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O UNIVERSO DARK DE FÃ PARA FÃ

Crime Scene

Vítima de Ted Bundy conta como escapou com vida de ataque

Kathy Kleiner foi umas das duas mulheres que sobreviveram ao ataque brutal do serial killer Ted Bundy em janeiro de 1978

Por Tori Telfer

De vez em quando, Kathy Kleiner Rubin gosta de entrar em uma livraria com seu marido, Scott, e seguir direto para a seção de true crime. Ela examina as estantes até encontrá-lo: um livro sobre o serial killer Ted Bundy. Talvez Ted Bundy: Um Estranho ao Meu Lado ou The Only Living Witness. Qualquer que seja, ela provavelmente já leu, mas mesmo assim vai pegá-lo da prateleira e virar as páginas até achar seu nome. Então, ela vai olhar para seu marido e sorrir. “Agora acha você um livro com seu nome nele”, diz ela.

Você não saberia, vendo ela brincar desse jeito, que Kleiner está segurando um livro sobre um homem que quase a matou. Ela tinha 20 anos quando Ted Bundy entrou escondido em seu quarto na Universidade Estadual da Flórida (FSU), 22 quando ele foi sentenciado à morte e 32 quando ele finalmente foi amarrado à Old Sparky, a cadeira elétrica da Flórida. Com o passar dos anos, Kleiner poderia ter tentado esquecê-lo, mas em vez disso ela decidiu tentar desvendá-lo — que é a razão pela qual ela fica tão confortável na seção de true crime de qualquer livraria.

Existem tantos livros sobre Ted Bundy que Kleiner conseguiu dedicar uma seção inteira de sua biblioteca a eles, e livros são apenas a ponta do iceberg Bundy. Esse “vício Bundy”, como chamou o advogado de defesa John Henry Browne, vem na forma de filmes, documentários, especiais do Oxygen Channel, camisetas, cartões, contas de fãs no Tumblr, letras de rap, adesivos de carro, canecas, meias, uma nova série-documentário na Netflix chamada Conversando com um serial killer: Ted Bundy, além de um filme muito badalado em Sundance chamado Extremely Wicked, Shockingly Evil and Vile.

Um dos clássicos de true crime mais aguardados pelos leitores brasileiros, Ted Bundy: Um Estranho ao Meu Lado, escrito por Ann Rule, foi lançado no Brasil pela DarkSide Books e mostra a história de um dos mais conhecidos serial killers por um viés inusitado e ainda mais assustador, já que Rule foi colega de trabalho de Bundy em um centro de prevenção ao suicídio.

Muito do conteúdo sobre Bundy diz que ele era uma pessoa horrível, mas, ainda assim, há uma insinuação — mesmo que discreta — de admiração a ele, já que a boa aparência e o inegável charme se tornaram parte essencial de sua lenda. No ano em que ele foi preso, o New York Times disse que ele era “Kennediesco”, e 41 anos depois, Zac Efron está interpretando Bundy, com o filme exibido em um prestigiado festival internacional de cinema. Em alguns momentos, o ataque parecia cruel. Em 2018, Kleiner se inscreveu no Twitter e uma conta de fã de Ted Bundy respondeu ao seu primeiro tweet: “Ah, aí está você, Kathy”.

Kleiner não se importa com os filmes e as camisetas. De certa forma, ela está feliz que as pessoas ainda estão falando sobre o homem que tentou matá-la. “Ele existiu, ele viveu, ele respirou e ele fez o que ele fez. E em algum momento ele…”, ela ri, “provavelmente foi uma pessoa real. Eu acho bom que as pessoas leiam sobre o Bundy. Realmente acho. Elas precisam saber que existe mal lá fora, mas que elas podem controlá-lo.

Ted Bundy pode ter vivido e respirado, mas Kathy Kleiner também viveu apesar dos esforços dele e ela gostaria de falar sobre isso. A entrevista com Kleiner para a Rolling Stone foi feita por Tori Telfer, autora do livro Lady Killers: Assassinas em Série, também publicado pela DarkSide Books.

