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8 Fatos pouco conhecidos sobre Zé do Caixão

Cineasta foi pioneiro no gênero de terror no Brasil

Um dos grandes nomes do cinema de terror internacional é brasileiro: José Mojica Marins inaugurou o gênero no país e deixou seu legado para gerações de cineastas. Nascido em uma sexta-feira 13 de 1936, Mojica encarnou o personagem Zé do Caixão para construir o terror brasileiro em seus 83 anos de vida, ceifados no último dia 19 de fevereiro.

Conhecido pelo ar trevoso e as longas unhas, que mais pareciam garras, o diretor muitas vezes se confunde com o personagem criado por ele. Sua produção de terror foi intensa entre as décadas de 1960 e 1980, rendendo prestígio internacional. No entanto, a partir da década de 1990, o público brasileiro passou a encará-lo mais como uma figura folclórica do que como cineasta. Entusiastas do terror B se lembram com carinho do Cine Trash, programa apresentado por Zé do Caixão na Band de 1996 a 1997.

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Com uma vida pessoal razoavelmente discreta nos últimos anos, Mojica foi um verdadeiro prodígio do cinema, abrindo seu estúdio aos 17 anos de idade. Detalhes de sua vida podem ser conferidos na biografia Zé do Caixão – Maldito, a Biografia, escrita por André Barcinski e Ivan Finotti e relançada pela DarkSide® Books.

A seguir separamos algumas curiosidades sobre o cineasta que estão presentes na biografia:

1. José Mojica Marins vem de uma família de toureiros

Neto de imigrantes espanhóis, Mojica vem de uma família que já aspirava ao estrelato. Na época, a profissão de toureiro era repleta de glamour, o que se tornou a ambição de seu avô: José André Marins. Ele chegou a tourear na Espanha e no Brasil se apresentava em atrações de circos. O pai do cineasta, Antônio André Marins, se acostumou com a vida itinerante de artistas por causa da carreira do pai. Mais tarde, ele próprio se apresentou como toureiro em algumas ocasiões.

Francisco Mojica e Conceição Imperial cercados pelos filhos Francisco (atrás), Vicenta e João (na frente), Carmen (futura mãe de José Mojica Marins (com a boneca, no colo do pai), e José (no colo da mãe)

2. Zé do Caixão morou em um cinema

Por causa de uma oportunidade profissional como gerente de cinema, Antônio Marins se mudou com a família para o anexo do Cine Santo Estevão, de onde seria gerente. Mojica tinha apenas dois anos de idade quando isso aconteceu. Além de gerenciar o cinema, Antônio organizava eventos musicais e dançantes. Isso provocou grande admiração por parte de seu filho que se tornaria Zé do Caixão. O pequeno José passou a trocar ingressos para o cinema com os amigos por botões de galalite ou revistas em quadrinhos. Além disso, ele de vez em quando podia convidar os amigos para ver filmes no cinema – até um dia em que apareceu com 40 colegas.

3. Quando criança, manteve uma gibiteca

O fascínio pelo mundo da fantasia ia além do cinema para o pequeno José Mojica. Ele comprava diariamente revistas em quadrinhos, com direito aos títulos regulares e edições de luxo com histórias de Walt Disney, Mandrake e Flash Gordon. A coleção era tão grande que ele montou uma gibiteca na sua casa, cobrando até ingresso de seus amigos para folhearem as páginas – o preço variava entre uma bolinha de gude ou uma figurinha.

4. Aprendeu a fazer cinema sozinho

Desde pequeno, José demonstrou interesse pelas artes cênicas, brincando de teatro com seus amigos e, mais tarde, entrando para as produções escolares. Aos 11 anos ele ganhou uma máquina fotográfica do pai, que o permitiu fazer seus primeiros experimentos e, aos 12, com uma nova câmera, fez seus primeiros filmes amadores. Com 13, ele e os amigos produziram seu primeiro curta-metragem amador. Seu primeiro estúdio foi o galinheiro de casa.

