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100 anos de cinema de terror: Anos 2000-2020

A era dos medos ligados à tecnologia, ao desconhecido, da violação corporal e da invasão domiciliar

30/04/2026

Quando o relógio marcou meia-noite e o calendário anunciou que estávamos finalmente no ano 2000, o mundo esperava o caos completo. Afinal de contas, só se falava do infame Bug do Milênio, o qual supostamente impulsionaria uma espécie de apocalipse digital. No entanto, os minutos vieram, o novo milênio chegou e… nada disso aconteceu. A vida continuava praticamente a mesma. Contudo, isso não fez com que o terror ficasse sem assunto para abordar nas telonas. Muito pelo contrário. 

LEIA TAMBÉM: 100 anos de cinema de terror: Anos 1980-1990

O cinema de terror entrou nos anos 2000 disposto a explorar uma nova era de medos ligados à tecnologia, ao pavor do desconhecido, da violação corporal e da invasão domiciliar. O gênero transitou livremente entre os mais diferentes tipos de enredos e imagens: de fantasmas a refilmagens passando por sessões de tortura e armadilhas mirabolantes. O fato é que os anos tinham passado. O castelo em ruínas havia sido substituído por apartamentos com WiFi e o VHS havia dado lugar para o DVD. No entanto, uma coisa é certa: o terror continuava mais relevante do que nunca. Mesmo sem o temido bug do milênio, o gênero prosperou ao projetar nossos piores medos e pesadelos.  

Chegando ao fim do nosso especial, hoje a Caveira te leva por uma última viagem no tempo, mergulhando em uma época um pouco mais próxima: os anos 2000, 2010 e 2020. Apague a luz, certifique-se de que a porta está trancada e prepare-se para revisitar alguns dos traumas coletivos mais emblemáticos dos últimos anos. 

Anos 2000: entre refilmagens, fantasmas digitais e sessões de tortura

A virada do milênio presenciou uma espécie de “dispersão global” do terror em que diversas tradições nacionais ganharam destaque. O Reino Unido, por exemplo, prosperou com obras como Extermínio (2002) e Abismo do Medo (2005), enquanto o Canadá revisitou um dos monstros mais famosos, o lobisomem, em Possuída (2000). A Austrália, por sua vez, não teve medo de mergulhar em uma crueldade inquietante com Wolf Creek – Viagem ao Inferno (2005) e abalar o psicológico do público com O Segredo do Lago Mungo (2008). Já a Suécia ousou ao representar os vampiros de forma melancólica com Deixa Ela Entrar (2008), enquanto a Espanha despontou com obras-primas do gênero como Os Outros (2001), A Espinha do Diabo (2001) e O Orfanato (2007). 

Em meio a isso, o Japão continuou produzindo filmes assustadores sobre fantasmas vingativos, como O Grito (2002) e Água Negra (2002), assim como produções que traziam à tona medos relacionados ao advento de novas tecnologias, como Kairo (2001) e Uma Chamada Perdida (2003). Enquanto isso, no continente europeu, a França chamou a atenção com o novo extremismo francês, produzindo filmes que testavam os limites do público com enredos perturbadores e violência extrema. Foi nesse contexto que surgiram longas aclamados e polêmicos como Desejo e Obsessão (2001), Em Minha Pele (2002), A Invasora (2007) e Mártires (2008).

Mártires (2008)

Do outro lado do oceano, nos Estados Unidos, outro ciclo similar de filmes ganhou força. O contexto pós 11 de setembro, marcado por um clima pessimista de insegurança e vulnerabilidade, foi transportado para produções violentas, reunidas sob o termo torture porn. Em meio às discussões sobre tortura que inundavam as notícias, impulsionadas pelos relatos vindos da prisões de Guantánamo e Abu Ghraib, filmes como Jogos Mortais (2004) e O Albergue (2005) trouxeram histórias onde a dor física era central e o sofrimento prolongado.