Kathy Kleiner aprendeu a lutar por sua vida muito antes de Bundy abrir a porta de seu quarto. Ela nasceu em 1957 de pais cubano-americanos. Depois que seu pai biológico morreu, quando Kleiner tinha 5 anos, sua mãe Rosemary casou-se com Harry Kleiner, um alemão alto e gentil da Pensilvânia. No sexto ano em Fort Lauderdale, Kleiner foi diagnosticada com lúpus, hospitalizada por meses e, eventualmente, encaminhada para uma dose experimental de quimioterapia que a deixou tão faminta que ela comia tigelas de sucrilhos e carne crua esquentada no microondas. Depois da quimio, seu sistema imunológico estava tão enfraquecido que ela precisou estudar em casa durante o sétimo ano.

Depois do lúpus, Rosemary estava convencida de que sua filha era frágil. Ela impôs regras, que tinham sido passadas pelos médicos: nada de educação física, nada de sol, e quando ela crescesse, certamente nada de bebês. Em vez de educação física, Kleiner fez teatro no ensino médio, algo que ela amava. Depois de ter passado o ensino fundamental em camas de hospital e cadeiras de quimioterapia, fazer palhaçadas para um público era incrível. Ela era uma menina pequena, com quase um metro e meio de altura, e durante uma apresentação de Natal interpretou a estrela no topo da árvore.

No outono de 1976, Kleiner se matriculou na FSU em Tallahassee (capital do estado da Flórida), e fez um juramento para a fraternidade de mulheres Chi Omega depois de ser recomendada por sua amiga de escola Suzy White. Quando era caloura, Kleiner morou em um dormitório feminino, mas seus pais a convenceram a se mudar para a república da Chi Omega no seu segundo ano. A casa tinha uma governanta e uma combinação de trancas nas portas. Ela estaria mais segura lá — todos pensaram. Naquele dezembro, Kleiner e sua mãe passaram horas comprando novas roupas de cama e decorações para o seu quarto em tons de branco e verde.

A colega de quarto de Kleiner, uma veterana chamada Karen Chandler, também foi igualmente cuidadosa com seu lado do quarto e as duas estavam muito orgulhosas do resultado. Elas tinham um pequeno baú entre as camas, onde colocavam livros, uma lâmpada e os óculos de Kleiner. Chandler pendurou plantas em formas de macramê no varão da cortina, então as garotas nunca as fechavam. Sua janela dava para os fundos da república e, já que estavam no segundo andar, elas se sentiram seguras deixando as janelas descobertas. Kleiner gostava de como a luz do sol sempre entrava pela janela e iluminava o quarto.

O dia 14 de janeiro de 1978 foi um sábado e, naquela manhã, Kleiner vestiu-se cuidadosamente, pois ia para um casamento na Wesley Chapel. Ela ia à pequena igreja desde seu primeiro ano na universidade e estava namorando um rapaz da congregação, David DeShields. A noiva era uma estudante de enfermagem e uma grande amiga de Kleiner. Depois da festa, Kleiner voltou para a Chi Omega, colocou seu pijama, uma camisola de flanela amarela que tinha acabado de ganhar de Natal, e estudou na cama enquanto Chandler lia silenciosamente do outro lado do quarto. Por volta das 22h30, as meninas apagaram as luzes e foram dormir.

Por volta das 3 da manhã, a porta do quarto delas abriu e uma figura sombria entrou, tropeçando no baú que elas deixavam entre as camas. Kleiner acordou. Quando Ted Bundy chegou em Tallahassee, ele estava foragido e louco por outra vítima. Ele havia trancado a faculdade de Direito e não sabia pronunciar algumas palavras da maneira correta. Por mais que ninguém soubesse ainda, pelo menos não oficialmente, ele já tinha matado dezenas de jovens mulheres em Washington, Utah e no Colorado, e já havia sido preso por suspeita de sequestro e homicídio. Na ocasião, Bundy insistiu que era inocente, mas fugiu da prisão duas vezes: uma pulando pela janela do tribunal de justiça em Aspen, outra pelo tubo de ventilação no Colorado Springs, daí ele fugiu para a Flórida, onde alugou um quarto perto da Chi Omega e ficou lá esperando.

Por volta das 2h45 da manhã do dia 15 de janeiro, Bundy foi até a república, onde ele descobriu duas coisas importantes: uma pilha de lenha atrás da porta dos fundos e uma tranca quebrada. Após pegar uma lenha, entrou escondido e subiu pela bela escada de madeira que levava ao corredor do segundo andar. Ele entrou no primeiro quarto, onde Margaret Bowman estava dormindo sozinha, e a acertou com um golpe esmagador na testa, depois, a estrangulou com um par de meia-calça. Ele atravessou o corredor até o quarto de Lisa Levy — lá, ele a agrediu, estrangulou e estuprou a jovem. Bundy também agrediu Lisa sexualmente com uma lata de spray de cabelo e a mordeu várias vezes. As mordidas seriam as primeiras evidências que ligariam Bundy a seus crimes.

