A escritora americana Courtney Henning Novak, de 45 anos, não esperava que seu projeto pessoal de ler livros de diferentes países a partir das letras alfabeto a colocaria diante de uma crise existencial literária. Muito menos a gente. Ao chegar na letra “B” de sua lista, escolheu o Brasil e mirou em Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Não demorou muito e a norte-americana se viu completamente dominada pela genialidade do autor brasileiro. Seu desabafo no TikTok — “Por que ninguém me avisou que este é o melhor livro já escrito?” — rapidamente ultrapassou 740 mil visualizações, revelando como a obra de 1881 continua capaz de surpreender leitores no século 21.
LEIA TAMBÉM: Roteiro Machado de Assis para a cidade do Rio de Janeiro
A ironia não poderia ser mais machadiana: um livro sobre um defunto contando sua própria história póstuma ganhando vida nova nas redes sociais, que nem existiam quando ele deu vida a tantos personagens inesquecíveis. Courtney foi atingida em cheio pelo gênio do Bruxo do Cosme Velho. Seu desespero hilário – “O que vou fazer da minha vida depois de terminar Memórias Póstumas de Brás Cubas?” – ecoou na internet, fazendo com que milhares de estrangeiros descobrissem o que nós, brasileiros, sabemos há séculos: Machado é imbatível.

A tradutora Flora Thomson-DeVeaux, responsável pela versão em inglês que Courtney estava lendo, celebrou o fenômeno: “É a mesma reação que tive quando li Machado pela primeira vez com meu português ainda ruim: indignação por não tê-lo conhecido antes”. De repente, Brás Cubas estava na boca do povo, de booktubers franceses a professores de literatura em Harvard. A tradução de Flora chegou a ficar em segundo lugar entre as ficções mais vendidas na célebre lista do New York Times. Finalmente muita gente teve a oportunidade de ler a dedicatória “ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver”. E que alegria essa gente toda deve ter sentido.
Enquanto isso, Courtney – que ainda precisava ler autores da Croácia ao Zimbábue – enfrentava seu dilema: como seguir em frente depois de Machado? Ela até pensou em abandonar o projeto para devorar toda a obra do autor, mas seguiu em frente, não sem antes declarar que Machado “deveria ser tão celebrado quanto Shakespeare”, de “roubar” nas próprias regras e ler Dom Casmuro (com direito à polêmica do traiu ou não traiu e tudo) e de se dedicar a aprender português para ter o gostinho de ler Machado no original.

Foi um daqueles momentos mágicos em que a literatura transcendeu fronteiras e algoritmos. Machado, que sempre brincou com a ideia de fama póstuma em suas obras, certamente estaria rindo (com aquela risada irônica) ao ver seu Brás Cubas viralizar entre adolescentes norte-americanos. E nós, aqui da DarkSide, só podemos aplaudir: finalmente o mundo está descobrindo o que sempre soubemos. Como diria o próprio defunto-autor, algumas coisas – como a genialidade – simplesmente não morrem.
LEIA TAMBÉM: Rio de Janeiro é a Capital Mundial do Livro
Depois de percorrer cenários dignos de pesadelos, apresentar monstros inesquecíveis e...
Já pensou comprar sua casa dos sonhos e durante uma reforma descobrir que as paredes...
Carol conseguiu sair. Encerrou um casamento marcado por anos de violência física e...
É 5 de novembro, quando se comemora na Inglaterra a Noite da Fogueira, e uma mulher...
Se você é fã de thrillers psicológicos avassaladores, precisa conhecer Mary Kubica....
0 Comentários