Jogos Mortais (2004)
O Albergue (2005)

Não se tratava apenas do choque, mas sim de explorar a violência de forma explícita e testar os limites morais e psicológicos dos espectadores. Embora tenha sido mais popular nos Estados Unidos, o torture porn também encontrou expressão em outros países. O Japão, por exemplo, produziu obras angustiantes como Ichi, o Assassino (2011) e Grotesque (2009), as quais posteriormente ecoaram em obras de mangakás famosos como Junji Ito e Shintaro Kago, abrindo as portas para uma longa tradição de body horror e imagens perturbadoras na literatura japonesa.  

Além disso, o ciclo do torture porn inspirou uma série de novos cineastas que ficaram famosos por filmes violentos, ganhando o apelido de “a turma do sangue”. Entre eles figuravam nomes como James Wan, Eli Roth, Alejandro Aja, Rob Zombie, Leigh Whannell, Darren Lynn Bousman e Greg McLean. Com produções mais cruas, tais diretores se beneficiaram da ascensão do DVD, que possibilitou que múltiplos cortes de seus filmes fossem distribuídos com diferentes classificações etárias. 

Paralelo ao boom do torture porn, outro subgênero continuava prosperando: o found footage. Impulsionados pelo sucesso de A Bruxa de Blair, assim como de obras literárias experimentais como Casa de Folhas de Mark Z. Danielewski, vários filmes adotaram a câmera tremida e a sensação de amadorismo para aterrorizar o público de forma íntima e pessoal. Foi o caso de sucessos de bilheteria como Atividade Paranormal (2007), REC (2007) e Cloverfield: Monstro (2008). Além disso, o found footage prosperou com a popularização do DVD e da internet, que permitiram uma maior circulação de filmes independentes e adoção da estética de câmeras caseiras. 

Atividade Paranormal (2007)

Por outro lado, os anos 2000 também testemunharam uma onda de refilmagens de clássicos do terror, que retornaram com visuais polidos, assassinos sádicos e uma violência mais gráfica. Foi o caso de O Massacre da Serra Elétrica (2003), Casa de Cera (2005), Horror em Amityville (2005) e Sexta-Feira 13 (2009).

O Massacre da Serra Elétrica (2003)
Sexta-Feira 13 (2009)

Ao lado dessas refilmagens, houve também a onda de adaptações estadunidenses de filmes japoneses, como O Chamado (2002) e O Grito (2004), que ao lado de produções como O Exorcismo de Emily Rose (2005), exploraram o medo do invisível, do desconhecido e do sobrenatural. 

O Chamado (2002)

Enquanto isso, ressoando com um contexto social de mudanças e desilusões, diversas produções embarcaram em narrativas sobre uma geração desiludida, marcada pelo niilismo, alienação, vazio existencial e destruição do sonho americano. É o caso de Psicopata Americano (2000), baseado na obra homônima de Bret Easton Ellis, que envereda por uma crítica ao consumismo, à banalidade da violência e ao estilo de vida moderno, mostrando um terror que nasce tanto da violência física quanto da frieza e alienação humanas.

Psicopata Americano (2000)

Por outro lado, longas como Réquiem para um Sonho (2000) e Donnie Darko (2001) estremeceram as linhas do gênero ao explorar ansiedade, colapso pessoal, medo existencial e fragilidade da psique humana.

Réquiem para um Sonho (2000)
Donnie Darko (2001)

No entanto, vale ressaltar, que apesar da grande maioria das produções apostarem no terror cru, psicológico e existencial, ainda houve espaço para o terror adolescente, que abordou os conflitos da nova geração de forma mais leve, como Pânico 3 (2000) e Garota Infernal (2009). Com a aproximação dos anos 2010, o terror percebeu que estava na hora de dar um passo adiante e explorar os medos contemporâneos de uma audiência cada vez mais conectada e exigente

Anos 2010: entre bruxas, assombrações e traumas

A chegada da década de 2010 trouxe uma nova abordagem, que combinou elementos clássicos, como o sobrenatural, com questões mais psicológicas e experimentais. Desta forma, o gênero enveredou por uma nova era, explorando medos modernos, crises sociais e traumas individuais.

