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Caveirinha

A importância da leitura na infância

Estudos apontam que estimular o hábito da leitura com os pequeninos aprimora não apenas o vocabulário, mas também desenvolve a empatia

Você se lembra do primeiro livro que leu na infância? Ou daquele que apenas folheou, olhando impressionado para as figuras enquanto ouvia um adulto decifrando com facilidade aquelas letrinhas ainda confusas? Ler para uma criança e estimulá-la a estar próxima dos livros é algo enriquecedor que deve ser cultivado desde os primeiros anos de vida. Clássicos imortais da literatura infantil ainda conquistam leitores de todas as idades e impressionam as crianças com mundos fantásticos, personagens marcantes e jornadas que estimulam a imaginação, além de trazer benefícios significativos à aprendizagem e aos primeiros anos de vida escolar.

Um estudo realizado pela Universidade Estadual de Ohio revelou que crianças que leem em casa com os pais entram no jardim de infância tendo ouvido cerca de 1,4 milhão de palavras a mais do que crianças que vivem em famílias que não cultivam esse hábito. De acordo com o estudo, há diferenças massivas no vocabulário ouvido de crianças americanas sem contato com a leitura em comparação com crianças americanas cujos pais leem para elas durante os primeiros 5 anos de vida. Segundo os dados, publicados em abril deste ano, os pais que lêem um livro de gravuras com seus filhos todos os dias, na hora de dormir por exemplo, dão a eles uma exposição estimada de 78.000 palavras por ano. Essa “lacuna de milhares de palavras” pode ser uma das respostas para explicar as diferenças no desenvolvimento de vocabulário e leitura, revela o material publicado no periódico médico Journal of Pediatrics Developmental e Comportamental.

O estudo sobre a aprendizagem das palavras, realizado pela professora Jessica Logan, da Universidade Estadual de Ohio, se concentrou apenas em palavras escritas nos livros chamados board books (direcionados aos bebês e crianças pequenas) e em livros ilustrados (destinados a crianças em idade pré-escolar) — e não analisou as conversas cotidianas que os pequenos participam ou ouvem, que também geram estímulos cognitivos e aprendizado de novas palavras. Os pesquisadores da universidade analisaram 60 livros infantis comumente lidos pelas crianças americanas para estimar o número de palavras às quais elas são expostas durante as sessões de leitura.

LEIA TAMBÉM: Cinco reflexões presentes em Alice no País das Maravilhas

Segundo Logan, as palavras assimiladas nos livros se revelam mais potentes. “Não se trata de vocabulário do dia a dia. As palavras que as crianças ouvem durante uma leitura são muito mais complexas do que as usadas durante uma conversa”, disse. A literatura infantil, que sempre caminhou pelos mais diversos temas com criatividade, estimula não apenas o vocabulário dos pequeninos, mas também proporciona e desenvolve habilidades emocionais — é o que revela outro estudo científico publicado em 2013, realizado pela Universidade de Cambridge. A pesquisa confirma que a leitura durante a infância estimula a capacidade de entender como outras pessoas se sentem, o que conhecemos como empatia. Ao entrarem na jornada de um livro, as crianças “incorporam” outras personagens, se colocando em seus lugares nas histórias. A empatia pode ser considerada uma das habilidades sociais mais essenciais ao ser humano ao longo da vida — no entanto, essa habilidade não surge automaticamente; ela se desenvolve gradualmente podendo ser aprimorada e treinada. O artigo cita como exemplo o livro infantil O Jardim Secreto, de Frances Hodgson Burnett, publicado originalmente em 1911, e afirma que a alfabetização emocional pode ser melhorada através da leitura de ficção ao longo da infância — hábito que rapidamente se perpetua na vida adulta.

Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, lido inúmeras vezes por fãs de todas as idades e perpetuado na cultura pop com adaptações para cinema, TV, teatro e musicais de sucesso é um clássico imortal da literatura infantil que depois de sua primeira publicação, em 1865, ganhou também uma versão para as crianças de zero a cinco anos com o texto original adaptado pelo próprio Carroll. Esta versão chega ao Brasil pela DarkSide Books, no selo Caveirinha, que busca incentivar o hábito da leitura nos pequeninos. 

A editora também possui outros títulos voltados às crianças. Do premiado autor de clássicos da literatura infantil, Chris Van Allsburg, o selo conta com as obras Jumanji e Zathura que trazem imagens realistas de chuvas de meteoros, buracos negros e animais selvagens, para estimular a mente dos pequenos leitores. Em A Vida Não Me Assusta, da brilhante poeta Maya Angelou, com ilustrações de Jean-Michel Basquiat, os pequeninos são encorajados pelas telas impressionantes de Basquiat e pelos versos poderosos de Angelou a enfrentar seus medos de cabeça erguida — já O Fantástico Alfabeto Lovecraft, de Jason Ciaramella, com ilustrações de Greg Murphy, também publicado pelo selo Caveirinha, guia os pequenos pelo universo do mestre do horror cósmico H. P. Lovecraft com frases curtas e bem humoradas, figuras de criaturas do mar e monstros encantadores com cabeça de polvo e asas de dragão, em um livro único planejado pela dupla de autores fã de Lovecraft, que apresenta às crianças o universo mágico de R’lyeh e o maior mito lovecraftiano, um fofo Cthulhu vermelho. 

Companheiros para uma vida toda, os livros sempre serão portas de entrada para mundos fantásticos e as obras infantis podem estimular os primeiros passos da imaginação e do desenvolvimento cognitivo de nossos pequenos — em um mundo cada vez mais tecnológico e conectado, reservar alguns minutos para ler um livro para uma criança pode nos transportar de volta à infância enquanto abrimos as portas para as novas gerações descobrirem seus próprios mundos.

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