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De Lost ao Green River Killer: Conheça o escritor Jeff Jensen

HQ do autor sobre a investigação recebeu o Eisner Award

Desde a adolescência Jeff Jensen sempre soube que um dia escreveria a história do pai. Quando tinha apenas 14 anos, seu pai Tom Jensen foi designado para liderar a força-tarefa de investigação para prender o assassino de Green River. Esta história pode ser conferida em Green River Killer: A longa caçada a um psicopata, HQ publicada pela DarkSide® Books.

LEIA TAMBÉM: GREEN RIVER KILLER – A LONGA CAÇADA A UM PSICOPATA

A paixão pelos quadrinhos surgiu cedo e era algo partilhado entre pai e filho. Uma das lembranças mais antigas de Jeff envolve o pai lendo edições das revistas da Liga da Justiça na metade da década de 1970, quando ainda era pequeno. Foi Tom quem o incentivou a aprender a ler utilizando os quadrinhos.

Quando tinha 10 anos, a paixão pelos gibis era tanta que ele chegou a enviar uma carta para a Marvel Comics perguntando o que ele precisava fazer para se tornar um escritor de quadrinhos. A resposta da editora foi bem objetiva: ler vários livros e escrever aquilo que tivesse significado para ele. Na época ele achou o conselho um tanto raso, mas passados 30 anos e trabalhando na área, ele passou a reconhecer a sabedoria de dicas tão simples.
Jeff Jensen recorda que quando era adolescente, nos anos 1980, as HQs deram um salto em termos de abordar aspectos culturais para sua audiência e se tornar um meio capaz de abranger assuntos adultos, com tramas sofisticadas. Isso motivou ainda mais o jovem leitor a querer criar suas próprias histórias

A relação de Jess Jensen com a investigação

Quando Tom foi recrutado para a força-tarefa de investigação do assassino de Green River Jeff tinha 14 anos de idade. Aos 18, ele saiu de Seattle para cursar a faculdade e depois a trabalho. Durante este período ele e o pai raramente conversavam sobre o caso

Ele também não fazia questão de trazer o assunto à tona, pois “parecia inapropriado, parecia que estava bisbilhotando”, declarou em uma entrevista ao site Publishers Weekly. Ele sentia que era difícil, emocionalmente e intelectualmente, para seu pai comentar sobre a investigação.

De 1984 a 1990, Tom Jensen passou de membro de uma ampla força-tarefa de investigação a único detetive ativamente procurando pelo assassino. O curioso é que, antes do caso, o policial não tinha interesse pela divisão de homicídios e apenas achou que a operação seria uma boa oportunidade de carreira – e também acreditou que ela não se estenderia por tanto tempo. O detetive se envolveu tanto com o caso que se voluntariou a continuar a investigação sozinho, abrindo mão de possibilidades de promoções. 

LEIA TAMBÉM: CONHEÇA O CASO DE GREEN RIVER KILLER

A carreira de escritor até Green River Killer

Formado na School of Visual Arts de Nova York, Jeff Jensen trabalhou boa parte de sua carreira como jornalista. De 1998 a 2017 ele trabalhou na Entertainment Weekly, a famosa revista sobre cultura pop. Sua atuação era mais forte na cobertura da indústria cinematográfica.

Ele se tornou particularmente conhecido pela sua cobertura da série de TV Lost, mantendo um blog com artigos, resenhas e teorias que explicassem os mistérios do show. O jornalista era chamado de Doc Jensen entre os fãs e chegou a contribuir com a equipe criativa da série, sendo creditado nos agradecimentos oficiais da série.

Antes mesmo de entrar para a equipe da Entertainment Weekly e paralelamente ao seu trabalho, Jeff Jensen atuou como roteirista de quadrinhos, filmes e séries. Em 1993 e 1994 ele escreveu algumas histórias dos Novos Titãs da DC Comics, em colaboração com Phil Jimenez. Em 2002 ele escreveu algumas histórias para a Marvel Comics nos títulos X Factor e um arco do Capitão América.

Ele também ajudou a conceber a história de Tomorrowland: Um Lugar Onde Nada é Impossível, filme de 2015 com George Clooney e Hugh Laurie. Recentemente, Jensen trabalhou na edição de histórias da série da HBO Watchmen

Em entrevista ao site da editora Dark Horse, Jeff comentou que anos antes de trabalhar na história de Green River Killer seu pai brincava dizendo “um dia, quando você escrever um livro sobre mim…”. O escritor acredita que, apesar do tom descontraído, ambos sabiam que isso seria inevitável. “Eu sou um escritor que gosta de contar histórias, ele tinha uma história que precisava ser contada, por mais que fosse muito difícil e doloroso para ele contá-la.”

Foi após a prisão de Gary Ridgway que Jeff pensou em contar a história da investigação. “Eu considerei e até comecei a escrever um artigo de revista sobre o meu pai pouco depois da resolução do caso – o anúncio do acordo da apelação em 2003 – mas honestamente, o artigo que eu estava escrevendo empacou por vários motivos. O principal deles é que eu simplesmente não encontrei a voz jornalística certa para ele, um que misturasse reportagem true crime e uma perspectiva pessoal”.

Mas o artigo não significou tempo perdido para Jeff Jensen. Ele aproveitou todo o material recolhido em entrevistas na ocasião para vislumbrar um outro formato para a história. “Eu conseguia ver tão nitidamente na minha cabeça cenas dramáticas que se sobrepunham uma sobre a outra. E um dia eu me dei conta do que realmente estava vislumbrando: uma graphic novel

Em 2006 ele começou a trabalhar no projeto, mas um problema familiar adiou os planos em mais um ano. No ano seguinte, o escritor decidiu que levaria a sério o projeto. Em 2008, Jeff perguntou a Tom se poderia dramatizar sua história neste formato, canalizando a paixão que pai e filho partilhavam por quadrinhos.

Ilustrada por Jonathan Case, a HQ concentra o sentimento da missão de Tom Jensen em cinco dias específicos, começando em 13 de junho de 2003 – o dia em que Gary Ridgway foi secretamente da prisão e realocado na sede da força-tarefa do assassino de Green River, onde ele permaneceu próximo ao escritório do pai de Jeff por 188 dias. O policial entrevistava o acusado por aproximadamente oito horas todos os dias, indagando todas as questões que ele sempre quis perguntar ao longo de 20 anos de investigação. 

Os quadrinhos foram originalmente publicados pela Dark Horse Books nos Estados Unidos e receberam o Eisner Award de melhor HQ baseada em uma história real em 2012. Para alguém que cresceu vendo a revolução criativa dos quadrinhos nos anos 1980, Jeff Jensen fez com que seu trabalho participasse deste movimento da cultura pop.

LEIA TAMBÉM: O QUE O GREEN RIVER KILLER, TED BUNDY E HANNIBAL LECTER TÊM EM COMUM?

Sobre DarkSide

Eles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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