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DarksideEntrevista

Cesar Bravo: “O horror de qualidade precisa testar a tenacidade humana”

Entrevista com um dos maiores nomes brasileiros do terror revela mais informações sobre VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue, obra que leva o leitor a questionar seu entendimento sobre moral, ética e realidade

O encontro inevitável de Cesar Bravo com a DarkSide® Books veio das profundezas. Algo visceral, que era para ser, como todas as coisas assinadas com sangue. Ultra Carnem selou o pacto entre a editora mais sinistra do Brasil e a mente maldita de Bravo, povoando os pesadelos dos leitores, que pediram mais. 

VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue, em pré-venda na loja oficial da DarkSide® Books, apresenta uma escrita ainda mais audaciosa e transgressora. Fãs de Stephen King, Clive Barker, Joe Hill e Robert Chambers têm outro mestre para seguir — com uma voz única e muito brasileira, o terror nacional volta a respirar na pele da nova geração de autores e leitores sedentos por histórias que deem voz a nossa identidade.

Confira a entrevista com Cesar Bravo e veja o que aguarda os leitores em VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue

DarkSide: Muita coisa mudou desde 2016, quando seu pacto com a DarkSide® foi selado. Ultra Carnem chegou para os leitores como um verdadeiro banquete, e foi devorado como tal. Agora é a vez de VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue promover uma experiência macabra. O que mudou de lá para cá?

Cesar Bravo: Creio que minha maturidade como autor tenha mudado bastante, o que me motivou a um renascimento na escrita. Em Ultra Carnem minha voz narrativa se concentrava em oferecer de volta ao mundo tudo (e somente) aquilo que machucava. Ultra Carnem é um livro sincero, porém, bastante impiedoso. Indo mais longe, eu diria que é um livro perigoso.

VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue conserva minha essência gore e meu misticismo, mas também traz inúmeras outras formas de horror que acabaram ficando subestimadas em meu primeiro livro. Ultra Carnem aborda basicamente as religiões e as deidades, e suas influências sobre a raça humana. Em VHS, além dessa energia, trago o “humano versus humano”, e levo (ou arrasto?) o leitor até situações que colocarão em xeque seu entendimento sobre moral, ética e realidade. Nesse sentido, VHS é uma expansão de minha própria capacidade narrativa.

Na vida pessoal, eu também fui agraciado com uma filhota, e isso virou absolutamente tudo de cabeça para baixo (e por isso hoje sou grato às forças que regem o universo).

D: Com esse amadurecimento, então, o que os leitores podem esperar do novo projeto?

CB: Verdade, desafios e insanidade.

Verdade porque não sei escrever de outra forma — além de ter salpicado a ficção de VHS com boas doses de vida real. Desafios porque o horror de qualidade precisa testar a tenacidade humana, precisar impelir os leitores a irem além do lugar comum e mergulharem de cabeça na experiência do livro. E insanidade, bem… insanidade é tudo aquilo que foge à nossa compreensão. Nos textos, insanidade é meu nome do meio.

VHS também revive uma época muito especial, que se situa entre 1985-1995. Isso inclui carros, músicas, tecnologia, até mesmo aqueles cortes de cabelo que nunca deveriam ter existido (terror de verdade).

O leitor pode esperar uma experiência rica, que possivelmente o fará a revisitar o livro pela atmosfera criada através das ilustrações e segredos escondidos.

LEIA TAMBÉM: DARKSIDE E CESAR BRAVO APRESENTAM: VERDADEIRAS HISTÓRIAS DE SANGUE

D: Tanto Ultra Carnem quanto VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue são livros viscerais, que falam sobre a maldade humana e que possuem o poder de semear pesadelos nos leitores. Qual você diria que é a principal diferença entre ambos?

CB: Ultra Carnem atribui a maldade tanto ao comportamento humano quanto à influência das deidades e demônios. Existe uma ferida aberta e uma provocação a cada página do livro, a começar pela capa que traz um garfo sobre um crucifixo fulgurante — além de uma bagagem filosófica bastante perceptível. Em VHS, tomei o cuidado de inserir situações e socos no estômago que deixarão muita gente com os olhos esbugalhados por muito tempo, mas lanço mão de outras formas de horror, sou mais acolhedor com os leitores (quando não os coloco em pânico).

Desde a publicação de Ultra Carnem, tive a oportunidade de abraçar essas pessoas incríveis. Hoje, isso faz uma diferença enorme. Em meu passado subterrâneo, eu escrevia basicamente para mim mesmo, hoje eu escrevo para o mundo. O papel de algumas mulheres também mudou desde Ultra Carnem, e talvez essa mudança também tenha relação com minha paternidade. 