Então, ele atravessou o corredor novamente, abriu a porta do quarto de Kleiner e Chandler e tropeçou no baú que ficava entre as camas delas. “Eu lembro do barulho do tropeço e de alguma coisa caindo do baú, e foi isso que me acordou”, disse Kleiner. “O quarto estava escuro e eu não estava com meus óculos, mas eu lembrava de ver uma matéria escura. Eu não conseguia nem enxergar que era uma pessoa. Eu vi o taco, vi ele levantá-lo acima da cabeça e me golpear com ele. A primeira vez não doeu. Foi como uma pressão, como alguém pressionando seu braço. E aí ele me bateu de novo. E acho que foi aí que ele me acertou no rosto, quebrou meu maxilar em três lugares e eu desmaiei. O que eu mais lembro é: ele levantando o taco e acertando em mim”.

O quarto era tão pequeno que Bundy conseguiu acertar Kleiner com um lado do taco, girar e acertar Chandler com o outro lado. Mas antes que ele pudesse dar o golpe final nas meninas, o quarto delas se encheu de luz. Lá fora, pelos fundos, uma das meninas da Chi Omega chamada Nita Neary estava saindo do carro do namorado depois de um encontro. Kleiner e Chandler nunca fechavam as cortinas e as luzes dos faróis do carro brilharam direto dentro do quarto. “Eu vi essa luz, foi como a luz divina”, disse Kleiner, “Eu lembro de pensar: ‘ai meu Deus, alguma coisa iluminou o quarto’”.

Bundy correu lá pra baixo. “Acho que ele pensou que foi visto”, disse Kleiner. Na verdade, ele foi visto: Neary avistou o perfil dele distintamente — lábios e nariz finos — e mais tarde seria a única testemunha no tribunal. Minutos depois, quando Nita estava contando para uma das meninas o que ela tinha visto, elas viram Chandler cambaleando para fora do quarto, coberta em sangue. Quando elas correram para ajudá-la, viram Kleiner sentada na cama, gemendo e se balançando pra frente e pra trás.

Pouco depois, paramédicos estavam se debruçando em Kleiner, dizendo pra ela que ela tinha sido acertada no rosto. Ela tentou gritar, mas com o maxilar destruído, um rasgo na bochecha direita e a língua quase mordida pela metade, ela não conseguia fazer som nenhum. Os paramédicos a colocaram na maca e a levaram para o andar debaixo. Ela viu os rostos de suas colegas se amontoando acima dela. Lá fora, o ar estava cheio de luzes de carros de polícia. Para Kleiner, com frio e confusa, a cena parecia um tipo de festival.

Na emergência do Tallahassee Memorial Regional Medical Center, médicos cortaram sua camisola amarela de natal e encaravam sua calcinha, confusos. Ela ouviu eles discutindo se deveriam fazer um exame de violação/estupro, algo que a deixou aterrorizada. Só então que ela reparou no rosto familiar na multidão de médicos: era a noiva daquela manhã, trabalhando como estagiária na emergência em sua noite de núpcias. Kleiner a ouviu dizer: “Depois de um ataque tão brutal, quais as chances de que ele iria vestir a calcinha de novo?” A amiga acariciou seus cabelos e, pela primeira vez naquela noite, Kleiner sentiu seu medo desvanecer.

Após uma semana no hospital com seu maxilar costurado e um policial em sua porta, a polícia levou Kleiner de volta para Chi Omega para que ela pudesse dizer aos policiais se o agressor levou alguma coisa de seu quarto. Na sua porta, eles levantaram a fita amarela da cena do crime para que ela pudesse passar. Kleiner levou um susto. “Tinha sangue espalhado pela parede inteira. INTEIRA”, disse ela. “E meus lençóis verde e branco estavam cobertos de sangue também. Meus lindos lençóis que eu tinha acabado de comprar, que eu e minha mãe tínhamos passado tanto tempo escolhendo. O sangue estava em todo lugar. Em todo lugar. Nas paredes, em tudo. Isso realmente ficou na minha mente. Ainda agora consigo ver”.

