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Ossos do Ofício

Os principais erros e acertos ao apresentar um livro de ficção

Um ponto de partida para escritores

Quem já teve o prazer (e a dor) de ser editado, sabe como pode ser chocante receber sua mais nova obra de arte com a cor vermelha predominando mais do que no interior de uma melancia. Mas a verdade é que esses apontamentos são naturais, principalmente em uma primeira experiência com edição. Gramática, trama, sentenças frágeis, frases desconexas, tudo é pontuado.

Agora que algumas peças estão no tabuleiro, vamos listar os movimentos que podem colocar seu livro em xeque:

1. Aparência do texto

Parece trivial, mas alguns detalhes realmente podem ajudar. Prefira o simples: folha A4, alinhamento justificado, fonte Times New Roman, tamanho 12, parágrafo 1,25 e espaçamento de 1,5 entre linhas. É fundamental incluir uma pequena carta de apresentação sobre o autor e o texto.

2. Personagens

Seu texto está bonitão, pelo menos em um primeiro olhar, mas o divisor de águas entre um livro interessante e uma narrativa enfadonha são os personagens. Seus protagonistas precisam ser vivos, verossímeis, facilmente confundidos com alguém de carne e osso. Se o seu personagem é passivo demais ou “engessado” como vilão ou mocinho, refaça-o. Personagens verossímeis precisam ter diferentes motivações e camadas de comportamento, precisam reagir de acordo com a situação proposta em cada cena.

Ultra Carnem, meu 1º livro publicado pela DarkSide

3. Diálogos

Não é preciso escrever rigorosamente com a oralidade da fala, mas certos trejeitos podem dar um frescor e uma veracidade a mais nos livros, além de criar marcas inconfundíveis para os personagens. Use diálogos fidedignos com parcimônia, mas use. Mescle-os com descrições e ações. Importantíssimo: saiba usar corretamente travessão ou aspas.

4. Excesso ou falta de descrição

Outro ponto que exige muita atenção. Uma descrição possui dois limites: não descrever coisa alguma ou se tornar cansativa a ponto de retirar a atenção da trama. Mas como saber? Dividir o livro com o máximo de leitores possíveis é sempre uma boa estratégia. Se isso não for possível, tente pelo menos deixar o texto longe dos seus olhos por alguns meses, e você notará as falhas da mesma forma que notaria em um livro de outro autor.

5. Regionalismos

O Brasil é um país continental, então sempre que possível devemos considerar que o leitor não conhece tão bem assim a nossa região em particular. O mesmo ocorre com certos maneirismos, palavras e jargões muito específicos, sequestrados a uma dada localização geográfica. Muitas vezes menos é mais, e tais marcas de escrita devem permanecer nos diálogos, onde realmente são fundamentais.

6. Excessos linguísticos

Nada afasta mais um leitor do que ele se sentir incapaz de compreender o que está escrito em uma página. Se alguém precisa de um dicionário para ler um livro de ficção, alguma coisa está muito errada. Mais uma vez: menos é mais.

Vale ressaltar que, como tudo na ficção, isso também é relativo. Não é preciso deixar a história simplória em nome desse princípio. Faz sentido que, por exemplo, numa cena de cientistas debatendo uma teoria complicada, eles falem de modo complexo. A questão é fazer isso de modo orgânico, coerente.

7. Já existem um Edgar Allan Poe, um Lovecraft, uma Clarice, um Guimarães Rosa e uma Anne Rice

Embora sejamos apaixonados por esses e outros grandes mestres da escrita, não devemos confundir influência com apropriação ou arremedo de estilo. Exercite sua própria linguagem, e a deixe tão fluida quanto for possível. O tráfico de influência na escrita também acontece com autores mais modernos, e que Stephen King abençoe a todos, mas no caso dos autores clássicos, o risco de uma rejeição é ainda maior.

8. Com uma boa história e bons personagens, qualquer livro pode ser salvo

Pode sim, mas nesse caso, caberá à editora decidir sobre a aprovação ou não. Embora leve o nome do autor na capa, o livro editado profissionalmente é um trabalho coletivo, no qual as outras pessoas que trabalham no livro querem publicá-lo da melhor forma possível.

O mais seguro e profissional é produzir um livro que não cometa grandes desvios gramaticais. Se o autor tiver grandes dificuldades nessa parte, melhor trabalhar nisso o quanto antes, ou providenciar uma revisão prévia.

9. Narrador

A decisão da voz narrativa é do autor, mas alternar entre primeira e terceira pessoa, por exemplo, pode ser um movimento arriscado. Sobretudo se falamos de um primeiro trabalho de um jovem autor, faça uma opção narrativa e a mantenha até o fim. Isso também é válido para o tempo verbal da narrativa.

10. Trilogias, sagas e epopeias

Se é a primeira vez que você procura uma casa editorial, escolha um projeto completo, com começo, meio e fim. Deixe os projetos maiores e mais arriscados para o futuro, quando sua relação com a editora e os leitores estiver mais consistente.

Essas observações são apenas um ponto de partida na avaliação de um primeiro rascunho, mas podem ajudar e muito as chances de se conseguir uma boa casa editorial. Também é preciso conter a ansiedade. A demora em uma resposta pode apenas significar que o trabalho ainda não foi lido, ou se encontra na fila de avaliação. Já uma resposta muito rápida e negativa, pode significar que o original não está sendo devidamente lido e avaliado naquele momento. A escrita requer paciência, resistência aos “nãos”, resiliência, e na maioria das vezes essa dura experiência contribui para que um autor se torne ainda mais competente. No mais, é ler até os olhos doerem e escrever até os dedos sangrarem.

Sobre Cesar Bravo

Cesar Bravo é escritor, criador de conteúdo e editor. Pela DarkSide® Books, publicou Ultra Carnem, VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue e DVD: Devoção Verdadeira a D.

5 Comentários

  • Álex Souza

    30 de julho de 2021 às 21:39

    Ótimas dicas!

  • Rosival dos Santos

    2 de agosto de 2021 às 14:53

    Dicas enxuta e muito bem-vindas…Parabéns!

  • Jhe Bouvie

    2 de agosto de 2021 às 19:29

    Bravíssimo!!! 🙂

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