Com 17 anos, Mojica reuniu os amigos para abrir sua primeira empresa do ramo: a Companhia Cinematográfica Atlas. A partir de então, o seu nome começou a ventilar na imprensa como aspirante a diretor de cinema, o que lhe abriu muitas portas e até o levou a criar uma escola para atores com técnicas de atuação bem questionáveis.

LEIA TAMBÉM: Obra de Zé do Caixão não chega perto de sua maior história — a da própria vida

5. Outros gêneros além do terror

Antes de virar o pai do terror nacional, José Mojica dirigiu e produziu filmes de outros gêneros cinematográficos. Na década de 1950 e início da de 1960 ele esteve envolvido com filmes de drama e faroeste, como é o caso de A Sina do Aventureiro (1958). Mais tarde, já se consagrando como diretor de terror, ele ainda fez incursões pela pornochanchada, como no filme A Virgem e o Machão (1974).

CONFIRA A HOMENAGEM: ator Matheus Nachtergaele fala sobre quanto viveu o personagem Zé do Caixão.

6. Zé do Caixão surgiu de um sonho

O drama Meu Destino em Tuas Mãos foi a tentativa de Mojica para agradar o grande público. Porém, o fracasso da produção fez o cineasta prometer que nunca mais faria um filme para agradar aos outros. Depois desta decepção, falido, ele tentou iniciar um projeto de filme policial com seus alunos, que não estava dando muito certo.

Foi em meio a esta frustração que ele teve um sonho sinistro: estava deitado no chão, à noite, quando um vulto se aproximou e começou a puxá-lo pelos braços. Olhando mais atentamente, ele se deu conta de que aquela figura se tratava dele mesmo. Não demorou muito para que ele visse o destino para onde seu clone o carregava: uma lápide com o nome José Mojica Marins. Desesperado, ele acordou e concebeu o personagem que se confundiria com sua própria personalidade: Zé do Caixão. O primeiro filme da nova persona veio em seguida: À Meia-Noite Levarei sua Alma.

7. De cineasta a curandeiro

No final da década de 1960, Zé do Caixão se tornou tão popular que Mojica não conseguia mais andar na rua sem guarda-costas. Ele apresentava um programa na TV Bandeirantes chamado Além, Muito Além do Além, que batia recordes de audiência.

A febre em torno de Zé do Caixão era tão forte que o personagem chegou a ganhar áurea de curandeiro. Todos os dias, multidões se dirigiam aos estúdios da Bandeirantes para “se tratarem” com o personagem. O caso rendeu até matéria na Folha de São Paulo.

8. Produtos licenciados

Zé do Caixão era extremamente popular, mas sua conta bancária não acompanhava o sucesso. Para aproveitar a onda e faturar um pouco mais, Mojica passou a aceitar propostas que o tornassem garoto-propaganda. A primeira delas foi a vela para macumba Zé do Caixão.

Logo em seguida, foi lançada a Pinga Zé do Caixão, uma bebida tão alcoólica que nem ele aguentava beber. O produto ficou dois meses no mercado até que a empresa, deslumbrada com os lucros, começou a adicionar água nas garrafas para render mais.

Como se vela e cachaça não fossem o suficiente, Zé do Caixão emprestou seu nome ao dono de uma perfumaria que queria divulgar uma nova linha de produtos de beleza, batizada Mistério. O produto que mais rendeu foi o fortificante para unhas. Neste caso, podemos concordar que Zé do Caixão era o garoto-propaganda perfeito.