Kleiner passou os meses seguintes se cuidando na casa de seus pais no sul de Miami, enquanto policiais à paisana mantinham vigilância do outro lado da rua. Ela visitou um cirurgião dentista, que teve que quebrar seu maxilar novamente para realinhá-lo e costurá-lo novamente. Ted Bundy foi pego dia 15 de fevereiro. Seu nome não significava nada pra ela, ela não estava acompanhando os assassinatos no oeste e nem lembrava de seu rosto, já que tecnicamente não o tinha visto quando ele partiu pra cima dela.

Pelas próximas nove semanas, ela só conseguiu comer o que podia sugar através dos dentes. Sua irmã Marilynn tentou fazer purê de batatas que fosse líquido o suficiente para passar por um canudo e uma vez incrementou um mingau de aveia com alho. À noite, Kleiner sonhava que estava comendo cachorro quente e pipoca. Apesar de estar cercada por sua família, ela estava desesperada por notícias das suas irmãs da Chi Omega, mas ninguém retornava sua ligações. Essa foi a primeira vez que Kleiner provou a solidão peculiar que viria a sentir como uma vítima viva de Bundy num mundo de notícias sobre Bundy. Ela tinha acabado de sobreviver ao encontro com um dos homens mais perigosos do país e, ainda assim, de certa forma, estava sozinha.

As câmeras de TV cercavam Bundy e o resto do mundo estava seguindo em frente. “Eu não tive contato com nenhuma das minhas amigas da república desde o ataque e elas estão todas seguindo em frente, enquanto eu estou presa nessa bolha”, disse ela. “eu e Bundy, em uma bolha”. Enquanto isso, groupies de Bundy apareciam nos tribunais, se derretendo cada vez que o assassino sorria pra elas. Kleiner podia ser pequena, mas ela era feroz. Os jornais viriam a chamá-la mais tarde de “a sobrevivente guerreira”. Três meses depois do ataque, ela começou um trabalho como caixa em uma madeireira para superar seu medo de homens estranhos. Ela também estava planejando se casar, ainda que de forma relutante. DeShields a pediu em casamento logo após o ataque e ambas as famílias adoraram a ideia, já que um casamento parecia a forma perfeita de manter Kleiner segura. Ela se casou em junho, em um vestido de manga comprida e gola alta que seus pais escolheram. Logo depois do casamento, ela aceitou um emprego como caixa de banco, onde em pouco tempo ela foi assaltada a mão armada por um homem estranho e atraente. Kleiner tirou a tarde de folga e voltou no dia seguinte.

Na primavera de 1979, o julgamento dos assassinatos na Chi Omega foi transferido para Miami, já que não poderiam encontrar um júri imparcial em Tallahassee. Quando chegou o dia de Kleiner testemunhar, ela andou até a bancada e viu Bundy a encarando da mesa da defensoria, apoiando a mão no queixo num gesto deliberadamente casual que se tornaria a sua marca registrada nos tribunais. Seu olhar não era intimidador, furioso, ou suplicante. Não havia emoção.

Ele estava apenas me encarando”, disse ela. “Eu não estava assustada, eu não estava zangada, eu estava sentindo meio que… uma sensação de ânsia de vômito. Era tão ruim. Era nojo”. Ela respondeu a cada pergunta olhando diretamente para ele. Depois que o procurador terminou, a defesa só tinha uma pergunta pra ela: “Você viu este homem no seu quarto?Kleiner foi forçada a responder que ela só havia visto uma sombra. Foi um momento frustrante, mas a tática não salvou Bundy. No dia 24 de julho, ele foi declarado culpado e, uma semana depois, sentenciado à morte na cadeira elétrica.

Bundy viveria ainda quase uma década, conforme suas apelações seguiam pelo sistema legal da Flórida. No meio tempo, a mídia pisava em ovos em volta de Kleiner, querendo evitar reacender o trauma. A intenção era boa, e algumas das famílias das vítimas pareciam desejar o silêncio. Em 1989, o pai de Karen Chandler, a outra sobrevivente de Bundy na república, disse à imprensa que sua família “não fala sobre Bundy”. Mas a realidade para Kleiner era bastante solitária. Até mesmo Ann Rule, que escreveu o livro definitivo sobre Bundy, entrou em contato com Kleiner e enviou um mousepad autografado, mas não chegou a entrevistá-la.