Corrente do Mal (2014)

Em vez da violência explícita dos anos 2000, o terror priorizou novas formas de criar medo, dando ênfase à tensão psicológica e narrativas atmosféricas. Um exemplo foi Corrente do Mal (2014), que reinventou a clássica perseguição do gênero ao apresentar um terror constante e inevitável, ao mesmo tempo em que abordava temas como doenças sexualmente transmissíveis e violência sexual. No mesmo ano, o terror ganhou outra obra importante: O Babadook. Explorando luto, depressão e maternidade, o filme mostrou ao público que o terror poderia surgir da sugestão e da construção lenta do suspense, mergulhando em questões emocionais sem perder o poder de assustar. 

O Babadook (2014)

Foi nesse contexto que vários cineastas ganharam cada vez mais destaque, optando por narrativas inovadoras, temáticas incômodas e filmes contidos em que o medo era construído de forma diferente. Em 2015, Robert Eggers surpreendeu com A Bruxa, um retorno às raízes puritanas dos Estados Unidos que explorou a repressão religiosa, a desintegração familiar, o isolamento e a paranoia por meio de uma atmosfera histórica.

A Bruxa (2015)

Já em 2017, Jordan Peele foi aclamado por Corra!, filme que transformou o terror em comentário social para abordar temas como racismo, privilégios e alienação.

Corra! (2017)

Um ano depois, Ari Aster levou o terror psicológico a outro nível com Hereditário, elaborando questões como luto e trauma familiar por meio de imagens perturbadoras e temáticas sobrenaturais.

Hereditário (2017)

Em 2019, tanto Aster quanto Peele retornaram com novos projetos audaciosos, consolidando seus nomes como centrais para o terror da década. Em Nós, Peele se juntou a Lupita Nyong’o para desenvolver uma trama sobre identidade e desigualdade social. Já em Midsommar, Aster subverteu as convenções do gênero ao construir o terror à luz do dia, ressoando também com a tradição do folk horror, que se manteve vivo na literatura por meio de obras como Condado Maldito e Slewfoot

Midsommar (2019)

Ao mesmo tempo, filmes produzidos em outros países ampliaram o horizonte do gênero. Em 2014, o austríaco Boa Noite Mamãe fez o público questionar o que era real ou não em uma trama marcada por maternidade e identidade, enquanto o iraniano Garota Sombria Caminha pela Noite subverteu o conceito de vampiro com uma fábula urbana sobre gênero e liberdade.

Grave (2016)

Em 2016, o longa Grave da francesa Julia Ducournau utilizou o horror corporal e canibalismo, abordado posteriormente em livros como Saboroso Cadáver, para explorar o amadurecimento feminino, identidade e desejo. No mesmo ano, a Coréia do Sul aterrorizou o público com O Lamento, um longa que combinou folclore, terror sobrenatural e suspense policial. Já em 2017, Coralie Fargeat, ressignificou o polêmico subgênero de estupro e vingança, representado por longas como A Vingança de Jennifer (1978), por meio de uma protagonista subversiva. Já no Brasil, Gabriela Amaral Almeida dirigiu O Animal Cordial (2017), uma mistura de slasher com suspense que aborda violência urbana, luta de classes, machismo e homofobia. Ainda no mesmo ano, As Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra, combinou de forma poética terror, fantasia e folclore para explorar desigualdade social, maternidade e sexualidade. 

O Animal Cordial (2017)

Por outro lado, a década de 2010 também testemunhou a ascensão das grandes franquias, representadas por filmes como Sobrenatural (2010) e Invocação do Mal (2013) que mostraram que o interesse pelo terror sobrenatural e religioso continuava vivo. Invocação do Mal, por exemplo, não apenas criou uma versão cinematográfica do casal de demonologistas da vida real, Ed e Lorraine Warren, como também iniciou uma franquia, composta por nove filmes, que se tornou a mais rentável da história do gênero.

Invocação do Mal (2013)

Além disso, o cinema presenciou o retorno de franquias e histórias famosas. Em 2011, por exemplo, Pânico 4 marcou a volta de Ghostface para as telonas, enquanto em 2017, It: A Coisa, apresentou Pennywise para uma nova geração. Foi nesse período que presenciamos os reboots e as sequências legado que dominariam o gênero nos anos seguintes. Embaladas pela nostalgia, produções como Halloween (2018), permitiram que o público revisitasse ícones do terror através de uma linguagem e abordagem contemporâneas.

