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4 diferenças entre o livro e o filme de O Morro dos Ventos Uivantes

Versão de Emerald Fennell tomou diversas liberdades criativas

26/02/2026

Se você assistiu a “O Morro dos Ventos Uivantes” com Margot Robbie e Jacob Elordi e achou tudo muito diferente da obra-prima de Emily Brontë, não se preocupe: você provavelmente só tem uma ótima memória. O longa dirigido por Emerald Fennell tomou várias liberdades criativas que envolveram a produção em polêmicas antes mesmo do seu lançamento.

LEIA TAMBÉM: A genialidade sombria de Emily Brontë em O Morro dos Ventos Uivantes

Não por acaso, Fennell fez questão de colocar aspas no título do seu filme, alegando que não se trata de uma adaptação fidedigna, mas sim do que ela se lembrava do romance de quando o havia lido na juventude. Talvez a memória só não seja tão afiada quanto a sua, caro leitor.

Com uma estrutura complexa e temas que muitas vezes ficam nas entrelinhas, O Morro dos Ventos Uivantes é uma obra bem complicada para traduzir para outros meios, ainda mais no tempo limitado dos longas-metragens. Mas se você quiser saber um pouco melhor sobre algumas das licenças poéticas que Emerald Fennell tomou para o seu filme, a Caveira separou as mais gritantes a seguir:

1. A etnia e o passado de Heathcliff

Quem é Heathcliff? Ninguém sabe muito bem, nem mesmo no livro. Só sabemos que ele é um garoto encontrado em Liverpool. Também sabemos que o Sr. Lockwood o descreve como “um cigano de pele escura”, o que sempre gerou muita especulação sobre sua etnia (africana, romani, hispânica, indiana, árabe, chinesa… tudo era possível). Mas também nos deu motivos suficientes para acreditar que ele não cresceria para se tornar alguém remotamente parecido com Jacob Elordi.

É justamente essa ambiguidade e esse mistério em torno das origens de Heathcliff que o posicionam como “o outro” para os personagens de O Morro dos Ventos Uivantes. É por isso que Hindley e tantos outros o tratam com tamanho desdém e crueldade. Não é só uma característica do personagem, é algo que ajuda a conduzir a história.

2. Os homens da família Earnshaw

Quem só viu o filme vai comprar a ideia de que o Sr. Earnshaw é um homem petulante, autoindulgente e chegado numa cachaça. Ele é cruel com Cathy, agride Heathcliff e é sugerido que a sua violência é um dos principais gatilhos para a dinâmica sadomasoquista do casal de protagonistas. Também é ele quem arruína a família, levando Cathy a querer desesperadamente se casar com Edgar só pelo dinheiro.

Quem leu o livro de Brontë provavelmente estranhou bastante essa representação. No romance, ele ama Heathcliff mais do que o próprio filho — Hindley, que nem aparece no longa, apesar de ter um papel bem relevante na trama. É justamente o afeto do patriarca por Heathcliff que faz com que Hindley passe a odiar o irmão adotivo. Ele é o alcoólatra viciado em jogos, não seu pai. Quando herda a propriedade, é Hindley que passa a maltratar Heathcliff, fazendo-o trabalhar como servo. Sem a chance de poder continuar estudando com Catherine, ela passa a acreditar que deve procurar um partido melhor para casamento. 

3. As idades de Catherine e Heathcliff

Outra polêmica que já estava rolando antes mesmo da estreia do filme diz respeito às idades dos atores: Margot Robbie, 35, e Jacob Elordi, 28. Isso porque, na fase “adulta” que é retratada no longa, os personagens são praticamente adolescentes — Catherine se casa com 17 e morre aos 18. Fennell admitiu que na produção os personagens devem estar com 20 e muitos e 30 e poucos. Mas essa mudança faz sentido para a história?

O Morro dos ventos Uivantes

O romance é ambientado em 1801, uma época em que as pessoas normalmente se casavam e tinham filhos muito jovens, até porque a expectativa de vida era bem mais baixa do que hoje em dia. Para se ter uma ideia, a própria Emily Brontë morreu com apenas 30 anos. Com as idades de Cathy e Heathcliff do filme, eles estariam com filhos bem crescidos. 

4. Uma geração perdida

Essa diferença não é uma exclusividade da versão de Emerald Fennell: a maioria (senão todas) as produções inspiradas no clássico se concentram na relação de Cathy e Heathcliff e acabam quando ela morre (se foi escrito há quase dois séculos não é spoiler). Já no romance, isso tudo acontece apenas na metade da história.

No “volume 2” de O Morro dos Ventos Uivantes há toda uma segunda geração que se vê em meio ao ciclo de abuso que herdaram de seus pais: Cathy (2), filha de Catherine e Edgar; Hareton, filho de Hindley; e Linton, filho de Heathcliff e Isabella. É nessa parte que também acompanhamos o lado mais sádico e cruel de Heathcliff, que só está interessado em trazer tortura e desgraça para todos ao seu redor — o que acaba incluindo-o no bolo.

Mesmo com sua característica de fazer filmes provocantes, Emerald Fennell pode até ter enchido seu filme com cenas sugestivas, mas os temas mais inquietantes e incômodos de O Morro dos Ventos Uivantes acabaram ficando de fora. Quem sabe uma segunda leitura mude a impressão da cineasta do clássico de Emily Brontë…

LEIA TAMBÉM: Guia de personagens de O Morro dos Ventos Uivantes

Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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