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O UNIVERSO DARK DE FÃ PARA FÃ

Darklove

O universo steampunk e contestador de Genevieve Valentine, autora de O Circo Mecânico Tresaulti

A autora foi a primeira mulher a chegar na marca DarkLove e trouxe uma história poderosa aos leitores brasileiros

Por Juliana Fiorese, parceira DarkSide

O Circo Mecânico Tresaulti é uma mistura de distopia, steampunk e fantasia, ambientada em um mundo pós apocalíptico devastado há muito tempo por uma grande guerra, que vai nos contar a história da trupe circense Tresaulti. Criado e comandado pela magnífica Boss, o Circo Mecânico viaja à procura de cidades – pequenas e tão raras aglomerações – para levar e espalhar a alegria e a magia do circo para as pessoas, em tempos tão difíceis.

Qualquer um, desde que esteja desarmado, pode assistir ao espetáculo. As pessoas, mesmo vivendo em locais extremamente perigosos, repletos de bombas, desconfianças e incertezas, se dispõem – pelo menos por algumas horas – a deixarem as suas armas em casa.

Ninguém quer perder o belíssimo espetáculo – dificilmente a trupe volta ao mesmo lugar e, se voltar, talvez aquela cidade não mais exista quando isso acontecer – e a oportunidade de ver criaturas tão fascinantes – e ao mesmo tempo tão sombrias – apresentando-se com maestria no picadeiro. Se, para assistir ao espetáculo as pessoas não podem entrar com armas, o mesmo acontece para quem deseja trabalhar e acompanhar o circo.

Não só desarmadas de armas físicas, as pessoas precisam estar livres de uma arma devastadora, uma arma que está dentro do próprio ser humano: a maldade – seja com o seu semelhante, seja com os animais. As pessoas que desejam viajar com o grupo Tresaulti, chegam à procura de trabalho, segurança, comida ou apenas de um lugar para chamar de lar; e todas são submetidas a testes pelos quais cabe à líder, Boss, decidir quem fica e quem vai embora.

Algumas pessoas chegam à nossa Boss no limite de suas vidas, mutiladas e sem esperanças. Com um grande coração de mãe, ela as acolhe e as salva, transformando-as em seres mecânicos pós-humanos – fantásticos, sombrios – aproveitando tudo o que encontra pela frente: relógios, engrenagens complexas, placas de ferro, cobre, metal, rodas, cabos, etc..

E, de uma maneira mágica, Boss traz essas pessoas novamente à vida, agora até a eternidade onde não mais envelhecem e estarão misteriosamente ligadas para sempre ao Circo Mecânico.

Com a vida, os seres modificados acordam também repletos de vantagens excepcionais e curiosas, como forças humanamente impossíveis e ossos mais leves que o ar. Algumas pessoas continuam humanas… Mas essas nunca ficam muito tempo com o circo e sempre encontram um novo lugar fixo para morar. O livro também aborda criticamente algumas questões governamentais e toda a sua ganância e crueldade com a sociedade geral.

Na história, os governos nunca são duradouros, mas sempre querem saber como Boss faz aquilo com as pessoas, sempre com o intuito de usar esse segredo de maneira bélica, e é sobre esse aspecto que a trama se desenrola. Claramente, O Circo Mecânico Tresaulti é uma história que aborda os sentimentos humanos mais profundos, que traz esperança e lealdade, mas também é inundada por corações ambiciosos e cheios de ilusões, onde pessoas vivem no próprio limite da sobrevivência.

É uma história que fala, sobretudo, sobre a árdua busca de recomeços. Eu consegui me perder o suficiente dentro desse universo sombrio e devastador – criado magnificamente por Valentine  – para me encontrar no caminho da trupe e conseguir enxergar de perto, nos personagens mais feios – seja na aparência ou no caráter – os mais belos e intensos sentimentos, mesmo que eles próprios nem ao certo tenham se dado conta do que realmente sentiram ao longo da narrativa e de toda a eternidade. É isto que acontece quando você termina de ler O Circo Mecânico Tresaulti: Você só percebe que estava quase sem respirar quando vira a última página. Você lê e relê as últimas frases. Você se emociona e reflete. Sua garganta trava, e o único pensamento que vem à sua mente é: que livro espetacular.

Sobre a narrativa da autora Genevieve Valentine

No início, eu achei a narrativa do livro muito difícil de ler; em alguns – vários – momentos eu até precisei reler algumas páginas mais de uma vez para poder entender o que Genevieve Valentine estava me contando. Acredito que isso aconteceu comigo porque o livro é escrito em 1ª, 2ª e 3ª pessoas e, além disso, não segue nenhuma linearidade temporal, misturando a todo momento passado, presente e futuro.

E, além de tudo isso, às vezes também aparecem umas frases em parênteses, que são comentários extras a respeito do que foi contado. O ritmo de leitura é muito irregular, com capítulos que variam entre curtos e longos: existem capítulos de um só parágrafo e outros de até quatro páginas. Eles não seguem nenhum padrão e, na minha opinião, isso só intensificou ainda mais a minha imersão no cenário caótico onde se passa a história e onde as incertezas são as únicas certezas que existem – para os personagens da história e para o leitor -; frisando que é muito importante ler o texto com calma e prestar bastante atenção em tudo que é apresentado, para não perder nada. Eu achei a escrita de Valentine bem desafiadora… E adorei isso!

Publicado originalmente no blog de Juliana Fiorese

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