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Quando Thom Yorke foi “muito Black Mirror’’

Temas do livro do vocalista se parecem com da aclamada série

27/03/2025

Desde que a série saída da mente do genial Charlie Brooker se popularizou com a ida para o catálogo da Netflix, “isso é muito Black Mirror” virou praticamente um bordão, repetido sempre que uma história surrealista com toques de tecnologia e mídia ganha as manchetes do mundo real. E pelo visto, Thom Yorke, o genial vocalista do Radiohead, teve seu momento “isso é muito Black Mirror”, muito antes da série tomar o mundo de assalto por seu futurismo dolorosamente realista.

LEIA TAMBÉM: Muito antes de Black Mirror, Charlie Brooker imaginou como seria Big Brother invadido por zumbis

Um dos primeiros textos de Nação Tomada Pelo Medo, livro lançado por Yorke e Stanley Donwood, o designer da banda inglesa, em 2021 – e traduzido para o português por João Paulo Cuenca, aqui pela DarkSide Books, em 2024 – deixa no leitor aquela sensação de “isso é muito Black Mirror”.

O livro, que compila textos, poesias, rascunhos e desenhos da época do lançamento praticamente conjunto dos clássicos modernos Kid A e Amnesiac – entre 2000 e 2001 – tem a mesma pegada do terror midiático muito entranhada no DNA do Radiohead e que anos mais tarde, daria a tônica do sucesso da Netflix.

Em “No Ar”, segundo capítulo de Nação Tomada Pelo Medo, Yorke narra a história de um sujeito que vai ao mercado num dia chuvoso e acaba cercado por uma multidão que acredita que ele pode voar. Atônito, ele percebe que um jornal do bairro publicou uma matéria sobre um homem que realmente era capaz de voar, ilustrada por uma foto do pobre coitado que só queria garantir sua subsistência. 

“A multidão não dará trégua até que eu mostre meus incríveis poderes”, diz o personagem, claramente aflito com a situação em que se encontra. Ele tem medo de sofrer retaliação por parte da multidão, cada vez maior, que perceberia que ele era um charlatão. 

nação tomada pelo medo

Se você acompanhou, especialmente as primeiras temporadas de Black Mirror, que estreou em 2011 na TV inglesa, e portanto muito depois de a história contada por Thom Yorke e ilustrada por Stanley Donwood (mas muito antes de ela ganhar o mundo), sabe que a história de um homem confundido pela mídia com alguém capaz de voar e que se aflige com a consequências deste erro, que pode ser mortal na era da pós-verdade, poderia muito bem render um episódio da série. E Charlie Brooker está alinhado com a arte do Radiohead. A maravilhosa Exit Music (For a Film) pode ser ouvida no episódio “Shut Up And Dance”, da terceira temporada de Black Mirror. Gênios reconhecem gênios, afinal.

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Sobre Liv Brandão

Avatar photoJornalista, criadora de conteúdo e roteirista. Passou por veículos como O Globo e UOL sempre falando de cultura e entretenimento. É especialista em séries de TV, mas também fala de filmes, música, literatura e o que mais vier.

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