Halloween (2018)

Como se não bastasse, o gênero também presenciou o renascimento das antologias, com a franquia V/H/S (2012), e a continuidade dos found footage e dos mockumentary, com produções como O Que Fazemos nas Sombras (2014) e Creep (2014). Junto a isso, outros filmes fizeram sucesso ao apostar em um terror inteligente e cômico, combinando diferentes elementos. Enquanto A Morte Te Dá Parabéns (2017) mesclou o conceito de loop temporal com os slashers, Casamento Sangrento (2019) subverteu as expectativas dos espectadores ao explorar a sátira social, a violência e o absurdo em uma narrativa de jogo mortal. 

Anos 2020: o terror de hoje em dia

Marcando uma continuidade, o cinema de terror dos anos 2020 explorou muitas das tendências da década anterior, principalmente o uso do gênero como comentário social e político.

O Homem Invisível (2020)

Em 2020, O Homem Invisível, revisitou o clássico do terror dos anos 30, para explorar relações abusivas, gaslighting e violência doméstica, enquanto A Lenda de Candyman (2021) retornou à história de Clive Barker para discutir gentrificação, racismo e violência urbana. Apenas um ano depois, Jordan Peele retornou com Não! Não Olhe!, misturando ficção científica e terror para comentar sobre o uso de animais no entretenimento, exploração de trauma e espetacularização da sociedade. 

A Lenda de Candyman (2021)

O período também marcou a renovação do horror corporal, que seguiu como uma poderosa ferramenta para discutir angústias existenciais. Em 2021, Julia Ducournau expandiu o subgênero com Titane, abordando temas como identidade, gênero, afeto e monstruosidade em uma narrativa onde o corpo é espaço de conflito, ruptura e renascimento. Já em 2022, Crimes do Futuro marcou o retorno de David Cronenberg ao horror corporal com uma história que reflete sobre tecnologia, evolução humana e os limites do corpo. Ainda mais recente, Coralie Fargeat colocou o terror na temporada de premiações com A Substância (2024), que explora temáticas de envelhecimento e padrões de beleza. 

A Substância (2024)

Em outros subgêneros, várias produções reforçaram a ideia de que o terror é um espaço para narrativas não convencionais. Saint Maud (2020), por exemplo, a explorou fanatismo religioso, culpa, delírio e solidão por meio de uma abordagem intimista, enquanto Relíquia Macabra (2020) de Natalie Erika James mergulhou em um horror dramático para abordar envelhecimento, família e relações entre gerações. Já o longa experimental Skinamarink: Canção de Ninar (2022) apostou em elementos minimalistas e uma sensação constante de que algo está errado para abordar uma linguagem diferente dentro do terror. No mesmo ano, Noites Brutais apresentou uma história que zomba de nossas expectativas narrativas e que não tem medo de mudar radicalmente seu tom e perspectiva. 

Em paralelo, o cinema de terror foi imensamente influenciado pela pandemia da COVID-19, o que fez com que produções ressoassem com a experiência coletiva desse período. O isolamento social, por sua vez, fez com que cineastas optassem por soluções criativas para continuar filmando. Nesse contexto, Cuidado Com Quem Chama (2020) se destacou por ter sido filmado em uma chamada de Zoom, explorando medos tecnológicos já esboçados no subgênero de desktop horror, o qual despontou nos anos 2010 com longas como Amizade Desfeita (2014). 

Cuidado Com Quem Chama (2020)

A década ainda presenciou a consolidação definitiva dos streamings, que não apenas ganharam público, como também investiram pesado em narrativas de terror. Embalada pelo sucesso de Stranger Things (2016) e A Maldição da Residência Hill (2018), a Netflix investiu na releitura contemporânea de narrativas clássicas como A Maldição da Mansão Bly (2020), baseada no livro A Volta do Parafuso, e A Queda da Casa de Usher, inspirada em histórias de Edgar Allan Poe.

A Maldição da Mansão Bly (2020)

Em um movimento ressonante, as releituras também ganharam espaço na literatura, renovando monstros e histórias clássicas, como em A Queda da Casa Morta, Drácula: A Ordem do Dragão e Pacto de Sangue

Por outro lado, o terror também viu a renovação de subgêneros clássicos. Os slashers ganharam novos contornos com Rua do Medo (2021), Freaky – No Corpo de um Assassino (2020) e X: A Marca da Morte (2022).