LEIA TAMBÉM: DE VHS PARA A REALIDADE: A ATUAÇÃO DA MAÇONARIA NO BRASIL

D: VHS gira em torno de todas as coisas estranhas que acontecem na cidadezinha de Três Rios e, em cada registro, acompanhamos o horror do cotidiano se desdobrar em situações extremas e assustadoras. De que maneiras essas histórias se relacionam com coisas que você mesmo vivenciou?

CB: Muito do que existe nesse livro são percepções da vida em cidades interioranas, cidades onde me criei. Realmente morei no noroeste paulista, onde situo minha Três Rios e sua região assombrada, e posso dizer que o inferno era logo ali. Era um lugar quente, exigente, mas que também abria portas para a minha tumultuada imaginação adolescente. As passagens do livro que se referem ao Diabo são relatos que ouvi e expandi, os fragmentos mais “puramente humanos” são situações que realmente aconteceram. Mesmo as passagens interdimensionais e aparições fantasmagóricas me foram reveladas por gente de carne e osso. Acreditem: a realidade muitas vezes vai mais longe que a fantasia.

Também existia muita tensão entre 1985 e 1995, época em que ambientei a obra. Guerra, recessão econômica, insegurança total. Toda essa tensão está diluída nas experiências que compõem o personagem principal do livro: a cidade de Três Rios e sua região assombrada.

D: VHS é, então, registro oral de dores, feridas e acontecimentos bizarros? 

CB: Exatamente.

D: E como foi desenvolver e conectar esses registros, e toda a construção do projeto?

CB: Foi a melhor experiência da minha carreira.

Lembro que eu e a DarkSide tomamos a decisão conjunta de traçarmos uma espécie de “histórico autoral dentro do romance” com a quantidade de material que eu havia disponibilizado. Dessa forma, os leitores de VHS visitarão histórias que me acompanham há décadas, mas também o que existe de mais novo em minhas composições. Além disso, o processo foi de uma imersão tremenda. Muitos fragmentos, inclusive o que formatou a ideia do VHS, foram escritos de uma só vez, sem parar para tomar fôlego. Escrevi “Fire Star Videolocadora” e fiz boa parte das conexões com as outras partes em 18 horas de trabalho contínuo (e só parei porque meu editor amado me aconselhou a fazê-lo antes que eu ficasse desidratado).

O resultado é um verdadeiro quebra-cabeças, onde o leitor terminará o livro e provavelmente irá revisitá-lo algumas vezes, a fim de descobrir todos os segredos ocultos, não só nos textos, mas nas artes gráficas do romance.

D: O encontro entre Cesar Bravo e a DarkSide® foi um elo vindo das profundezas, como almas afins se encontrando em um mundo peculiar em que nada é o que parece. Que tipo de conexão você firma com as histórias que escreve?

CB: Ok, isso vai parecer estranho…

Acredito que todas as histórias pertençam a algum lugar real, e que muitos de nós, com a devida imersão, respeito e dedicação, tenham a capacidade de pinçar fragmentos dessas realidades e trazê-las à nossa luz. Algumas vezes, o processo de escrita surpreende o autor, e o presenteia com uma realidade que ele desconhecia no momento da escrita. Vamos chamar isso de intuição, mas para mim é algo bem mais poderoso, algo que divido com a Caveira desde que firmamos nosso pacto de sangue.

Com os personagens, minha conexão é igualmente extrema, a ponto de eu mantê-los comigo por muito tempo, antes e depois da obra. Não é tão raro que muitos deles se recusem a ir embora, e que outros cresçam e tomem as histórias posteriores para si. Wladimir Lester e Lucrécia são bons exemplos, ambos nasceram em contos de Além da Carne e ficaram comigo até Ultra Carnem (e ainda estão por aqui). Em Ultra Carnem nasceu Três Rios, e a proporção que essa cidade tomou em mim é assustadora. Nos meus livros preferidos, sempre consegui detectar essa força surpreendente e incontrolável que se mistura à ficção, e fico feliz por conseguir oferecer essa sensação aos meus leitores.

D: Quais foram as suas principais inspirações para dar vida a VHS?

CB: Toda situação que me coloca em estado de alerta me inspirou. Isso inclui violência urbana, violência doméstica, fantasmas, demônios, velhice, loucura, magia das trevas, inclui até mesmo a adolescência e seus estranhos ritos de passagem. No livro existem histórias vindas de jornais, internet, revistas antigas, lendas urbanas, existe principalmente relatos que ouvi e me deixaram de cabelo em pé. 

Afinal de contas, que finalidade existe no medo se não pudermos passá-lo adiante? Essa é base da nossa sociedade sabiam?

Mas não quero deixar ninguém apavorado. 

Não ainda. 

Não antes que todos tenham essas dezoito histórias de sangue nas mãos.

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