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A resistência de Preto Velho ainda é necessária para combater a escravidão moderna

A literatura tem um papel poderoso de nos auxiliar a pensar na escravidão que assumiu formas contemporâneas.

No dia 13 de maio, como forma de honra a um legado, todos os pretos-velhos são lembrados. Eles são entidades de origem africana que representam a essência da ancestralidade, ensinando sobre sabedoria e resistência. Morreram no tronco sob torturas, mesmo na velhice. Toda dor, maltrato e sofrimento foram vivenciados por eles. São negros idosos que historicamente viveram no Brasil como escravizados e hoje são divinizados presentes em ritos de religiões de matriz africana.

Eles possuem características especiais, cada um com seu nome e essência vinda de diferentes aspectos da força da natureza, que são percebidos na hora da incorporação e os tornam distintos. Vestem roupas simples, se valem de um cachimbo ou cigarro de palha e têm a coluna envergada pela idade e pelos maus tratos. Inspiram calma, sabedoria, humildade e caridade.

LEIA TAMBÉM: A  ESCRAVIDÃO QUE AINDA NOS CERCA.

Sua longa experiência lhe permite fornecer conselhos a quem for a um terreiro de umbanda, candomblé ou de outras religiões cultuadas pela diáspora brasileira. Certas pessoas buscam essa entidade pela sua calma, paciência, resignação e a figura da experiência. 

Muito recorrido pelos fiéis, a adoração ao Preto Velho transmite saberes e é uma forma de resgate às práticas ancestrais. O seu legado reúne e conecta a diáspora numa rede de fé e esperança. Ele é uma demonstração de conhecimento e sabedoria, mas que remonta aos tempos em que negros escravizados eram vítimas de um sistema de opressão, tratados como mercadoria pelos grandes senhores, tudo permitido legalmente.

Datas como essa nos levam a refletir se esse seria um problema do passado ou ainda existe no Brasil do século XXI. O aclamado romance de James Hannaham, Sabor Amargo ensina sobre uma escravização contemporânea, que se mune de ferramentas atuais para continuar submetendo seres humanos a torturas, condições precárias de vida e trabalho. 

No livro, Darlene é levada contra a sua vontade para uma fazenda misteriosa e lá é mantida em cativeiro pelos seus empregadores. Lutando contra seus demônios pessoais, ao longo da vida Darlene enfrenta racismo, abuso e vício em drogas. Sua relação com o crack é tão profunda que a própria droga, chamada Scotty, narra alguns dos capítulos do livro. Ao mesmo tempo, acompanhamos como Eddie tenta sobreviver e vai em busca da mãe.

Darlene e Eddie nos fazem lembrar do Preto Velho, entidade que, da forma sombria em que foi humilhado, se assemelha às milhares de pessoas que vivem em desumanização constante. De todo modo, uma característica comum, tanto dos personagens do livro quanto das vítimas do abuso, é ter, no seu interior, o desejo de resistir e, principalmente, existir.

É necessário que se entenda como funcionam esses braços da máquina que move a escravidão moderna para que possamos denunciar. Essa também é uma maneira de honrar a ancestralidade de raízes culturais e religiosas brasileiras.

Caso conheça ou presencie casos de trabalhos análogos à escravidão, denuncie, de forma remota e sigilosa, na página do sistema Ipê (da Subsecretaria de Inspeção do Trabalho do governo federal). 

LEIA TAMBÉM:“IGUAIS, PORÉM SEPARADOS”: COMO AS LEIS JIM CROW PERMITIRAM A SEGREGAÇÃO RACIAL

Sobre DarkSide

Eles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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