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Cores Vivas: Patrice Lawrence fala sobre o lançamento em entrevista

Autora da marca Darklove comentou como surgiu a ideia para o livro e sobre sua responsabilidade em escrever para o público jovem

Patrice Lawrence é uma escritora de mão cheia. Cores Vivas, seu livro de estreia lançado no Brasil pela DarkSide Books, traz uma história emocionante sobre família e amizade — e também uma reflexão extremamente importante a respeito da realidade de muitos adolescentes negros do Reino Unido.

Chegando para fazer parte da linha DarkLove, que revela novos talentos femininos da literatura contemporânea, Cores Vivas é uma lição sobre empatia e tolerância, algo tão necessário nos dias atuais.

Em seu blog, The Lawrence Line, a autora escreveu sobre suas experiências com escrita e compartilhou que Cores Vivas é um livro que fala sobre o poder das escolhas. E a primeira escolha partiu dela: Lawrence teve a ideia para Cores Vivas quando participou de um curso de escrita forense da Arvon Foundation, e tudo começou com uma frase e a vontade de saber o que viria a seguir. Logo, ela mergulhou no mundo de Marlon e se viu rodeada de perguntas — e, principalmente, de muitas respostas.

LEIA TAMBÉM: CORES VIVAS, DE PATRICE LAWRENCE, CHEGA AO BRASIL

Patrice Lawrence já concedeu diversas entrevistas sobre o seu processo criativo, sua responsabilidade como autora e também sobre o poder da voz dos jovens leitores, e agora você confere alguns trechos selecionados aqui no Darkblog:

Você sempre quis escrever Cores Vivas? Como foi o processo de criação desta história?

O livro não foi planejado. Na verdade, eu não me propus a escrevê-lo. Tentei uma vez escrever para crianças e tentei também escrever livros para o ensino médio. Foram ao menos quatro livros diferentes e todos eles não eram bons o suficiente para serem publicados. Então eu pensei ‘eu não sei fazer isso’.

O meu plano era escrever algo envolvendo crimes para leitores adultos. Eu pesquisei muito sobre o assunto e participei de um curso de escrita forense que durou uma semana. Como parte das atividades do curso, eles nos deram um desafio: escrever sobre algum crime, escondendo pistas na história para ocultar a resposta final do enredo. E o tema que recebi foi: “Ele acordou sonhando com amarelo”. Então, pensei: ‘um apocalipse em Os Simpsons?’. Nenhuma ideia me vinha à cabeça.

E foi aí que eu me lembrei do dia em que levei minha filha do 7º ano para o Hyde Park Winter Wonderland e passamos o dia inteiro andando reclamando sobre o quão caro tudo era. Foi ótimo. Realmente um momento de conexão entre mãe e filha, reclamando do quanto as coisas custam. Naquele dia, conseguimos reunir dinheiro suficiente para um cachorro-quente e, de repente, me veio a ideia de um garoto de 16 anos com uma garota muito acima da sua classe social, e ele lhe comprando um cachorro-quente e colocando mostarda amarela. Ele odeia mostarda. Mas gosta o suficiente dessa garota para comer o cachorro-quente do jeito que ela prefere. Marlon – protagonista de Cores Vivas – veio até mim dessa forma e foi assim que escrevi a cena inicial do livro.

Qual personagem do livro você acha que é o mais próximo de você?

Uma resposta clichê, eu sei, mas fui eu que criei todos eles. Então tenho um pouquinho de cada um. A nerdice do Marlon, a educação de sua mãe, a capacidade de Jonathan de não entender as coisas… Agora Tish, é ela que eu quero ser!

Qual a melhor e a pior parte em ser escritora?

A melhor parte é com certeza ver as histórias ganharem vida. Perceber que você pode criar mundos e personagens sobre os quais os outros desejam ler. E também a oportunidade de poder conhecer outros escritores.

A pior é ter que fazer muitos e muitos malabarismos para se adequar à rotina: trabalho, escrita e vida familiar.

Você sente que tem a responsabilidade de ser uma ativista enquanto escritora? Outros escritores deveriam sentir o mesmo?

Sim, eu sinto. Todo mundo escreve por diferentes razões, mas, para a faixa etária que eu estou escrevendo, há uma certa responsabilidade. Eu falo sobre jovens que precisam tomar decisões difíceis e nem sempre são as mais corretas, mas sempre procuro escrever livros onde há esperança e onde eles exerçam ação sobre suas próprias vidas.

Eu também queria falar sobre como posicionar famílias negras nos livros e como você encoraja estereótipos. Então, por exemplo, em Cores Vivas não havia um pai na história por causa de como a trama toda iria se desenrolar, mas eu não queria escrever mais um livro sobre um ‘pai ausente’. Na história, o pai de Marlon já morreu, mas deixou sua coleção de discos para o filho, e é assim que ele tem a oportunidade de conhecer mais sobre o pai – ainda havia amor e intimidade nessa família.

Com a televisão e outros meios de entretenimento competindo, hoje em dia é mais difícil para os escritores propagarem suas obras entre os jovens?

Bem, como escritor, você sempre tem possibilidades diferentes como visitas às escolas, por exemplo. Eu estive em uma palestra outro dia e falei sobre meu livro na frente de 400 jovens, o que é um número significativo. Mas a questão é que o calendário escolar é muito rígido, então acho que talvez as crianças precisem realmente querer ler em seu tempo livre.

Minha filha entrou no mundo dos Mangás e Animes recentemente porque estava cansada de ler os livros da escola e, com isso, se interessou por estudar a língua japonesa. O método tradicional de publicação precisa repensar o que faz para envolver os jovens.

Você acha que o governo tem um papel em ajudar as pessoas a continuarem sendo inspiradas pela literatura?

Este é definitivamente um grande problema. Alguns locais têm sorte, pois contam com bibliotecas muito boas, mas depende de onde você mora, não vai encontrar acesso à literatura tão facilmente. Acho que o envolvimento de muitas pessoas com a leitura ocorre enquanto criança, e as bibliotecas têm um papel muito importante nisso.

As escolas também tiraram a alegria de ler por prazer. Por exemplo, minha filha está estudando Macbeth – de William Shakespeare – atualmente, mas eles estudam apenas alguns pedaços de uma grande narrativa. Nem leem a peça inteira! Como eles vão conhecer o contexto ou até se divertir com a leitura, lendo dessa forma?

Fonte: Jericho Online /Luna’s Little Library

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