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Tom Savini: O mestre das maquiagens dos filmes de terror

Relembre cinco trabalhos que demonstram o talento de Tom Savini, mestre consagrado do cinema de horror.

Alguns atuam, outros preferem ficar por trás das câmeras, mas algumas pessoas gostam dos dois papéis — ou até de mais. Mestre das maquiagens, das próteses, dos efeitos práticos e um dublê exemplar, Tom Savini já fez de tudo um pouco ao longo de sua honrada carreira no horror.

Tom Savini nasceu no dia 03 de novembro de 1946. Ainda jovem se encantou com o trabalho de Lon Chaney, um dos maiores mestres da maquiagem das primeiras décadas do século XX, conhecido como “O Homem das Mil Faces”. Chaney inspirou os primeiros passos de Savini em direção à profissão que o lançou ao mundo do terror, e o tornou um dos caras mais queridos entre os fãs do gênero.

LEIA TAMBÉM: LON CHANEY E LON CHANEY JR.: O TERROR COMO TRADIÇÃO FAMILIAR

Ainda na infância, enquanto se admirava com o trabalho de Chaney, Savini utilizava de tudo o que encontrava para praticar os efeitos de maquiagem em si mesmo. Além disso, também descobriu que adorava atuar. Na juventude, frequentou por três anos a Carnegie-Mellon University, e se tornou o primeiro estudante não-graduado a receber o “full-fellowship” — um tipo de bolsa para custear os estudos de seus alunos, além de alguns outros benefícios — no programa de atuação e direção.

Mas, depois de três anos, Savini se alistou no Exército dos Estados Unidos, e foi ao Vietnã como fotógrafo de combate. Anos mais tarde, durante seus trabalhos, quando perguntado como ele fazia suas maquiagens serem tão assustadoras, conta que sempre se lembra dos momentos que viveu durante a guerra, tudo que viu por lá, e todas as situações terríveis que teve que presenciar como fotógrafo.

De volta aos Estados Unidos, Savini voltou para a sua paixão: o cinema. Ficou reconhecido por suas maquiagens extremamente realistas e fortes, deixando de boca aberta atores e equipe técnica de filmes em que trabalhava. Além disso, sempre foi considerado como alguém carismático, que se divertia muito no set de filmagem, como contam os entrevistados do livro Sexta-Feira 13: Arquivos de Crystal Lake, de David Grove. No livro, do qual Savini escreveu o prefácio, vários momentos da equipe de filmagem do primeiro filme da franquia Sexta-Feira 13 são divididos com o público.

Com mais de 30 créditos em maquiagens, direção e atuação, Savini é uma figura consagrada na indústria do terror. Selecionamos cinco de seus trabalhos mais famosos para celebrar o talento de um grande mestre.

SEXTA-FEIRA 13

Friday the 13th, 1980 – MAQUIAGEM, ATOR, DUBLÊ // Savini estava entre os membros da equipe de produção do Sexta-Feira 13 original, como responsável pelos efeitos especiais e maquiagens. Aliás, muito do que vemos no filme é graças a ele. Savini alega ter criado a cena em que Jason ressurge no lago do Acampamento Crystal Lake (assim como outros membros da equipe também requerem os créditos pelo momento), mas, para além disso, a maioria dos efeitos e maquiagens foram criados por ele: todas as mortes, incluindo a morte do personagem de Kevin Bacon na cama, a flecha disparada ao alvo para assustar a personagem de Laurie Bartram, e o cadáver da personagem de Bartram que voa pela janela também foi feito por Savini, com seus talentos de dublê. Ou seja: pau para toda obra.

A NOITE DOS MORTOS-VIVOS

Night of the Living Dead, 1990 – DIRETOR // Savini recebeu sinal verde e carta branca de George Romero para fazer esse remake. Inclusive, o roteiro foi escrito pelo próprio Romero. Uma das atualizações que o filme sofreu foi no próprio papel de Barbara. Savini tinha feito algumas aulas com Patricia Tallman, que se tornou dublê de algumas séries como Star Trek: The Next Generation, e Savini queria que Barbara fosse mais do tipo de ação, pois havia visto Sigourney Weaver na franquia Alien e queria uma protagonista daquele jeito. Já para o papel de Ben, outros atores fizeram testes, como Laurence Fishburne e Eriq La Salle, mas em entrevista sobre a produção do filme, Savini conta que assim que Tony Todd chegou, leu o roteiro em cinco minutos, retornou, declamou suas falas e conseguiu produzir lágrimas, ele soube que aquele era o Ben. O filme original é um clássico e isso não entra em questão, mas o filme dirigido por Savini também tem suas qualidades.