1 Comentário

  • Andries Viljoen

    24 de fevereiro de 2020 às 11:00

    R.I.P Zé do Caixão
    Às vezes o artista ganha você de cara, por seu talento, por sua capacidade de se reinventar. E às vezes ele chama a sua atenção simplesmente por ser diferente de tudo o que você já viu até então. Zé Caixão, personagem antológico da cinematografia nacional, me ganhou pela segunda opção. E quando vi a notícia de seu falecimento no portal G1 da Rede Globo anteontem eu cheguei à conclusão de que nunca estarei preparado para lidar com a morte daqueles que contribuíram em todos os aspectos para a minha formação cultural.
    Pois é… Faleceu na última quarta-feira (19) o cineasta José Mojica Marins, o eterno Zé do caixão. Ele estava internado desde 28 de janeiro no hospital Sancta Maggiore, em São Paulo, por conta de uma broncopneumonia, e não resistiu. Nos deixou aos 83 anos (muito bem vividos, é bom que se diga!).
    Filho dos artistas circenses Antonio André e Carmen Marins, Mojica demonstrou desde a adolescência um fascínio gigantesco pelo terror, principalmente o escatológico. E viu no gênero a possibilidade de criar um personagem que entraria para a história do nosso audiovisual. Falo de Josefel Zanatas, o agente funerário sádico com roupas pretas, cartola, capa e unhas longas. Durante muitos anos foi visto no país como uma figura satânica. Eu mesmo, tenho na minha família parentes que não gostavam sequer de ver o rosto dele, sempre associando-o a tudo que existe de pior. Eu, contudo, nunca tive essa impressão. Nem do artista, muito menos do indivíduo. Pelo contrário. Sempre o vi como uma figura engraçadíssima (e também um provocador nato).
    Digo isso porque na sua trilogia mais famosa, composta dos longas À meia-noite levarei sua alma (1964), Esta noite encarnarei no teu cadáver (1967) e O estranho mundo de Zé do Caixão (1968) – que também foi título de uma programa de entrevistas engraçadíssimo que ele realizou durante sete temporadas no Canal Brasil – Mojica utilizou o terror apenas como mote para realizar seu grande desabafo (tem quem chame de denúncia) sobre os mandos e desmandos do periodo militar. Procurem os filmes. Eles estão repletos de ironia disfarçada de assustador.
    Só que, na verdade, eu conheci Zé do caixão bem depois disso. Eu me lembro dele mesmo pela primeira vez é apresentando o Cine Trash, que exibia filmes de terror na Bandeirantes nos anos 1990 (e quem é da minha geração sabe bem do que eu estou falando!).
    Outro ponto importante: embora tenha feito sua carreira – inclusive internacional, onde era conhecido como Coffin Joe – no gênero terror, Mojica não se limitou a ele exclusivamente. Em suas mais de 40 produções realizadas, fora os 50 longas no qual trabalhou como ator, também enveredou pela aventura, pelo faroeste e até pela pornochanchada (gênero o qual muitos puristas e estudiosos do nosso cinema não gostam de lembrar). E, além de tudo isso, foi um grande influenciador do cinema marginal no Brasil.
    Sua ficha no IMDb diz que ele trabalhou efetivamente até 2015 (e olha que ele sofreu um infarto em 2014 que mudou completamente sua rotina). Seu último crédito, Memórias da boca, sobre o cinema da boca do lixo, em São Paulo, que eu não sabia da existência, chegou a me deixar curioso e já estou à procura dele na internet.
    E para quem é completamente leigo e procura um livro de referência sobre o artista, recomendo de olhos fechados Maldito, do jornalista André Barcinski (1998), que já virou até objeto cult em sites de livros usados como o Estante Virtual. Livraço mesmo!
    Faltou dizer alguma coisa sobre esse homem multimídia? Faltou. Ele também foi enredo na escola de samba Unidos da Tijuca em 2011, e veio no último carro da agremiação todo serelepe ao lado da filha e com direito ao apresentador Luís Roberto, emocionado, narrando a passagem desse homem a quem tantos chamaram de controverso, mas que merece todo o meu respeito por ser um visionário da arte.
    Putz! Eu ainda não acredito que nunca mais vai ter Zé do caixão no cinema. É sério mesmo isso ou aquela matéria do G1 era só mais um trote babaca como tantos nesse país que adora brincar com a desgraça dos outros? Não. Infelizmente, é sério mesmo.
    E por causa disso só me resta dizer então “Fica com Deus, Mojica! Você merece!”

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