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Tony Todd, de fã de Shakespeare a astro de filmes de terror

Ele fez do horror o seu lar, e hoje é uma das grandes vozes na popularização do cinema de gênero.

Os anos 1990 nos presentearam com vários filmes super legais de terror, apesar de alguns fãs do gênero discordarem. Depois de muitos slashers de sucesso e filmes com criaturas macabras dos anos 1980, a década seguinte experimentou muito. Candyman, de Bernard Rose, é uma das pérolas da década e ajudou a alavancar a carreira de Tony Todd.

E é sobre ele mesmo que queremos falar.

Tony Todd nasceu Anthony Tiran Todd, em 04 de dezembro de 1954, e participou de uma enorme quantidade de filmes. Foi no terror, entretanto, que encontrou um lar.

Tony Todd encontra Shakespeare

Apesar de, hoje, seu nome ser amplamente associado ao terror, Tony Todd não deu seus primeiros passos com nenhuma obra de gênero. Ele conta que foi um garoto desajeitado no colégio, daqueles que se prende no próprio armário e não sabe falar com garotas. Seu professor de inglês, certo dia, lhe deu uma cópia de A Tempestade, de Shakespeare, e Todd se apaixonou imediatamente pela interpretação. Ele podia adicionar seus comentários e dar o tom para aquelas narrativas conforme seu coração mandava.

O ator confessa que não imaginava que fazer filmes de terror seria seu destino. Fã de cinema de modo geral, admite que os filmes de terror têm um espaço especial em seu coração por conta dos Monstros da Universal, que assistia na televisãozinha de sua querida tia.

Entre suas obras favoritas estão O Bebê de RosemaryThe Incredible Shrinking Man (1957) e o original The Fly (1958).

“Às vezes você só precisa tirar um momento para respirar e apreciar
o que você tem, e não o que você acha que precisa.”

O início da carreira

Tony sempre fala com carinho de suas atuações no teatro. Atuou muitas vezes na Broadway, foi o ator principal em King Hedley II (de August Wilson), The Captain’s Tiger (de Athol Fugard), além de outras peças como Les BlancsOthelo, etc.

Ele conta que o teatro é sua mídia favorita por ser necessária uma enorme preparação conjunta para o papel. Todos os ensaios e o contato com outros atores tornam a experiência diferente da televisão e dos filmes.

No cinema, sua vida começou com Sleepwalk, de 1986. Dirigido por Sara Driver, o filme conta a história de uma mulher que vê sua vida ser engolida por um manuscrito chinês no qual está trabalhando. Este primeiro papel de Todd não é dos maiores, mas foi um bom início no cinema. O filme seguinte, Platoon, foi um marco nos filmes de guerra, e lhe deu a oportunidade de trabalhar com Oliver Stone.

Mas a vida de Tony Todd mudaria de verdade ao encenar o remake de A Noite dos Mortos Vivos, de 1990. O filme foi seu primeiro papel principal, e Todd sempre conta como foi importante ter esse papel. A primeira vez que viu o filme de Romero, conta o ator, foi em um drive-in, e ele ficou surpreso por assistir um filme com um ator negro no papel principal, além de ficar surpreso em como o filme era “genuinamente assustador”.

LEIA TAMBÉM: DESCUBRA FILMES DE TERROR DIRIGIDOS, PRODUZIDOS E PROTAGONIZADOS POR NEGROS

Todd conta também que correu até o escritório do produtor executivo, pegou o diretor (que era ninguém menos que Tom Savini) pelo colarinho e lhe implorou o papel. Ele disse a Savini que precisava fazer um teste para o elenco. Naquele mesmo dia, Todd conseguiu o papel. A Noite dos Mortos Vivos, sem dúvida, carrega uma enorme pressão. Mas Todd tirou de letra seu papel, e começou aí sua jornada como uma grande figura nos filmes de terror. Ainda em 1990 esteve em Voodoo Dawn, filme dirigido por Steven Fierberg.

Candyman, seu maior personagem

Seu próximo papel significativo — e que ainda hoje é lembrado com carinho pelos fãs — é O Mistério de Candyman, de 1992.

Baseado no conto de Clive Barker, The Forbidden (que foi publicado no Brasil pela DarkSide Books), O Mistério de Candyman conta a história de um assassino com um gancho no lugar de uma das mãos e aparece para qualquer um que diga seu nome cinco vezes em frente e um espelho. A lenda é poderosa entre os moradores de Chicago, e uma jovem pesquisadora decide se aprofundar na história, vendo-a tornar-se real diante de seus olhos. Existem diferenças entre conto e filme, mas a essência é a mesma: puro terror.

O Mistério de Candyman é um dos grandes clássicos do terror dos anos 1990 e se tornou significativo para os filmes que vieram depois ele. Com sua potente voz e postura, Todd conseguiu dar mais do que vida ao personagem idealizado por Clive Barker: ele lhe deu uma personalidade forte e arrebatadora. Quase encantadora.

