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Conheça os 5 estágios do luto e suas características

Processo pode ser observado em várias situações de perdas e encerramentos de ciclos.

O luto é associado frequentemente à morte, à perda de pessoas queridas. Mas este sentimento errático pode se manifestar em qualquer situação de perda ou de encerramento de ciclos, como um término de relacionamento, a demissão de um emprego, mudança para outra cidade e até mesmo com cenários mundiais incertos, como é o caso da pandemia de Covid-19.

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O dicionário define luto como um sentimento de tristeza profunda, normalmente originada pela morte de alguém. Mas interpretá-lo somente desta forma é ignorar a complexidade de um processo que envolve aprendizado, principalmente para aprender a viver sem aquilo que perdemos – que, como já comentamos, nem sempre se trata de uma pessoa.

Entender o luto como um processo e conhecer suas diferentes etapas é o primeiro passo para compreender que este sentimento é, também, passageiro. Pode levar mais ou menos tempo, mas entender em qual etapa você se encontra e aceitar isso como parte da jornada pode torná-la menos angustiante.

Quais são os 5 estágios do luto

Este processo também é conhecido como Modelo Kübler-Ross, já que foi cunhado pela psiquiatra suíça-americana Elisabeth Kübler-Ross em seu livro Sobre a morte e morrer, publicado em 1969. Ele envolve cinco etapas: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação

Nem sempre estas etapas seguem exatamente esta ordem e o processo do luto pode observar uma flutuação entre estágios, que podem ocorrer simultaneamente, de forma alternada e podendo até retornar àqueles que já foram vivenciados antes. O importante é entender que tudo isso é um processo pelo qual o indivíduo precisa passar para, enfim, chegar à aceitação. Conheça cada um destes passos a seguir:

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1. Negação

O primeiro dos estágios é possivelmente o mais confuso deles. Nesta etapa o mundo perde o sentido e se torna esmagador, deixando a pessoa em choque e em negação. É como passar por uma espécie de anestesia, que é justamente o que a ajuda a sobreviver ao dia. 

Existe uma certa bondade na negação, pois é a forma do nosso cérebro processar somente aquilo que ele consegue naquele momento. Esta incompreensão é útil para manter a sanidade. Conforme a realidade passa a ser aceita, começamos a nos fazer perguntas, o que inicia o processo de cura. Porém, conforme esta busca por compreensão começa, outros sentimentos que se encontravam anestesiados passam a se manifestar.

2. Raiva

Sentir raiva não é agradável para a pessoa e nem para quem está por perto. Afinal, ela pode ser direcionada a quem nem tem a ver com o motivo do luto, como amigos, familiares, Deus ou qualquer pessoa na rua. Ela é uma manifestação da dor que a pessoa sente e, embora tenha esta característica destrutiva, é uma parte importante do processo de luto.

O problema é que as pessoas estão mais acostumadas a suprimir a raiva do que necessariamente aceitá-la e lidar com ela. Este sentimento se mostra como uma evolução da primeira etapa: na negação a pessoa se sente perdida, desconectada de tudo e de todos. Ao sentir raiva, passamos a restabelecer esta conexão com os outros, ainda que de uma forma nem um pouco agradável. A raiva permite que você saia do seu mundo interno e passe a prestar atenção no outro, nem que seja se irritando com o que ele faz ou canalizando suas frustrações nesta outra pessoa. Esta conexão é necessária para os próximos passos.

3. Barganha

A barganha é um estágio que pode acompanhar todos os outros ao longo do processo de luto. Ela é amiga inseparável da culpa, do escape da mente para pensar o que poderia ter sido feito diferente para evitar a perda. O problema é que na maioria das vezes este sentimento não é produtivo e se perde uma espiral de “e se” que na prática não podem ser alterados.

Um aspecto positivo da barganha é quando ela se torna produtiva para o alívio da dor. Um exemplo é tentar se sentir melhor ao se dedicar a uma causa, um hobby, um novo hábito saudável que faça com que a pessoa se sinta melhor. É o “e se” útil, que pode realmente melhorar a vida da pessoa, mesmo sabendo que as coisas não vão voltar a ser como antes.

4. Depressão

Provavelmente o mais aterrador dos estágios é também uma fase importante que deve ser vivida e respeitada. Frequentemente quando se fala em luto as pessoas se lembram apenas do estágio da depressão, justamente por ser o mais intenso e normalmente o mais demorado também.

É importante destacar que apesar da terrível sensação, é um processo normal. Afinal, estranho não seria sentir esta tristeza diante do fim. No entanto, é importante frisar que a depressão do luto não se trata de um distúrbio mental. Isso não significa que a pessoa não precise buscar ajuda se sentir necessidade, afinal, se a ela tiver predisposição à depressão, um processo de luto pode servir de gatilho. 

O importante é não se culpar e nem se desesperar diante desta tristeza. Aceite-a como parte do processo e, portanto, algo passageiro. Se tiver dificuldades em lidar com esta fase ou se considerar que ela está demorando muito a passar, busque ajuda profissional.

5. Aceitação

O último estágio é chamado de aceitação e não de superação justamente porque chegar aqui não significa que está tudo ok e a vida voltou a ser bela. Possivelmente em uma parte da vida as coisas nunca estarão ok por causa desta perda. Aceitação é justamente ter consciência disso, desta nova realidade, e permitir que a vida continue, adaptando-se a este novo cenário.

A aceitação justamente se opõe à negação pois ela permite enxergar que o passado não pode ser mudado e que é preciso seguir adiante com a nova vida. Frente à pandemia, por exemplo, é aceitar que agora o novo normal é ficar mais em casa, sair de máscara (e somente em caso de necessidade), higienizar frequentemente as mãos e manter a distância das pessoas. É entender que a vida não voltará a ser 100% como era antes e aprender a viver no novo cenário. É entender que uma nova vida se inicia, mas que isso só é possível por todos aprendizados das etapas anteriores.

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O luto é diferente de acordo com a cultura

O modelo dos cinco estágios proposto por Kübler-Ross é aplicado principalmente na cultura ocidental, que ainda trata a morte como uma espécie de tabu. Mesmo sabendo da nossa mortalidade, preferimos não tocar muito no assunto. 

Mas esta postura muda de acordo com a cultura e crenças religiosas de cada povo. Esta pluralidade de relações com a morte foi estudada pela historiadora e agente funerária Caitlin Doughty no livro Para toda a eternidade, publicado pela DarkSide® Books.

A pesquisa de Doughty a leva a conhecer rituais na Indonésia, Bolívia e Japão, por exemplo, explorando um mundo de costumes funerários bem diferentes dos quais estamos acostumados. Afinal, existe um jeito “certo” de se despedir de quem amamos?

Sobre DarkSide

Eles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

2 Comentários

  • Alessane Belinki

    20 de maio de 2020 às 11:45

    Quando se trata do luto da morte as vezes demora mais, eu como morbita por muito tempo ainda conversava com falecidos e me sentia bem. Os outros que não aceitavam a morte da mesma forma fizera me desprender, aonde comecei ter transtornos. A morte para mim é sadia.

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