles carregavam seus pertences, que incluíam tendas feitas com pele de búfalo, em trenós primitivos chamados de travois. Inicialmente utilizavam cães para puxar os trenós, mas depois os substituíram por cavalos. 

A organização interna dos grupos Blackfoot seguia um ciclo sazonal. Durante o inverno, cada grupo se dividia em vários bandos liderados por um ou mais chefes. Esses bandos passavam o inverno separadamente em vales fluviais que ofereciam maior proteção a eles. No verão, todos os grupos se reuniam em um grande acampamento para celebrar a Dança do Sol, a principal cerimônia religiosa dos Blackfoot. Era comum que os integrantes da Confederação possuíssem elaborados pacotes de medicina (misturas medicamentosas utilizadas para profilaxia ou cura de doenças).

Foi durante a primeira metade do século XIX que a Confederação Blackfoot conseguiu expandir o controle de uma vasta extensão de terra, que ia do norte de Saskatchewan às nascentes ao sul do rio Missouri. Nesse período, os Blackfoot eram reconhecidos e respeitados por grupos indígenas vizinhos e comerciantes de pele europeus como uma das potências militares mais fortes e agressivas das Grandes Planícies. Em seu auge, os Blackfoot não só impediam a entrada de estranhos em suas terras, como guerreavam com aldeias vizinhas para capturar cavalos e fazer prisioneiros.

A mudança vem no ano de 1855, que ficou marcado pela assinatura do Tratado de Lame Bull ou Tratado de Paz Blackfoot entre o governo norte-americano e os Blackfeet, de Montana. O tratado deu início a um período de transição forçada para a Confederação, que teve sua liberdade de movimento limitada e deu início à dependência de ajuda governamental para que seu povo sobrevivesse. Isso coincide com um momento no qual os interesses do governo dos EUA estavam voltados para a expansão americana em direção ao oeste do seu território. 

As mudanças introduzidas na região por força do Tratado de Paz, acabaram por escalonar a tensão entre os colonos e os Blackfeet. No dia 23 de janeiro de 1870, o conflito atingiu seu ápice com o “Massacre de Marias”, também conhecido como “Massacre de Piegan”, que resultou na morte de aproximadamente 200 indígenas, em sua maioria mulheres, crianças e idosos no território de Montana.

Se antes do “Massacre de Marias”, a existência do tratado não tinha força para impedir que colonos norte-americanos continuassem a se instalar na região em busca de terras para pastagem e recursos minerais, após o banho de sangue indígena os conflitos entre Blackfeet e colonos não cessou mais. Foi durante esse período que o búfalo, principal fonte de alimento da Confederação, quase foi extinto devido à caça predatória. Uma das consequências desse estado de coisas foi o tristemente conhecido Inverno da Fome, ocorrido entre os anos de 1883 e1984, que levou à morte por inanição um quarto dos Apatohsipiikani, a Nação Blackfeet.

Em um esforço conjunto de “civilizar” os povos indígenas, tanto os Estados Unidos quanto o Canadá criaram escolas para crianças da Nação Blackfoot. Esses centros de ensino foram inaugurados entre os anos de 1886 e 1898 nas três reservas canadenses e em 1905, em Montana, nos EUA. Em razão do tratamento severo dedicado às crianças, na primeira metade do século XX, essas escolas enfrentaram sérias críticas e protestos de grupos indígenas. Os protestos resultaram no fechamento das escolas no Canadá, após o governo declará-las ineficazes, e na transferência das crianças para a escola de Montana dedicada à educação da Nação Blackfeet em 1966. Atualmente a antiga escola de Montana é utilizada como um dormitório para crianças que frequentam as escolas públicas de Browning.

Em 1934, o governo dos EUA aprovou a Lei de Reorganização Indígena, cujo objetivo era pôr fim à política de lotação de terras e incentivar as aldeias indígenas a elaborarem suas próprias constituições e governos tribais formais, o que afetou a forma de organização política dos Blackfeet de Montana.

Articulada a essa forma de organização, a Confederação Blackfoot tem sabido usar as inovações tecnológicas e recentes pesquisas arqueológicas como ferramentas para promover a defesa dos seus direitos. 

Pesquisadores isolaram o DNA dos restos mortais de quatro ancestrais pertencentes ao Blackfeet Tribal Historic Preservation Office (THPO), bem como de três ancestrais sob a guarda da instituição Smithsonian. A datação por radiocarbono mostrou que esses restos mortais históricos provavelmente têm entre 100 e 200 anos. Para confirmar e consolidar essas descobertas foi lançado em 2013 o Programa de Origens Antigas Blackfeet, coliderado por uma arqueóloga da Universidade do Arizona. 

Todo material recolhido, fruto das pesquisas citadas, mas não exclusivamente delas, tem implicações históricas, políticas e patrimoniais capazes de, em alguma medida, alterar a correlação de forças entre povos indígenas e governos. É claro que, sozinho, um dado genético não mudará de imediato o panorama das relações entre o governo federal e os povos originários. Mas, sem dúvida, fará uma grande diferença no sentido de fortalecer as posições defendidas pelos grupos indígenas relacionadas à ancestralidade e ocupação do território.

Em breve, teremos a oportunidade de nos aprofundar na cultura e história da Confederação Blackfoot, mais especificamente da Nação Blackfeet. O novo livro de Stephen Graham Jones, que a DarkSide® Books vai publicar em breve no Brasil, é um terror histórico ambientando em 1870, data em que a cavalaria dos EUA promoveu o “Massacre de Marias”.

Em 23 de janeiro de 1870, ocorreu no território de Montana o “Massacre de Marias”, também conhecido como “Massacre de Piegan”, que resultou na morte de aproximadamente 200 indígenas, em sua maioria mulheres, crianças e idosos. Esse ataque fez parte de uma série de medidas que visava acabar com o comunidade Blackfeet e foi desencadeado pelo assassinato de Malcolm Clarke em 17 de agosto de 1869. Clarke, um fazendeiro e comerciante de peles que foi morto por Owl Child, um jovem guerreiro Piegan.

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Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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