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Wagner Willian: “Silvestre clamava por sangue”

Em entrevista à DarkSide, o autor brasileiro comenta a carreira e o processo de criação da graphic novel, definido por ele como um elogio à selvageria

Wagner Willian vive isolado em uma pequena choupana, saindo apenas para caçar mantimentos e narrativas. Em um de seus mais recentes trabalhos, Silvestre, o quadrinista brasileiro entrega aos leitores uma obra de arte imersiva e reflexiva, ao mesmo tempo orgânica e visceral. 

A HQ foi lançada pela DarkSide® Books sob o selo DarkSide® Graphic Novel, em uma edição dedicada ao melhor da arte sequencial, com quase duzentas páginas e capa dura.

LEIA TAMBÉM: É A HORA DE CONHECER A NOSSA VERDADEIRA NATUREZA EM SILVESTRE

Inspirado pela filosofia minimalista e próxima à natureza de Henry David Thoreau, Silvestre acompanha a jornada de um velho caçador que atravessa e dialoga com lendas sobre divindades extintas, mergulhando na relação entre o homem e a natureza, e o respeito sobre o que a terra pode nos dar e o que somos capazes de oferecer.

Em uma entrevista à DarkSide, Wagner Willian comenta suas inspirações para a criação da graphic novel Silvestre, sua própria relação com a natureza e a experiência no mercado publicitário. 

DarkSide: Você entrou para o time de grandes autores da DarkSide® Books com o lançamento Silvestre, uma graphic novel com quase 200 páginas que é uma verdadeira obra de arte. Conta para gente como foi o processo de criação desta obra e quais os materiais e técnicas utilizados para as ilustrações.

Wagner Willian: E que time o da DarkSide! Bem, Silvestre nasceu como um livro infantil de terror aos moldes daquele que aparece no filme Babadook. Ao escrever essa história, alguns elementos se impuseram. Não havia apenas a situação fantástica de juntar diversos demônios e seres mitológicos e perceber como eles interagiriam entre si, sua relação com o velho humano, paganismo em detrimento de uma religião monoteísta, mas também estava ali a chance de me debruçar sobre a fragilidade da velhice. 

Por ser uma história “silvestre”, a narrativa visual deveria acompanhar essa verve indômita. Até entender isso, foram diversas etapas que encontraram sua própria voz quando eu me permiti ser livre quanto aos materiais e suportes usados. Pensei o livro como um caderno de viagens ou sketchbook, onde as anotações são soltas e os desenhos não se prendem a nada. Acabei usando o óleo, o nanquim, a esferográfica, óxido de ferro, o diabo que estivesse à mão.

D: Em Silvestre, acompanhamos a jornada de um velho caçador que mergulha na relação entre o homem e a natureza. Como você se relaciona com esta narrativa e o quanto de sua experiência de vida colocou nela?

WW: Há tempos meus pais moram no interior, em uma chácara. Eles possuem um canil com os maiores cachorros do mundo, os dogues alemães. É lindo ver essas feras correndo em sua direção. Tudo muito animalesco. Às vezes me atiro entre eles, rolamos na grama, marcamos território juntos. É uma felicidade revê-los.

Existe um velho dentro de mim que mora em uma cabana no meio do bosque, conectado apenas ao que interessa.

D: Muito do seu trabalho possui uma certa ironia crítica, com imagens às vezes provocadoras, e sempre portadoras de uma estranha sedução. O que os leitores podem esperar da graphic novel Silvestre?

WW: Em tempos obtusos, teocráticos, Silvestre é um elogio à selvageria. 

D: Antes de focar a sua carreira na arte, você também trabalhou no ramo da publicidade. Em que momento da sua vida entendeu que era hora de gerar essa mudança de carreira? Foi algo natural para você?

WW: Muitos que estão lendo esta entrevista devem ter em suas geladeiras ou no armário em cima da pia, algum trabalho meu. Fiz ilustrações publicitárias para diversas embalagens, de suco de laranja à ração de cavalo. Em algum momento da vida a gente acaba sujando as mãos. É preciso se perguntar que imagem deixaremos no mundo. Resolvi sujar-me com coisas melhores.

Mergulhei naquele caldeirão delicioso da Fantástica Fábrica de Chocolates. Saí de lá coberto de ficção. Bem melhor do que criar uma realidade falsa como essas que compõem a maioria das embalagens de produtos brasileiros. Mas, claro, eu já pintava a óleo antes disso tudo. Minha primeira exposição foi em 2006. Silvestre foi uma forma de ressaltar minha pintura.

D: Em dezembro você está participando de diversos eventos para o lançamento de Silvestre. Fala para a gente alguma curiosidade da sua carreira. É verdade que já pintou até com sangue?

WW: Estou no meio de uma “Via Sacra”. Está sendo massa demais receber o carinho dos leitores, sacar seus olhos saltando ao folhearem algumas páginas. Acho um barato isso, e importante essa aproximação.

Como Silvestre foi uma espécie de revival à pintura, à arte, ela pediu que a tornasse extremamente peculiar, algo pessoal. A impressão de algo vivo deveria estar ali. Em um determinado momento da minha vida, motivos escusos e criminosos arrancaram sangue de mim. Como, na época, estava em uma fase de pintura frenética, tinha vários papéis dando sopa, espalhados pelo chão da sala. Quando vi aquele jorro de sangue saindo de mim não tive dúvidas: comecei a pintar os danados dos papéis. Acabou virando uma série: autorretrato 1, autorretrato 2… Silvestre clamava por sangue. Não tive a menor dúvida em usá-lo. Hoje posso dizer que dou meu sangue pelo trabalho. 

Saiba mais sobre o trabalho de Wagner Willian em: wagnerwillian.com

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