DESPERTAR DOS MORTOS

Dawn of the Dead, 1978 – MAQUIAGEM, ATOR, DUBLÊ // Tom Savini fez muitas coisas em Despertar dos Mortos, de ator a maquiador e efeitos especiais. Se você conhece a trajetória de Savini, deve saber que ele gosta de interpretar um motociclista durão. Bom, em Despertar dos Mortos, ao que diz respeito a sua atuação, é exatamente isso o que ele é. Tanto que seu crédito como ator no filme aparece com o nome de “Motoqueiro Rayder”. Já ao que se refere ao seu trabalho como maquiador, Savini contou em entrevista que o sangue que usou em Despertar dos Mortos era horrível. Ótimo dentro da garrafa, mas quando usado parecia “giz de cera derretido”. Isso foi resolvido depois, quando Savini se encontrou com Dick Smith, uma das maiores lendas das maquiagens e das próteses do cinema, que lhe passou sua fórmula para sangue. Savini utilizou a fórmula em seus filmes seguintes, incluindo Sexta-Feira 13.

LEIA TAMBÉM: DICK SMITH, O PODEROSO CHEFÃO DA MAQUIAGEM

CREEPSHOW: ARREPIO DO MEDO

Creepshow, 1982 – MAQUIAGEM, ATOR // Nessa mistura macabra e até meio cômica entre Stephen King e George A. Romero, Savini também colocou seus dedinhos para criar a maquiagem e os efeitos práticos. E, apesar de ser menos vívido que alguns de seus trabalhos anteriores, Creepshow nos mostra o controle de suas criações, se afastando de seu lugar comum de cabeças voando e corpos e membros decepados para algo muito mais contido — e ainda sim, às vezes, muito mais nojento. Tom Savini retornou para o universo de Creepshow como consultor de maquiagem em Creepshow 2, e também no revival que a produção recebeu em 2019, em formato seriado. Savini dirigiu o segmento “By the Silver Water of Lake Champlain”, baseado em um conto de Joe Hill. Uma curiosidade interessante é que, no prefácio de Carrossel Sombrio, onde o conto foi publicado, Joe Hill se relembra com carinho dos momentos em que esteve junto de Savini. Hill era somente uma criança, mas acompanhou seu pai, Stephen King, nas gravações do filme.

O MANÍACO

Maniac, 1980 – MAQUIAGEM, ATOR // Outro dos filmes que Savini fez um pouco de tudo, foi ideia do próprio maquiador interpretar um personagem em que ele explodisse sua cabeça. Em entrevista, Savini contou que trabalhar com Joe Spinell, roteirista do filme, que trabalhou como ator em Rocky: Um Lutador e em O Poderoso Chefão. Certo dia, enquanto Savini já estava na equipe de O Maníaco, conversando com Spinell e William Lustig, diretor do filme, ele mencionou que tinha uma máscara de si mesmo, então por que não deixá-lo interpretar um personagem que tivesse a cabeça explodida? E, novamente, seus talentos de dublê e de utilizar o pouco que tem a sua disposição para criar efeitos aterrorizantes, falou a seu favor. O Maníaco é um filme não tanto mencionado quanto os outros, mas tem um trabalho interessante de Savini. O filme recebeu uma sequência em curta-metragem em 1986 chamada Maniac 2: Mr. Robbi e um remake em 2012, dirigido por Franck Khalfoun e protagonizado por Elijah Wood.

Sobre Macabra

Macabra Filmes é a fazenda do terror. Compartilhamos o horror e a beleza, a vida e a morte. Brindamos com sangue as alegrias de existir. Cultivamos o primeiro suspiro, o abrir de olhos, o frio na espinha, o grito na montanha russa, o crepúsculo e a eterna escuridão. Para nós, o medo é natural — e a vida, um presente sobrenatural. É puro terror. 100% macabra.

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