Então Kleiner seguiu em frente sozinha. Em 1980, ela voltou para a Chi Omega e andou pela escada de madeira, cheia de remorso. Conforme subia, ela quase podia se ver descendo as escadas na maca. Ela passou pelo quarto de Margaret, pelo de Lisa, e então se voltou para o que costumava ser seu quarto. “Eu esperava ver sangue nas paredes e meus lençóis sujos, ensanguentados e vermelhos”, disse ela. “Nada estava igual. Respirei fundo, dei meia-volta e que bom que fiz isso”. Seu casamento com DeShields estava desmoronando a essa altura, mas no final de 1980, eles receberam notícias milagrosas: Kleiner estava grávida. Ela contou aos seus pais com um bolo que dizia Parabéns, vocês vão ser avós, e sua mãe gritou: “Você vai se matar!”.

Quando seu filho Michael estava com dois anos, Kleiner e DeShields entraram com o divórcio. Quatro anos depois, ela começou a sair com Scott Rubin, um dos seus colegas do teatro da escola. Ele foi a única pessoa a estar com Kleiner no dia 23 de janeiro de 1989: a última noite de Ted Bundy na terra. Foi o evento da Flórida na época, atraindo mais câmeras de TV do que a visita do Papa dois anos antes, mas Kleiner e Rubin passaram por isso sozinhos.

Quando o promotor de justiça ligou para Kleiner para contar que Bundy estava morto, ela começou a chorar e balançar pra frente e pra trás, enquanto Rubin tentava segurá-la. Margaret e Lisa apareciam na sua mente. Enquanto ela chorava, sentia algo mudar. “Toda a angústia… senti que isso estava indo embora”, disse ela. “Me senti tão limpa”. Depois disso, ela se vestiu e foi tomar café da manhã com Rubin. Depois eles foram comprar um carro novo e pararam para almoçar.

Nós apenas passamos um dia normal juntos”, disse ela. “Eu não queria que ele tivesse mais nenhuma influência sobre mim”. Hoje, Kleiner e Rubin vivem em Nova Orleans. Eles são avós, donos de cães, e pessoas extraordinariamente felizes. Por conta dos ferimentos sofridos em 1978, Kleiner passou por várias cirurgias na articulação temporomandibular. Ela também sobreviveu a um câncer de mama estágio dois. “Eu pedi a Deus: sabe, já é a vez de outra pessoa”, ela ri.

Ela planeja assistir ao filme com o Zac Efron quando estrear nos cinemas. “Com sorte, eles vão colocar uma das Kardashians para me interpretar”, brinca com bom humor. Recentemente ela comprou um livro sobre as personalidades de serial killers, no qual ela devorou informações sobre outros criminosos famosos como Jeffrey Dahmer. “Foi interessante!”, diz ela. Pela DarkSide Books, a história de Dahmer foi publicada na HQ Meu Amigo Dahmer, por seu colega de escola Derf Backderf.

De muitas formas, Kleiner deixou Bundy para trás. Ela já não vai mais tanto assim a seção de true crime das livrarias. No final do dia, ela foi uma parte maior da vida dele do que ele foi da dela. A história do Bundy é, essencialmente, a história de Kathy, Karen, Lisa e Margaret, e todas as outras jovens mulheres que foram atacadas e mortas. E as sementes da sua queda foram plantadas naquela noite na república: as mordidas. As testemunhas. O fato de que Kleiner e Chandler nunca fechavam as cortinas.

Mas a vida de Kleiner é tão mais do que apenas o conto de uma garota que sobreviveu a um serial killer, não importa quantas vezes seu nome apareça ao lado do de Bundy nos livros. “Ela ainda é muito da mesma pessoa que era na escola”, diz sua amiga de colégio, Nora Bergman. “Tanto de Kathy não mudou por causa do ataque, isso é o que eu acho mais incrível”. Seus papéis são muitos: mãe, atriz, caixa de madeireira, caixa de banco, esposa, estrela no topo da árvore de Natal.

Sobre a fatídica noite do ataque, Kleiner diz: “Me fez mais forte e me deu mais motivos pra viver. Me ensinou que ninguém vai me derrubar”. Aquela noite aconteceu, sim. Mas ainda que o resto do mundo leia sobre isso de forma obsessiva, ela lê como uma das noites na sua vida — uma noite obscura, sim, mas também uma noite onde a luz entrou pela janela e afastou toda a escuridão.

Assista ao trailer de Extremely Wicked, Shockingly Evil and Vile, com Zac Efron interpretando Ted Bundy:

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