X: A Marca da Morte (2022)

Junto a isso produções como Sorria (2022) e Fale Comigo (2022) revitalizaram o terror sobrenatural, por meio da construção de metáforas sobre luto, saúde mental e traumas não curados.

Fale Comigo (2022)

Maligno (2021) abraçou o exagero em uma trama frenética que fez acenos ao horror corporal e ao giallo. Enquanto isso, Pearl (2022), trouxe um estudo de personagem inspirado esteticamente em clássicos hollywoodianos como O Mágico de Oz (1939). Ao mesmo tempo, fora do eixo estadunidense, o gênero viu a produção de filmes, como A Médium (2021), Não Fale o Mal (2022) e O Mal que Nos Habita (2023), os quais reafirmaram o terror como uma linguagem e potência global. 

Pearl (2022)

Entre sequências legado e novas abordagens, o cinema também testemunhou o retorno de velhos conhecidos, como Pânico (2022 e 2023), Premonição 6: Laços de Sangue (2025) e Eu Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado (2025).

Pânico (2022)

Além disso, franquias famosas ganharam novas produções, como Alien: Romulus (2024), o sétimo filme da série iniciada em 1979 com Alien – O Oitavo Passageiro, e A Morte do Demônio: A Ascensão (2023). Paralelamente, outros ícones do terror invadiram a televisão em Chucky (2021) e It: Bem-Vindos a Derry (2025). 

A Morte do Demônio: A Ascensão (2023)
Chucky (2021)

Nos últimos anos, o terror continuou firme e forte nas telonas. O gênero chamou a atenção com produções como Longlegs – Vínculo Mortal (2024), que consolidou a tendência de unir o terror psicológico ao thriller investigativo, algo que já testemunhamos em livros como O Colecionador de Monstros de Sam Holland. Já em 2025, Pecadores expandiu as fronteiras do terror ao misturar vampiros, drama histórico e música para contar uma história sobre traumas coletivos, heranças culturais e identidade. O filme, que ressoa com obras literárias como Ring Shout: Grito de Liberdade de P. Djéli Clark e filmes como Um Drink no Inferno (1996), entrou para a história ao quebrar o recorde de 16 indicações ao Oscar.

Pecadores (2025)

Por outro lado, A Meia-Irmã Feia (2025) subverteu a história da Cinderela em um filme de horror corporal que questiona padrões de beleza, opressão e rivalidade feminina, se inserindo simultaneamente em uma onda cinematográfica de versões macabras de contos de fadas.

A Meia-Irmã Feia (2025)

É assim que ao olhar para o terror dos anos 2020 vemos como o gênero, que nasceu no início do século XX, deixou de ser o “primo estranho” de Hollywood para finalmente assumir seu lugar de destaque no cinema. Abordando ansiedades coletivas, traumas, contextos políticos e momentos culturais, ao mesmo tempo em que se modelava a partir de novos meios sociais e tecnológicos, o terror mostrou ser um dos estilos mais flexíveis do audiovisual. Tudo isso sem abrir mão de sangue, assassinos mascarados, demônios e monstros. Sem jamais deixar de lado a personalidade e a criatividade. 

Ao longo de um século de existência, o gênero nos ensinou que não existe uma única fórmula para assustar o público. O medo pode mudar de roupa infinitas vezes, mas ele nunca perde seu impacto e graça. E para a nossa sorte, temos muito o que presenciar no futuro do gênero e, com certeza, ainda vamos passar muitas noites dormindo de luz acesa.

LEIA TAMBÉM: 100 anos de cinema de terror: Anos 1950-1970

Sobre Gabriela Müller Larocca

Avatar photoHistoriadora e pesquisadora de cinema de horror há mais de dez anos, enfatizando a representação feminina no audiovisual e o uso do horror como fonte histórica. Produtora de conteúdo e aspirante a garota final. Nunca nega um livro da Caveirinha nem um bom filme de horror. Fala bastante e reclama muito no RdMCast.

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