O filme teve um impacto positivo em sua representação, e abriu diálogo com a comunidade. Membros de gangues adoraram o filme, o que possibilitou que Todd falasse diretamente com eles. Ele conta em uma entrevista que sonhava em ter uma fundação que pudesse levar adolescentes de diversos cenários e vidas para algum lugar todos os anos, para mostrar a eles que haviam outros mundos, mundos diferetes dos deles. De certa forma, Todd conseguiu encontrar diálogo com jovens.

Todd também participou da sequência do filme, em 1995, que infelizmente não fez tanto sucesso quanto o primeiro. 26 anos depois, Todd reprisou seu papel de Daniel Robitaille em A Lenda de Candyman, dirigido por Nia DaCosta e com produção de Jordan Peele.

Yahya Abdul-Mateen II em A Lenda de Candyman (2021)

Em 1994 Todd fez uma pequena participação em O Corvo, adaptação da obra de James O’Barr para o cinema. Ele interpreta o capanga de Top Dollar, Grange. Participou também, na primeira metade da década de 1990, de episódios de Jornada nas Estrelas: a Nova Geração (1990-1991), Lei & Ordem (1994), e Arquivo X (1994).

Nesse momento, Todd já tinha concretizado sua carreira como ícone do terror daquele período, e passou a fazer participações em filmes que seriam ainda muito lembrados nos anos seguintes. Em 1997 participou de O Mestre dos Desejos, dirigido por Robert Kurtzman, o primeiro de uma franquia bastante adorada pelos fãs do gênero, com o papel de Johnny Valentine.

Em 2000 começou a fazer um personagem que viria a ser importante no mundo da franquia Premonição. Bludworth é um coveiro que parece saber muito mais sobre a morte do que as pessoas em profissões similares sabem. Ao ser procurado pela primeira leva de sobreviventes, Bludworth conta como a morte pede um preço daqueles que não foram levados no momento correto. Ao longo da série, continua sendo procurado por jovens desesperados que não querem ser pegos por mortes violentas.

Ainda em 2000 participou como Vyasa no seriado Angel, e em 2001 como Earl Jenkins, no seriado Smallvile. Em 2007 participou de Shadow Puppets, filme de horror dirigido por Michael Winnick. Entre tantos outros papéis, dentro do terror mais recentes temos filmes como: Scream at the Devil (2015), Agoraphobia (2015), Death House (2017), Parque do Inferno (2018) e outros. A lista é realmente grande.

O curioso é que Todd acha engraçado que sempre lhe deem os papéis assustadores. Ele é um homem gentil, sorridente, brincalhão e bem resolvido. Costuma brincar que devem existir sombras em algum lugar, mas não lhe afetam porque já é um garoto crescido.

Vida longa a Tony Todd

Se não fosse ator, Tony Todd seria professor. Ele ama ensinar, ama se comunicar, ama ver que as pessoas prestam atenção no que fala e ama o brilho no olhar de quando alguém compreende algo.

Além de cultivar um enorme jardim, ele resgata animaizinhos em perigo. Inclusive, ele tem três gatinhos — Zippy, Charlie Parker e Sparky — e de vez em quando os menciona em entrevistas.

Mesmo que hoje seja considerado um ícone pro gênero de terror, Todd afirma que teve sorte de ter estado em papéis icônicos, mas que seus papéis em terror correspondem somente a 30% de tudo que fez. Certo, ele fez muitas (MUITAS!) coisas, mas ainda assim, o que levou Todd a ser reconhecido como um grande mestre do gênero foram seus papéis muito bem escolhidos e desenvolvidos, que se transformaram facilmente em filmes importantes e representativos para o gênero.

Vira e mexe ele participa de eventos para fãs de terror, e até celebrou o próprio aniversário com um bolo especial de Candyman no New York Horror Film Festival.

Tony Todd é um dos grandes nomes do terror, e torcemos para que ele continue ainda fazendo muitos filmes, falando em muitos documentários, e sendo tão importante para as próximas gerações de fãs de terror quanto é para nós.

Sobre Macabra

Macabra Filmes é a fazenda do terror. Compartilhamos o horror e a beleza, a vida e a morte. Brindamos com sangue as alegrias de existir. Cultivamos o primeiro suspiro, o abrir de olhos, o frio na espinha, o grito na montanha russa, o crepúsculo e a eterna escuridão. Para nós, o medo é natural — e a vida, um presente sobrenatural. É puro terror. 100% macabra.

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1 Comentário

  • Sybylla

    3 de janeiro de 2022 às 12:47

    Tinha um medo lascado dele em Candyman! Não aguentava nem olhar. Mas sou muito fã dele em Star Trek, onde ele interpreta o irmão do tenente Worf. Vida longa a Tony Todd!

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