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Você sabe o que faz uma limpadora de traumas? Conheça Sandra Pankhurst

Empresária é tema central do livro Nem Tudo Que Resta É Lixo

29/05/2024

Você sabe o que faz um limpador de traumas? Não, não estamos falando de nenhum tipo de psicólogo, psiquiatra ou traquitana apagadora de memórias como a do filme Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças. Sandra Pankhurst (1953-2021) era uma limpadora de traumas. E é ela a personagem central do livro Nem Tudo Que Resta é Lixo, de Sarah Krasnostein, lançado aqui pela DarkSide® Books na coleção Profissionais da Morte

LEIA TAMBÉM: LANÇAMENTO: NEM TUDO QUE RESTA É LIXO, POR SARAH KRASNOSTEIN

Um limpador de traumas é uma pessoa contratada por agentes da lei, agentes imobiliários, executores de heranças e ONGs que representam pessoas vitimadas, doentes e idosas para entrar em casas em estado de calamidade — só assim para definir — e livrá-las de lixo, objetos acumulados, restos mortais… Segundo Sarah Krasnostein, em entrevista ao jornal The Guardian, Sandra “entrava nas casas de pessoas que foram destruídas e limpava sua dor”.

nem tudo que resta é lixo

Uma vida de traumas e busca por pertencimento

Mas antes de nos desdobrarmos sobre o tema do livro, vamos começar do começo. Sandra nasceu como um menino, foi abandonado e adotado por um casal extremamente católico de Melbourne, na Austrália, que acreditava não poder mais ter filhos. O pai era alcoólatra e violento, e tanto ele quanto a mãe eram física e emocionalmente abusivos com o menino. 

Na adolescência, foi forçada a morar em um bangalô que seu pai construiu, sendo excluída da casa da família, sem acesso comida e ao banheiro. Começou a trabalhar cedo para se virar. Aos 17 anos, depois de ser forçada pelo pai a entrar para o exército por preferir a companhia de garotas a ter amigos homens, foi expulsa de casa. Abandonada mais uma vez.

“Acredito que ela era uma pessoa muito gentil e afeminada. Como católica radical, a mãe desenvolveu um ódio por ela por ser o que ela acreditava ser homossexual. Então Sandra foi estigmatizada pelas pessoas que deveriam incluí-la”, diz Sarah. 

sandra pankhurst

Aos 19 anos, conheceu Linda, com quem dividia um apartamento. Envolveram-se e rapidamente tiveram dois filhos, dois meninos, mas se separaram. Logo depois, Sandra começou a explorar a comunidade gay em Melbourne, conheceu pessoas trans e se identificou. Ela percebeu que era isso que tinha que fazer, e seu processo de transição durou oito anos — antes, fazia apresentações como drag queen.

Passou a dançar em clubes e começou a se prostituir nas ruas ainda nos anos 1970, quando o movimento LBGTQIAP+ sofria ainda mais preconceito. Após a cirurgia de redesignação de gênero, Sandra foi agredida quando trabalhava em um bordel. Talvez por isso tivesse tanta empatia com as vítimas que viviam nas casas para as quais seu trabalho era requisitado. Mais que baldes e panos de chão, por vezes precisava de pés de cabra, pás, marreta para lidar fosse com 40 anos de lixo acumulados ou com o sangue de uma pessoa que teve uma hemorragia sozinha na sala de casa.

Empatia na limpeza de traumas

Após o sucesso de sua biografia, originalmente lançada em 2017, Sandra tornou-se uma palestrante motivacional enquanto continuava a administrar a STC Services. Para sua empresa, contratava funcionários que “haviam se formado na escola das duras dificuldades”. Segundo pessoas próximas à empresária, ela preferia contratar pessoas que precisavam de uma segunda chance na vida porque isso significava que eram seres humanos mais empáticos. “Eles entendem como a vida pode mudar rapidamente”, disse ela. “Eles podem compreender a depressão, a ansiedade, a decepção da vida.”

sandra pankhurst

Compreender as decepções da vida era uma parte importante do trabalho que Sandra e sua equipe faziam todos os dias, já que maioria dos locais que limpava eram cenas de homicídios, suicídios ou casas de acumuladores. Lidar com familiares enlutados fazia parte do processo.

Segundo a autora do livro, Sandra era uma mulher notável: “uma deusa de tênis branco, marchando por casas decrépitas e comandando funcionários em trajes anti-risco sobre os produtos químicos corretos para fluidos corporais. Uma limpadora de traumas limpa cenas de crimes. Mas o que eu não sabia é que eles também lidam com muitos clientes vivos. O negócio de Sandra envolve ir à casa de acumuladores. Ela encontra tanto ‘miséria úmida’ — coisas que você jogaria no vaso sanitário — quanto ‘miséria seca’, lixo que foi acumulado ao longo do tempo”, disse a escritora.

Sandra morreu em 2021, por volta dos 60 anos (já que não se sabe exatamente sua data de nascimento), vítima de uma doença pulmonar grave.

LEIA TAMBÉM: CAITLIN DOUGHTY: “MORTE É CIÊNCIA E HISTÓRIA, ARTE E LITERATURA”

Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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