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Conheça Brom, o multiartista que criou Krampus: O Senhor do Yule

Quando a arte manifesta seu lado sombrio

“Nascido nas profundezas sombrias do sul na metade dos anos 1960” é como define o próprio Brom na página biográfica de seu site, sobre o início de sua vida. O artista que deu vida a Krampus: O Senhor do Yule tem uma trajetória inusitada e que contribuiu para a sua arte sinistra.

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Da Georgia ao Alabama, do Havaí ao Japão e com uma parada estratégica na Alemanha, Gerald Brom viveu em todos esses lugares na infância e adolescência por causa do trabalho do pai no exército, chegando a se formar no ensino médio em uma escola de Frankfurt. Segundo o próprio, a cidade alemã foi “o cenário gótico perfeito para minha natureza melodramática, e havia poucas coisas que eu gostava mais do que andar pelas suas ruas de paralelepípedo nas noites frias e chuvosas”. Já dá para ter uma ideia do astral do artista.

Brom conta a própria história de maneira sinistra e um tanto divertida em seu site, narrando como ele saiu do útero para “ser colocado em uma caixa”. Em caixas maiores ao longo da vida, mas ainda assim em uma caixa. Foi quando ele estudou em uma escola de artes pela primeira vez que percebeu que havia outras pessoas que, como ele, não gostavam de viver em caixas. “Os meus desenhos eram mais feios que os deles, e isso fez com que eu me sentisse especial”, afirma.

Publicidade, RPG e arte sem limites

Após o ensino médio, Brom cursou uma escola de “arte comercial”, que não ensinava a fazer pinturas, algo que o artista acabou aprendendo por conta própria. Aos 20 anos ele começou a trabalhar como ilustrador profissional no ramo de publicidade porque, segundo ele, “foi o único trabalho que consegui em Atlanta”.

Em sua breve carreira no setor, ele desenvolveu trabalhos para clientes como Coca-Cola, IBM, CNN e Columbia Pictures. “No começo eu estava empolgado por simplesmente viver da minha arte, mas não demorou muito para eu descobrir que a publicidade comercial era uma assassina de almas”, define.

diablo 2 brom
Créditos: Brom/bromart.com

Decidido a sair do ramo da publicidade, o artista reuniu um portfólio de suas pinturas de horror e fantasia e tentou ir por outro caminho. Após várias respostas de “você não é exatamente o que estamos procurando”, ele conseguiu uma capa com a First Comics, e muitas vieram na sequência. Pela mesma época, ele foi contratado pela TSR, uma empresa de jogos e livros de RPG. O trabalho lá foi como um “bilhete premiado” segundo Brom.

Após quatro anos criando universos assustadores para livros e jogos da empresa, ele se lançou como artista solo, cada vez mais comprometido com a sua visão peculiar do terror. “Assim que eu começo a pintar para fazer outras pessoas felizes, isso me deixa infeliz. Hoje eu só pinto para me fazer feliz. Quando eu fico muito feliz, é difícil pintar. Tento não ficar muito feliz”, define (confundindo, mas define).

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Filho das trevas e muitos mundos sinistros para explorar

Desde suas lembranças mais antigas, Brom sempre teve uma obsessão com a criação do estranho, do monstruoso e do belo, ao mesmo tempo. 

“Eu desenhava no papel, desenhava na minha pele, desenhava na parede. Desenhei dinossauros que cuspiam sangue, desenhei assassinato, desenhei pessoas sem pele. Desenhei e desenhei até todos os lápis sumirem. Daí encontrei um pincel. Eu não tinha tinta, apenas sangue. E eu ainda digo que não há nada errado em pintar com sangue, desde que seja o seu próprio sangue, mas eu frequentemente usei o sangue de outras pessoas, foi assim que aprendi.”

Brom

O artista explica que o amor pelo macabro é algo que já nasceu com ele, e que desde pequeno o Halloween nunca acabava em 1º de novembro: “Eu continuava no personagem muito depois da minha capa de vampiro ter se esfarrapado, submergindo em mundos fantásticos criados por mim. Eu nunca encontrei prazer maior do que dar corpo a um mundo e povoá-lo com criaturas da minha imaginação.”

Mas engana-se quem pensa que o artista que define a melancolia como sua musa não sofre as consequências do excesso de trabalho de qualquer profissional. Em uma divertida entrevista, ele afirma já ter sofrido com burnout por causa da pintura. Sua solução para isso foi começar a escrever

Quando indagado sobre ter sofrido burnout por escrever, ele também respondeu afirmativamente e emendou que a solução foi pintar novamente. “Meu tempo escrevendo revitalizou o meu amor pela pintura e eu descobri que as duas disciplinas se alimentam mutuamente, que eu amo esse vaivém criativo que trazer uma história à vida nesses dois meios pode proporcionar.”

Em Krampus: O Senhor do Yule, ele reúne seus talentos para contar a história de um personagem que já era retratado nos cinemas, mas não da maneira única que somente ele seria capaz de criar, inspirado por cartões natalinos vintage com a criatura demoníaca.

krampus brom

No livro, ele desafia as noções do Natal ser “a época mais feliz do ano” e altera a mitologia em torno do próprio Papai Noel. O resultado é uma obra rara, emoldurada pela beleza clássica e soturna de suas ilustrações. Para Brom, até o Natal pode ser macabro.

Mesmo com o talento de criar trabalhos visuais únicos, Brom não se define como um pintor de belas-artes, e sim como um contador de histórias, seja por palavras ou desenhos. Hoje ele se considera satisfeito por fazer exatamente aquilo que ele tanto gostava na infância: escrever e ilustrar trabalhos saídos de sua imaginação. “Posso apernas esperar que terei sorte suficiente para continuar fazendo isso até o fim dos meus dias.” No que depender da Caveira, Brom ainda terá um longo caminho de histórias horripilantes para contar.

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Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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