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Caveira Viu: O novo filme de Hellraiser

Produção da Hulu traz nova vida ao universo de Clive Barker

Pinhead é possivelmente uma das criaturas mais emblemáticas e visualmente repugnantes do universo do terror. O líder dos cenobitas que marcou a franquia Hellraiser está de volta, abrindo as portas do inferno no novo filme produzido pela Hulu.

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Há décadas os fãs aguardam (e temem) um remake do clássico Hellraiser: Renascido do Inferno. O novo filme de Hellraiser não se limita a recontar os eventos da produção de 1987. Adaptado para os tempos atuais, o longa apresenta novamente toda a mitologia do universo criado por Clive Barker a uma audiência que dificilmente seria impactada pelo clássico oitentista da mesma maneira que ocorreu naquela época.

É importante fazer essa contextualização porque é impossível resetar tudo o que aconteceu de 1987 para cá e esperar que Hellraiser provoque as mesmas sensações de mais de trinta anos atrás. Vimos um filme provocante ser transformado em uma franquia que desfrutou de certo sucesso, mas que se perdeu em seu próprio masoquismo nas produções mais recentes. 

Mesmo quem não é fã assíduo da série já se acostumou a ver um cara com a cabeça coberta de alfinetes por aí. É impossível começar Hellraiser do zero, portanto, é igualmente inútil querer perder muito tempo com comparações entre dois filmes separados por 35 anos e com pontos de partida completamente diferentes.

Como é o novo Hellraiser?

Esqueça o sinistro sótão da casa de Kirsty, aqui os cenobitas ganham um terreno muito mais amplo para desfrutarem de seus prazeres e torturas. A nossa protagonista da vez é Riley (Odessa A’zion), uma jovem em reabilitação de seus vícios que, por má influência do namorado, acaba roubando um artefato que é a Caixa de LeMarchand. Ela consegue decifrar a primeira configuração e o resto você já sabe mais ou menos o que esperar.

hellraiser 2022
Imagem: © Spyglass Media Group, LLC 2022

Em sua investigação para entender a relação entre o artefato e o sumiço do seu irmão Matt (Brandon Flynn), ela vai parar na enigmática mansão de um bilionário desaparecido há anos chamado Voight (Goran Visnjic). A casa possui mecanismos que projetam uma espécie de Configuração do Lamento gigantesca, repleta de armadilhas, tal qual a icônica Caixa.

A cada nova resolução do cubo, os cenobitas saciam seus desejos por sangue, dizimando personagens com direito a muita tortura, do jeito que o horror visceral de Clive Barker exige. O público se depara com os demônios relacionados a cada enigma decifrado, frequentemente acompanhados de sua líder Sacerdote do Inferno (Jamie Clayton). 

O novo filme de Hellraiser consegue honrar o universo de Clive Barker?

Alguns críticos têm se referido ao novo Hellraiser como o melhor filme da franquia desde o original de 1987. Ao mesmo tempo em que essa afirmação seja bem válida, é preciso lembrar que tal mérito não exige tanto esforço assim. Mas para sermos justos, a nova produção da Hulu proporciona um bom entretenimento para as audiências que não se impressionariam facilmente com os efeitos da década 1980 — quem se lembra das rodinhas aparecendo debaixo de um dos demônios do original?

O fato de Hellraiser apresentar desde o início o universo de Pinhead e companhia permite que o público que nunca assistiu a qualquer um dos filmes anteriores consiga compreender tudo o que está acontecendo ali. O foco no jogo e suas consequências também ajuda a conduzir a trama sem deixar nenhum leigo para trás.

Porém, ao mesmo tempo em que é um ponto positivo para o filme dirigido por David Bruckner, toda essa explicação torna tudo expositivo até demais. A abertura do filme, o caderno de anotações e o monólogo de Voight em determinado momento são os principais elementos que parecem subestimar a inteligência do público e acabam desviando o foco da ação. Cadê os cenobitas? A gente veio por eles!

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Com o plot focado nas ações e explicações humanas, os demônios criados por Barker acabam fazendo um pouco de falta aqui. A própria Pinhead que causou tanto burburinho na internet nos últimos meses tem uma participação bem discreta, que talvez acabe não refletindo muito bem para as novas audiências a sua importância no universo de Hellraiser

E já que estamos falando de demônios, é elogiável a escolha dos produtores de caracterizar os monstros com efeitos especiais de maquiagem e figurino em vez de recorrer ao CGI. Além de honrar o clássico, evita algum tipo de desastre digital que não perdoa nem as mais badaladas produções de super-heróis. 

hellraiser 2022
Imagem: © Spyglass Media Group, LLC 2022

Ao mesmo tempo, algumas caracterizações dos cenobitas mereciam um pouco mais de dedicação para não se parecerem com uma fantasia de Halloween. A Pinhead consegue ter sua versão adaptada aos tempos atuais, mas de alguma forma sua cabeça perfurada não consegue ter o mesmo impacto de Doug Bradley. Mas talvez seja só a gente só tenha se acostumado a esse visual mesmo.

Aliás, em uma época com filmes de terror tão viscerais após a explosão do body horror do início dos anos 2000, o novo Hellraiser consegue entregar tortura na medida certa, sem pender demais para a violência gratuita, mas também não decepcionando quem veio pelo sangue e pela carne. Aliás, Pinhead protagoniza uma cena de “acupuntura” que eu não acho que seja muito recomendada para dores de garganta. Visceralmente elegante e repugnante.

Fora toda a explicação de seu universo, o roteiro não tem muito mais a oferecer ao público além dos familiares artifícios de boa parte das produções de terror. Isso nunca foi problema para o gênero, afinal a gente veio aqui pelas sensações (referência intencional). Porém, o ritmo e o conteúdo do longa não conseguem sustentar as duas horas de produção. Uns vinte ou trinta minutinhos a menos não fariam falta.

Mesmo com todos os seus vícios e limitações, Hellraiser consegue não apenas homenagear o legado de Clive Barker, mas também apresentá-lo às novas gerações. Em tempos de remakes preguiçosos e apegados à fonte, David Bruckner consegue imprimir sua marca a um universo consagrado (e massacrado). Um filme para se entregar aos prazeres da nostalgia e do entretenimento, mas não sem escapar de um pouco de masoquismo, do jeito que todo cenobita gosta.

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Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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2 Comentários

  • Lucivaldo Silva

    14 de outubro de 2022 às 10:45

    Olá, DarkSide, tudo bem?
    O novo filme de “Hellraiser” desse ano, eu estava ansioso para assistir, pronto para me encantar no universo, mas me decepcionei com o filme. Investiram muito nos efeitos especiais e esqueceram o principal, o roteiro – posso está errado -, ele começa a ficar bom da metade para o fim.

  • Vitor Hugo da Silva Guariento

    19 de novembro de 2022 às 12:35

    Opa pessoal da Darkside, tudo bem? Consegui assistir até para fazer uma crítica no meu portal, que faço com amigos, e devo dizer que é o segundo melhor da franquia, pelo menos na minha opinião. Tudo bem que os personagens não são cativantes, mas a mitologia da Configuração, e em especial os trejeitos e o visual dos Cenobitas são o destaque. A trilha sonora também, do original de 1987 soa muito bem. Muito melhor que aquela lasqueira do Doutor Channard que é o segundo filme.
    Ah, e nossa crítica tá aqui, se quiserem ver… https://guarientoportal.com/review/hellraiser-2022

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