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Demon Wind: Não ouça o sussurro dos ventos

Um gore nada modesto de 1990

24/04/2026

Todo frequentador de videolocadora sabia que as capas das fitas VHS eram um critério fundamental na escolha de um bom filme de terror. Com o tempo as pessoas descobriam que as grandes capas frequentemente escondiam filmes terríveis e que as capas mais terríveis, com muita sorte, trariam um filme digno. O homenageado de hoje evoca uma capa que dispensa maiores comentários, mas o que existe dentro dessa VHS profana?

LEIA TAMBÉM: The Sender: Os piores pesadelos se escondem no mundo real

Demon Wind (rebatizado no Brasil como Vento Selvagem para não citar o demônio no título e chocar a família tradicional brasileira) surgiu no enigmático e confuso ano de 1990, dirigido e escrito por Charles Philip More e praticando todos os absurdos criativos possíveis (em breve você irá compreender…). Como sinopse resumida, o filme traz um grupo de amigos que fica aprisionado em uma propriedade rural, cercados por uma névoa misteriosa recheada de demônios cruéis.

Demon Wind começa em um breve vislumbre no ano de 1931, onde um homem (ou uma criatura, um demônio) queima em uma cruz. Com o estado do corpo, é impossível ter certeza. Também existe um homem caído, desfigurado, na mesma sequência. Desse ponto vamos para uma casa, onde existem altares improvisados com imagens religiosas e também simbologias ritualísticas. Nada disso impede a possessão de um homem e que ele ataque a sua esposa, que praticava tais rituais de proteção contra demônios. A cena não economiza em nada, não contextualiza, ela nos joga no inferno sem a menor cerimônia. Achei ótimo, diga-se de passagem.

Agora estamos de volta ao presente de 1990, com um jovem chamado Cory Harman, sua namorada, Elaine, e um grupo de amigos que pretendem se hospedar nessa mesma propriedade. Cory é neto de George Harman, o homem que foi possuído no comecinho do filme. Depois de visitar o pai (filho de George), Cory é influenciado em ir até a fazenda onde coisas terríveis aconteceram em 1931. Ele também reconhece um posto de gasolina e conveniência pelo caminho, Cory o conhece de seus pesadelos sangrentos. Os amigos se reencontram nesse lugar, mas as pessoas locais são estranhas, e dizem que a fazenda para onde Cory pretende ir jamais existiu.

Cory conta aos amigos que existe uma espécie de maldição familiar, na qual essa fazenda está envolvida. Ele explica que os convocou para que descubram o que esse lugar tem de errado. Os amigos concordam, mas Cory é avisado novamente por um dos locais a fazer o caminho de volta. O homem que conversa com ele conta coisas horríveis do passado, mas Cory insiste em ir até a fazenda. Cabe outro detalhe aqui: o grupo de amigos de Cory é profundamente idiotizado, mas não desconsiderem esse filme por isso.

Os amigos avançam até as ruínas da casa original da fazenda, e Cory passa a ter visões assim que chega ao lugar. Depois de atravessar as ruinas, ele e todo o grupo passam por uma espécie de passagem temporal, ou dimensional, e retornam até o estado da mesma casa décadas atrás. Uma das amigas de Cory, Bonny, lê algo em latim escrito nas paredes, e a casa parece ser atacada por demônios invisíveis. Com isso, o grupo sai novamente da casa e retorna ao mundo que conhecem.

Todos estão levemente em pânico, e mesmo com a insistência de Cory em ficar, eles decidem ir embora. Porém, já é tarde demais, as baterias dos carros não funcionam, a única forma de voltar é caminhando com os próprios pés.

Eles avançam alguns metros, então são surpreendidos por uma estranha névoa. Esse nevoeiro os transporta para diferentes lugares, os apavora, até devolvê-los exatamente às ruínas da fazenda, para a casa destruída dos avós de Cory. Também se manifestam três demônios, na forma de três meninas. Um desses demônios acaba com Bonny, a primeira vítima fatal. Depois desse ataque, Cory tem a intuição que a casa não pretende atacá-los, e sim protegê-los do que existe do lado de fora. Dessa forma, Cory convence todos a atravessarem o portal da casa novamente.

Cory encontra o diário de sua falecida avó dentro da casa, e então somos inseridos na mitologia profana e demoníaca do filme. Em resumo, antigos moradores da região se devotavam a um religioso corrompido, despertando espíritos malignos e praticando rituais e sacrifícios humanos, enquanto o reverendo tentava trazer o demônio para esse mundo. Os últimos a sobreviverem foram os avós de Cory, e depois deles, o pai de Cory.

É inegável que Demon Wind tenha absorvido mais que um tempero de Evil Dead e The Fog, e mesmo que seu êxito não tenha chegado tão longe, a trama é divertida e digna em vários aspectos (principalmente se levarmos em conta os efeitos especiais que são melhores que seus antecessores, e contaram com um orçamento muito maior).

Depois da primeira onda de ataque, alguns amigos de Cory são mortos pelos demônios, e outros dois, um casal, chega à casa para também serem aprisionados. Um outro casal decide contrariar o grupo e se aventurarem sozinhos a irem embora caminhando. Cory não os impede, mas não acredita que chegarão muito longe. Embora os atores e seus diálogos nesse filme passem longe da plausabilidade, a trama nos mantém curiosos sobre até onde poderemos chegar, ou melhor: a qual distância da realidade seremos arremessados.

Depois de analisar novas descobertas, Cory conclui que toda maldade do lugar está concentrada, ou foi originada, em um celeiro na mesma propriedade, e a única chance que eles têm de sobreviver é encontrando uma maneira de derrotar essa energia maligna.

Quanto a essa matéria infernal, chegou a hora de interrompermos a narrativa para não profanarmos os ritos finais desse filme. Como outras produções que permearam a mesma época, Demon Wind tem seus pecados, mas talvez tenha sido graças a eles, e a um gore nada modesto, que esse filme se elevou ao status de cult e recebeu uma popularidade bastante inesperada. No final das contas, deixar a janela aberta para o vento entrar (e o que vem com ele) é uma escolha somente sua.

E se você pretende descobrir todos esses segredos profanos, pode começar pelo trailer: 

LEIA TAMBÉM: Dead End Drive-In: Pós-punk, caos social e metáforas indigestas

Sobre Cesar Bravo

amplificador cesar bravoCesar Bravo é escritor, criador de conteúdo e editor. Pela DarkSide® Books, publicou Ultra Carnem, VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue, DVD: Devoção Verdadeira a D., 1618 e Amplificador.

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